«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Igreja dá uma virada diante dos abusos de menores

El País
Editorial
11.02.2012

O Simpósio "Rumo à cura e à renovação", sobre os abusos sexuais cometidos pelo clero católico, organizado pela Pontifícia Universidade Gregoriana [foto abaixo], com o amplo apoio do Vaticano, representa "uma virada copernicana" da Igreja. 
Não são fáceis as mudanças em uma organização sólida e próspera com mais de 20 séculos de antiguidade, cuja diretoria é formada por um conselho de anciãos e cujo chefe máximo - na terra - só precisa prestar contas a Deus de suas decisões infalíveis. Talvez só assim se possa explicar a reação tardia e hesitante da Igreja Católica diante dos milhares de abusos contra menores cometidos por clérigos em todo o mundo. E talvez só assim se possa entender até que ponto o simpósio sobre essa questão, organizado pelo Vaticano e encerrado na quinta-feira (9/02/12) em Roma, representou uma virada copernicana em sua política.


Não só porque pela primeira vez - ao vivo, com luzes e taquígrafos - representantes de 110 conferências episcopais e superiores de 30 ordens tenham escutado de viva voz o testemunho de uma de "suas" vítimas, senão também porque a mensagem, rubricada com o selo papal, é nítida e contundente: "As vítimas são nossa prioridade. Os padres, ao juiz".


A Igreja pode estar calada há décadas - inclusive com um silêncio cúmplice -, mas quando fala o faz medindo muito bem a mensagem, os tempos, a cenografia. Desde segunda-feira até quinta, Roma foi a sede de um simpósio milimetricamente organizado pelo Vaticano através da Pontifícia Universidade Gregoriana, para lançar uma mensagem muito clara ao mundo cristão, resumida em três reflexões do papa e uma quarta pronunciada pelo bispo Charles Scicluna [foto ao lado], promotor de justiça do Vaticano.


As frases de Bento XVI são: "A pederastia é uma tragédia. As vítimas têm de ser nossa preocupação prioritária. A Igreja precisa de uma profunda renovação". A quarta reflexão, do bispo Scicluna, é a consequência lógica das três anteriores e representa de fato um grande salto à frente: "É errôneo e injusto aplicar a lei do silêncio diante dos casos de pedofilia. O abuso sexual de menores não é só um delito canônico, mas também um delito perseguido pelo direito civil. Portanto, é essencial cooperar com as autoridades". O cardeal de Munique (Alemanha), Reinhard Marx, veio a dizer o mesmo no encerramento da cúpula, embora de outra maneira: "A legislação estatal não pode ser considerada uma ingerência nos assuntos da Igreja".


Qualquer pessoa com um mínimo de senso crítico pode responder que as avaliações antes expostas são um rosário de obviedades. É verdade. Mas são um rosário de obviedades que até há pouco tempo a Igreja tinha sepultadas sob as sete chaves dos olhos fechados, da negação, da estigmatização das vítimas, da proteção - quase criminosa - dos culpados... Ao levar em conta esses antecedentes é que o simpósio adquire valor. Não só pelo dito, senão pela forma de dizê-lo.


O encontro foi na realidade uma cerimônia em que, de forma pública, se representou o sacramento da penitência. O papa, em sua mensagem inaugural, trazia a necessária dose de arrependimento ao reconhecer a grande dívida da Igreja com as vítimas inocentes de seus pastores. Depois, os participantes conheceram o testemunho lastimável de Marie Collins [foto ao lado], a irlandesa de 65 anos que quando tinha 13 e se encontrava só e doente em um hospital, foi agredida sexualmente por um capelão: "As mesmas mãos que abusavam de mim me davam a comunhão".


Suas palavras diante dos sacerdotes e bispos reunidos em Roma - para que ninguém mais no seio da Igreja possa dizer que nunca soube - foram dadas a conhecer imediatamente à opinião pública, em uma mensagem muito nítida de que se acabou o tempo do silêncio.


O testemunho de Collins - sua agressão, a forma como o sacerdote lhe inoculou a culpa, a estratégia da hierarquia para protegê-lo - representou de forma muito gráfica a atitude da Igreja durante décadas. Nestes dias a Igreja reconheceu diante de si e diante do mundo o mais feio de seus pecados.


A penitência imposta - mais de US$ 2 bilhões pagos em indenizações e uma névoa de suspeita que também envolve os inocentes - deverá desembocar agora em um eficaz propósito de emenda. Os participantes do simpósio, que pediram perdão publicamente às vítimas, terão de elaborar até meados de maio uma série de propostas para tentar enfrentar um problema cujas dimensões ainda não se conhecem. De fato, alguns representantes da cúria demonstraram preocupação pelo que possa estar acontecendo na Ásia ou na África, de onde praticamente não chegam denúncias.


Apesar do longo caminho a percorrer, o representante no simpósio do episcopado italiano, cardeal Lorenzo Ghizzoni, afirma que essas jornadas representaram "uma mudança de mentalidade" total: "A determinação de pôr em primeiro lugar as vítimas é uma verdadeira virada copernicana para a Igreja".


Fonte: Instituto Humanitas Unisinos - Notícias - Sábado, 11 de fevereiro de 2012 - Internet: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/506435-igrejadaumaviradadiantedosabusos
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Nota da Presidência da CNBB sobre o compromisso no combate aos crimes de abusos sexuais cometidos por membros do clero


Encerrado nesta quinta-feira, 9 de fevereiro, o Simpósio "Cura e renovação" [foto abaixo] para bispos e superiores religiosos, realizado  em Roma pela Universidade Gregoriana com o apoio da Congregação para a Doutrina da Fé da Santa Sé, colocou em debate o tema dos abusos sexuais cometidos por clérigos. O assessor canônico da CNBB, Fr. Evaldo Xavier Gomes, participou das reflexões e a presidência da Conferência emitiu nota oficial por ocasião do encerramento do encontro.


Eis a íntegra da nota.


Nota da CNBB por ocasião do encerramento do Simpósio “para cura e renovação” – para bispos católicos e os superiores religiosos, realizado em Roma, na Pontifícia Universidade Gregoriana, de 6 a 9 de fevereiro de 2012.


Nos últimos anos, diversas denúncias de abusos sexuais contra menores cometidos por membros do clero causaram dor e feridas à Igreja, em diversas partes do mundo. Essas ações delituosas ocorreram também em nosso país. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tem se preocupado em discutir e refletir sobre este tema e em buscar caminhos para prevenir, combater e eliminar esses abusos e outros, que não condizem com a vida e a missão do presbítero. Com este escopo, diversas ações efetivas e concretas foram e estão sendo realizadas pelo episcopado brasileiro.


Em âmbito nacional, a presidência da CNBB fez um pronunciamento oficial, em maio 2010, no qual considera: “o tratamento do delito deve levar em consideração três atitudes: para o pecado, a conversão, a misericórdia e o perdão; para o delito a aplicação das penalidades (eclesiástica e civil); para a patologia, o tratamento”. Foi aprovado na 48ª. Assembleia Geral da CNBB, realizada em Brasília no mesmo ano, o documento Diretrizes Gerais para formação dos presbíteros da Igreja no Brasil (Doc. 93) com o propósito de dar uma resposta efetiva aos sinais dos tempos e aos consequentes desafios da mudança de época enfrentados pela Igreja no Brasil. Este documento concede especial atenção à necessidade de uma rigorosa seleção dos candidatos ao diaconado e ao sacerdócio, e à formação humano-afetiva, comunitária, espiritual, pastoral-missionária e intelectual oferecida nos seminários. Além das Diretrizes, a CNBB, por meio da Organização dos Seminários e Institutos Filosófico-Teológico do Brasil (OSIB) tem organizado encontros de estudo e reflexão para formadores, diretores espirituais, profissionais que acompanham os candidatos nas casas de formação.


Especificamente sobre o problema dos abusos sexuais cometidos por clérigos, tendo estudado o tema com ajuda de especialistas em diversas áreas do conhecimento, a CNBB elaborou o documento intitulado Orientações e Procedimentos Relativos às Acusações de Abuso Sexual Contra Menores, dirigido ao episcopado brasileiro. Aprovado pelo Conselho Permanente da CNBB, o documento foi enviado à Santa Sé para obter o placet. Por meio destas orientações, a CNBB procura tomar posição firme e coerente, de prevenção e reparação, em relação aos abusos sexuais cometidos por membros do clero. A posição consolidada é a de que não há lugar para impunidade e silêncio ou conivência para com aqueles que cometem tais atos abomináveis. Toda e qualquer vítima indefesa de ação pecaminosa de um clérigo exige atenção, proteção e acompanhamento.


Fiel ao evangelho de Cristo, a Igreja Católica no Brasil, corajosamente, se coloca do lado dos indefesos, dos pequenos. Em âmbito local, nas dioceses em que ocorreram denúncias de casos de abusos sexuais contra menores cometidos por clérigos, a atitude tem sido sempre a de colaboração com as autoridades públicas, de punição dos culpados e de assistência às vítimas. Ainda há muito o que fazer não somente no âmbito interno da Igreja, mas também da sociedade. Não existem caminhos prontos. O que não se pode afirmar é que a CNBB não tem se preocupado suficientemente com questões tão delicadas e complexas, como ocorreu durante o Simpósio “Cura e Renovação”, realizado em Roma, de 6 a 9 de fevereiro. A CNBB, com as orientações da Santa Sé, se encontra em um caminho efetivo de conversão e renovação para que seja hoje e sempre fiel à missão que lhe foi confiada por Jesus Cristo de anunciar o Evangelho, Caminho, Verdade e Vida, a todos os povos.


Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida e presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB


Fonte: Instituto Humanitas Unisinos - Notícias - Sábado, 11 de fevereiro de 2012 - Internet:http://www.ihu.unisinos.br/noticias/506438-notada-presidenciadacnbbsobreocompromissonocombateaoscrimesdeabusossexuaiscometidospormembrosdoclero

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