«O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.»

(Aristóteles [384 a.C. – 322 a.C.] – filósofo grego, discípulo de Platão)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Introspecção - um poema

Nos tempos atuais, é bom encontrarmos pessoas inspiradas
que nos fazem refletir, mais profundamente, na vida que temos e nas opções que fazemos!
Desfrute o "sabor" deste lindo poema

Loreni Fernandes Gutierrez

Protagonista de um mundo urbanizado e imprevisível
debruço sobre minha introspecção em dias de incertezas
e do medo de ter que deixar de sonhar e de acreditar que o bem existe.
Duvidar dos olhos que me veem, mãos que me tocam e lábios que me riem.
Medo de acordar e não encontrar à minha espera a manhã idealizada
transformada em alguma coisa infértil e desamorada.

Vejo que os abraços se escasseiam, na solidão crescente de nossa
existência - desafetos camuflados em pequenas desculpas.
Quase não temos tempo para abraçar os pais e mais demoradamente
os filhos, como se os resgatássemos em nossos seios.

Quando só, os abraços que em mim se acumulam
dou-os carinhosamente em minha “poodle toy”, chamada “Mag”,
que me abana a pequena cauda num chamego frequente,
sempre colada em mim feito uma sombra e me buscando
a todo instante com seus olhos espertos, como se fosse gente.

A cada dia menos crianças subindo em árvores,
pulando amarelinhas, jogando peladas.
Cada vez mais cercas nos muros e casas fechadas.
Ao invés dos galos, nas manhãs, buzinas e freadas.
Cada vez menos contos sobre fadas e violinistas verdes
que acordam, com suas músicas, as árvores encantadas.

Não vemos mais estrelas e nem luas românticas e solitárias
ofuscadas pelos holofotes das cidades que se agigantam,
atrapalhando a passagem dos mensageiros dos ventos.
Quase não há mais abelhas, nem favos de mel, nem borboletas
adejando sobre os poucos jardins que ainda existem.

Ainda bem que árvores frondosas e persistentes sombreiam,
enfileiradas, partes das ruas acinzentadas e quentes!
E nelas se urbanizam as pombas, andorinhas e pardais
e pássaros sazonais - porque lhes tiraram as matas.

Nos tempos atuais, em que a cada dia mais nos etiquetamos
e vemos com naturalidade se instalar a corrupção e a indiferença.
Num tempo onde os lobos se tornaram mais célebres que os cordeiros
e que a cada dia ouvimos menos a palavra honra.
Tenho medo de que esqueçamos quem somos,  perdendo-nos pelos
caminhos sinuosos - desse novo esquema pegajoso e corrosivo da desonra.

Loreni Fernandes Gutierrez (foto no alto), é formada em Letras pela UNESP de São José do Rio Preto (SP) e Agente Fiscal de Rendas aposentada pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.

2 comentários:

  1. Loreni, seu poema esta fabuloso. Parabéns pela sua sensibilidade.

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  2. Que poema lindo, ele está esplendoroso.
    Parabéns a essa escritora maravilhosa Loreni Fernandes Gutierrez

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