«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Obra relaciona capitalismo e gestão de afetos

VLADIMIR SAFATLE

Livro da socióloga Eva Illouz [foto ao lado] propõe compreender sistema econômico sob a ótica das afeições pessoais e crenças
Ela ainda foi capaz de mostrar como a valorização do capital poderia ser impulsionada por uma boa gestão de afetos

Estamos acostumados a compreender o capitalismo como um sistema econômico caracterizado principalmente pelo livre mercado, pela concorrência entre os atores econômicos e por uma dinâmica de autovalorização incessante do capital.


No entanto, o capitalismo é, também, uma forma de vida que racionaliza várias dimensões sociais a partir de um conjunto de valores morais, psicológicos e de princípios de avaliação.


Podemos falar, aqui, que estamos diante de uma forma de vida, porque não se deseja da mesma forma dentro e fora do capitalismo, assim como não se trabalha e não se fala da mesma forma.


O desejo, o trabalho e a linguagem têm uma configuração específica no interior das sociedades capitalistas avançadas.


Foi tomando tal perspectiva como ponto de partida que a socióloga Eva Illouz propôs compreender os afetos nos tempos do capitalismo ou, para ser mais preciso, compreender o capitalismo como um sistema de produção e gestão de afetos.


TRADUÇÃO
Infelizmente, por alguma razão obscura, a tradução mudou o título para um injustificável "O Amor nos Tempos do Capitalismo" (e não afetos nos tempos do capitalismo, como seria o correto).


Pois a interessante tese central do livro é de que a psicanálise freudiana desencadeou a produção de uma "cultura afetiva intensamente especializada", de um "novo estilo afetivo, o estilo afetivo terapêutico", que servirá de base para uma modificação mais profunda na maneira com que o mundo contemporâneo do trabalho, do consumo e das instituições implica sujeitos.


Illouz descreve, por exemplo, este rápido processo por meio do qual a maneira freudiana de pensar o eu, com sua história de conflitos, seu modo de narrar tal história e exigir reconhecimento social, irá reconfigurar a imaginação empresarial.


Desde os estudos clássicos de Elton Mayo sobre o trabalho na General Electric, o mundo empresarial aprendeu o léxico das relações humanas, a terminologia da psicologia motivacional e a necessidade de "comunicar seus sentimentos".


Em suma, ele aprendeu aquilo que a autora chama de "cultura terapêutica".


Um aprendizado que não deixava de tecer relações com as modificações produzidas por Freud em nossa compreensão do eu.
Assim, "um discurso científico [a psicologia] que versava primordialmente sobre pessoas, interações e sentimentos transformou-se no candidato natural para moldar a identidade no trabalho".


Tal engenharia psicológica, segundo a autora, saturou a esfera econômica com afetos: "Um tipo de afeto comprometido com o imperativo de cooperação e com uma modalidade de resolução de conflitos baseada no 'reconhecimento'".


Ela ainda foi capaz de mostrar como a valorização do capital poderia ser impulsionada por uma boa gestão de afetos, pelo bom uso da "inteligência emocional".


Illouz ainda lembra como tal saturação da esfera econômica pelos afetos não poderia deixar de interferir nos relacionamentos íntimos.


Esses, por sua vez, foram cada vez mais objetos de racionalização e cálculos de custo/benefício dignos do mundo empresarial.


Ou seja, ao voltar para a dimensão dos relacionamentos familiares e amorosos, a preocupação com os afetos trouxe os princípios de racionalização que regem a esfera econômica.


NEGOCIAÇÃO DO AMOR


Um estudo, no capítulo final, sobre sites de relacionamento e entrevistas com usuários procura expor o ponto extremo de tal processo.
Maneira de mostrar até onde pode ir o processo de mercantilização e reificação das relações amorosas.


Processo no interior do qual "é difícil separar o sentimento romântico da experiência do consumo".


Com tais teses importantes, o estudo de Illouz demonstra o tipo de contribuição que a articulação entre teoria social de inspiração frankfurtiana e psicanálise ainda é capaz de fornecer para uma perspectiva crítica das sociedades capitalistas.


Ele demonstra como não há crítica possível sem levar em conta a perspectiva dos indivíduos com seus sistemas de afetos e crenças.


O AMOR NOS TEMPOS DO CAPITALISMO
AUTOR: Eva Illouz
EDITORA: Zahar
TRADUÇÃO: Vera Ribeiro
QUANTO: R$ 36 (188 págs.)
AVALIAÇÃO: ótimo


Fonte: Folha de S. Paulo - Ilustrada/livros - Sábado, 28 de janeiro de 2012 - Pg. E7 - Internet: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/22485-obra-relaciona-capitalismo-e-gestao-de-afetos.shtml

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