«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

7º Domingo do Tempo Comum – Ano “B”

Evangelho: Marcos 2,1-12

José Antonio Pagola

CURADOR DA VIDA


Jesus foi considerado pelos seus contemporâneos como um curador singular. Ninguém o confunde com os magos e curandeiros da época. Tem o seu próprio estilo de curar. Não recorre a forças estranhas nem pronuncia conjuros ou fórmulas secretas. Não emprega amuletos nem feitiços. Porém, quando se comunica com os enfermos contagia saúde.


Os relatos evangélicos vão desenhando de muitas maneiras seu poder curador. Seu amor apaixonado à vida, sua acolhida calorosa a cada enfermo, sua força para regenerar o melhor de cada pessoa, sua capacidade de contagiar sua fé em Deus criavam as condições que tornavam possível a cura.


Jesus não oferece remédios para resolver um problema orgânico. Aproxima-se dos enfermos procurando curá-los a partir de sua raiz. Não busca somente uma melhoria física. A cura do organismo é englobada numa cura mais integral e profunda.


Jesus não cura somente enfermidades. Cura a vida enferma.


Os diferentes relatos o destacam de diversas formas. Liberta os enfermos da solidão e da desconfiança, contagiando-os com sua fé absoluta em Deus: “Tu, agora acreditas?”. Ao mesmo tempo, os resgata da resignação e da passividade, despertando neles o desejo de iniciar uma vida nova: “Tu queres curar-te?”.


Não fica por aqui. Jesus os liberta do que bloqueia sua vida e a desumaniza: a loucura, a culpa ou o desespero.


Oferece-lhe, gratuitamente, o perdão, a paz e a bênção de Deus. Os enfermos encontram nela algo que os curandeiros populares não lhes oferecem: uma relação nova com Deus que os ajudará a viver com mais dignidade e confiança.


Marcos narra a cura de um paralítico no interior da casa onde vive Jesus em Cafarnaum. É o exemplo mais significativo para destacar a profundidade de sua força curadora. Vencendo toda classe de obstáculos, quatro vizinhos conseguem trazer até aos pés de Jesus um amigo paralítico.


Jesus interrompe a sua pregação e fixa seu olhar nele. Onde está a origem dessa paralisia? Que medos, feridas, fracassos e obscuras culpas estão bloqueando sua vida? O enfermo nada diz, não se move. Ali está, diante de Jesus, amarrado à sua cama.


O que necessita este ser humano para colocar-se em pé e continuar caminhando? Jesus lhe fala com ternura de mãe: “Filho, teus pecados estão perdoados”. Deixa de se atormentar. Confia em Deus. Acolhe seu perdão e sua paz. Atreva-se a levantar-se de seus erros e seu pecado. Quantas pessoas necessitam ser curadas por dentro. Quem as ajudará a pôr-se em contato com Jesus curador?


Contagie a sua fé no perdão de Deus.


O PERDÃO NOS PÕE DE PÉ


O paralítico do relato evangélico é um homem submerso na passividade. Não pode mover-se por si mesmo. Não fala nem diz nada. Deixa-se levar pelos demais. Vive preso à sua cama, paralisado por uma vida afastada de Deus, o criador da vida.


Pelo contrário, quatro vizinhos, que o querem de verdade, se mobilizam com todas as suas forças para aproximá-lo de Jesus. Não se detêm diante de nenhum obstáculo, até que conseguem levá-lo “aonde ele está”. Sabem que Jesus pode ser o começo de uma vida nova para seu amigo.


Jesus capta no profundo de seus esforços “a fé que eles têm nele” e, prontamente, sem que ninguém lhe tenha pedido nada, pronuncia essas cinco palavras que podem mudar para sempre uma vida: “Filho, teus pecados estão perdoados”. Deus lhe compreende, lhe deseja e lhe perdoa.


Havia ali, nos é dito, alguns “escribas”. Estão “sentados”. Sentem-se mestres e juízes. Não pensam na alegria do paralítico nem apreciam os esforços daqueles que o trouxeram até Jesus. Falam com segurança. Não se questionam em sua maneira de pensar. Sabem tudo sobre Deus: Jesus “está blasfemando”.


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Complementando...


Jesus, ao dar-se conta da mal dissimulada irritação destes escribas, se dirige a eles abertamente com uma pergunta retórica: “O que é mais fácil, dizer ao paralítico: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te, pega a tua cama e anda?’”
Com esta pergunta, o Senhor exige aos seus interlocutores que tomem uma posição diante de sua identidade, isto é, que o reconheçam como Profeta autêntico, capaz de praticar e ensinar a vontade de Deus, ou ao contrário disso tudo. 


De repente, sem lhes dar tempo para contestar, Jesus formula diante de todos a revelação decisiva: “Pois bem, para que saibais que o Filho do homem tem, na terra, poder de perdoar pecados – disse ele ao paralítico – , eu te ordeno: levanta-te, pega tua cama e vai para tua casa!”.


Jesus é o Filho do homem, aquele personagem messiânico enviado por Deus para levar a pleno cumprimento suas promessas. Mais ainda, se Deus prometeu em seu dia perdoar os pecados (cf. Jr 31,39; 33,8; 36,3), é isto que agora está acontecendo por intermédio de Jesus. “O Reino de Deus chegou”, é uma força já operante neste Profeta que não somente livra do mal, mas também do pecado e do poder do demônio. Quando o Senhor cura o corpo, cura ao mesmo tempo o coração.


(Extraído de: Enzo BianchiAscoltate il Figlio Amato! Il vangelo festivo. Domeniche, Solennità del Signore, Proprio dei santi. Anno B)
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Jesus não entra em discussões teóricas sobre Deus. Isso não lhe faz falta. Ele vive repleto de Deus. E esse Deus que é somente Amor o empurra a despertar a fé, perdoando o pecado e libertando a vida das pessoas. 
As três ordens que dá ao paralítico dizem tudo: 
“Levanta-te”: ponha-se de pé; recupera a sua dignidade; liberte-se do que paralisa a sua vida.
“Pega tua cama”: enfrente o futuro com fé nova; está perdoado o seu passado.
“Vai para tua casa”: aprende a conviver.


Não é possível seguir a Jesus vivendo como “paralíticos” que não sabem como sair do imobilismo, da inércia ou da passividade. Talvez, necessitemos, como nunca, reavivar em nossas comunidades a celebração do perdão que Deus nos oferece em Jesus. Esse perdão pode colocar-nos de pé para enfrentarmos o futuro com confiança e alegria novas.


O perdão de Deus, recebido com fé no coração e celebrado com alegria junto aos irmãos e irmãs, nos pode libertar do que nos bloqueia interiormente. Com Jesus tudo é possível. Nossas comunidades podem mudar. Nossa fé pode ser mais livre e audaz.

Tradução de Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: MUSICALITURGICA.COM - Homilías de José A. Pagola - 14/02/2012 - 18h37 - Internet: http://www.musicaliturgica.com/0000009a2106d5d04.php

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