«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

EUA: nação indispensável?

ROBERTO ABDENUR

"Indispensabilidade" hoje sente-se mais pela ausência do que pela liderança ao articular consensos globais

Circula na internet artigo de Zbigniew Brzezinski [foto ao lado], ex-assessor de Segurança Nacional dos EUA. Defende ele a tese de que, em caso de declínio e mesmo fracasso dos EUA no plano internacional, se seguirá um mundo perigosamente instável, onde não haverá uma única potência dominante, nem mesmo a China.


Nenhum país será capaz de exercer o papel de líder de uma nova ordem global mais cooperativa, como, segundo ele, se previa para os EUA após a dissolução da URSS. Um mundo hobbesiano tenderá a prevalecer. Certas nações procurarão dominar os respectivos contextos regionais (cita o Brasil como tendo essa pretensão no hemisfério Sul).


O artigo remete, implicitamente, à notória frase da ex-secretária de Estado Madeleine Albright [foto abaixo]: "Se tivermos que usar a força, o faremos porque somos a América; somos a nação indispensável".


O próprio presidente Obama bateu na mesma tecla, tanto ao receber o prêmio Nobel como no discurso sobre o Estado da União.


Tudo isso vem da longa tradição do "destino manifesto", que supõe mandato quase divino para que os EUA liderem a ordem global, ideia que aparecia em tons bíblicos numa famosa frase de Ronald Reagan, para quem os EUA e sua capital seriam "the shining city" - a nova Jerusalém, a iluminar o mundo.


Isso tudo traz à tona a visão do historiador Niall Ferguson [foto abaixo], que em livro sobre a decadência dos impérios lamenta a incapacidade dos EUA de comportar-se como tal, por força de seus não resolvidos problemas econômicos, políticos e sociais.


Ele toca num tema atual: o corrente declínio se deve mais a erros domésticos - desigualdade, polarização ideológica, impasses políticos, pessimismo sobre o futuro- que propriamente a um debilitamento de sua presença nos cenários estratégicos. Esta, goste-se ou não, continua forte nas mais variadas regiões.


E agora, retirando-se dos atoleiros do Iraque e do Afeganistão, trata Washington de reafirmar e reforçar sua predominância militar na Ásia Oriental, como contrapeso à ascensão regional da China.


Mas o fato é que a "indispensabilidade dos EUA", se efetivamente válida para certas questões de índole militar e de segurança, não se afigura tão "indispensável" assim quando em jogo temas multilaterais.


Não raro se opõem os EUA a tratados internacionais (como o de mudança climática ou o do Tribunal Penal Internacional). Ou os cumprem de maneira unilateral e parcial, só naquilo que lhes interessa. Ou recusam a via multilateral para privilegiar negociações bilaterais.


Os EUA foram, inegavelmente, os grandes responsáveis pela organização da ordem internacional no pós-guerra, com a criação de ONU, Banco Mundial, FMI, Gatt (predecessor da OMC). A esta altura, contudo, diante de novos desafios, a "indispensabilidade" parece fazer-se sentir mais pela ausência -ou pela obstrução a arranjos globais- do que pela liderança na articulação de consensos internacionais.


Por isso, como costumava dizer a interlocutores americanos quando embaixador em Washington, para espicaçá-los amistosamente: "não se sabe se os EUA são realmente indispensáveis, mas é fato que são inevitáveis, em qualquer parte do mundo ou qualquer que seja o tema internacional em questão".


Fonte: Folha de S. Paulo - Mundo - Quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012 - Pg. A12 - Internet: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/24649-eua-nacao-indispensavel.shtml

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