«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

''Jesus foi um leigo morto pelos sumos sacerdotes''

Entrevista com José Maria Castillo 
(Puebla de Don Fadrique, Granada, 1928)

Expulso da cátedra de teologia da Universidade de Granada pelo então cardeal Ratzinger, "e ainda espero uma explicação". 
O teólogo abandonou a Companhia de Jesus depois de meio século como jesuíta. No dia 8 de fevereiro, ele proferirá [portanto, já ocorreu] uma conferência no Clube do jornal Diario de Mallorca.

Matias Vallés
Diario de Mallorca
04.02.2012

Deus gravará esta entrevista?
José Maria Castillo: Não. Deus não é uma representação que fazemos à nossa imagem e semelhança, é uma realidade que não conhecemos nem podemos conhecer. Ele está fora do nosso alcance porque é transcendente.


Alguém pode ser jesuíta ou não ser jesuíta, mas nunca se deixa de ser jesuíta.
José Maria Castillo: É muito difícil deixar de sê-lo, porque isso marca as pessoas. Eu não tenho palavras para agradecer o que eu devo aos jesuítas, tanto quem eu sou, quanto o que eu sei. Meu problema é com a realidade envolvente acima deles.


Um inimigo seu diz: "José María Castillo não é católico, mas tem razão".
José Maria Castillo: Se por católico entendermos uma pessoa que se identifica incondicional e acriticamente com a Igreja, eu não o sou. Se entendermos alguém que comunga com a fé fundamental, sim, eu o sou. Não posso aprovar uma instituição que fala de direitos humanos, mas não os pratica.


O Vaticano cede seu fascínio à Casa Branca.
José Maria Castillo: O Vaticano é a última monarquia absoluta da Europa. Não entendo que a União Europeia permita isso. O papa procura manter excelentes relações com os poderes fáticos, também com a Casa Branca. Reagan fez um pacto com João Paulo II pelo pagamento de milhões ao sindicato polonês Solidariedade, em troca de informação para a CIA sobre os movimentos de base mais ativos no Caribe.


Sua questão com Ratzinger era pessoal.
José Maria Castillo: Eu não sou tão importante, mas fui informado de que o então cardeal e secretário do ex-Santo Ofício, juntamente com o cardeal Suquía, me citaram ao geral dos jesuítas e me proibiram o ensino. Tenho a profunda ferida da calúnia que me foi dirigida pelo cardeal Cañizares [foto ao lado] com a melhor vontade do mundo, ao dizer que eu era "um perigo para a Igreja".


Deus é uma possibilidade. A Santíssima Trindade é uma invenção.
José Maria Castillo: Tal como se explica, a Santíssima Trindade é efetivamente uma invenção. Ela não aparece no Novo Testamento. Na tradição, fala-se de Deus Pai, de Jesus e do Espírito. Para além disso, as "pessoas" são uma invenção.


O número de abortos sugere que milhares de católicas se submetem à interrupção da gravidez.
José Maria Castillo: Sim. E mais: em Granada, eu poderia dar o nome de uma pessoa que carregava cartazes em uma manifestação contra o aborto, cuja filha, pouco antes, vinda de Londres, onde fez um aborto, quase morreu. São coisas que não se entende.


O colapso da economia salvará a religião?
José Maria Castillo: Pode influenciar, porque continua sendo verdade o ditado: "Nas trincheiras, não há ateus". Ao se verem ameaçadas, as pessoas têm uma tendência espontânea a acudir a algo superior, à Virgem ou aos santos. Além disso, a austeridade imposta pela crise obriga a levar uma vida menos condicionada pelo consumo e focada em valores mais importantes.


Stalin se inspirou na Companhia de Jesus.
José Maria Castillo: Stalin foi seminarista, e eu ouvi dizer que ele sentia uma grande atração pelas Constituições da Companhia de Jesus. Em que sentido acho isso compreensível? Os jesuítas não são ditadores, mostram uma grande tolerância e respeito ao ponto de que em nenhum partido político teriam me suportado como eles me suportaram. No entanto, eles também batem pé na obediência e na fidelidade.


O que Hawking sabe sobre Deus?
José Maria Castillo: Ele sabe o que eu e qualquer outro podem saber. Ou seja, nada. Os físicos que se acham teólogos estão tão errados quanto os teólogos que condenaram Galileu.


Vamos ao título de uma de suas conferências:" É possível um cristianismo não religioso?".
José Maria Castillo: Não só é possível, mas também necessário, na medida em que as religiões são um conjunto de práticas e de observâncias com o propósito de apanhar as pessoas. Jesus foi um leigo, não um religioso. Esteve em conflito com a religião, e por isso foi morto pelos sumos sacerdotes.


A hierarquia peca por vício em sexo?
José Maria Castillo: Eles têm uma obsessão excessiva, ridícula e estranha com esse assunto. Entende-se pelo seu apetite de conquistar o poder e de mantê-lo. Quando você controla o sexo de uma pessoa, você a domina. Os Evangelhos jamais falam diretamente da sexualidade.


Zapatero pagou todas as contas da Igreja.
José Maria Castillo: Zapatero se equivocou com a Igreja, que sempre tira tudo o que pode. Eu não sei por que o ex-presidente do governo lhe concedeu tantos privilégios. Seguramente, pensava em uma contrapartida.


Pode sintetizar Deus em três linhas?
José Maria Castillo: Ele me lembra de Jesus de Nazaré. Não Jesus Cristo, que já incorpora o Cristo ou o Messias. Um simples trabalhador que não expressa a divindade, mas sim o desejo de ser profundamente humano.

Tradução de Moisés Sbardelotto.

Para mais informações sobre este teólogo, seu pensamento e suas obras, acesse: http://es.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Mar%C3%ADa_Castillo_S%C3%A1nchez 
(espanhol).

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos - Notícias - Sábado, 11 de fevereiro de 2012 - Internet: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/506355-jesus-foi-um-leigo-morto-pelos-sumos-sacerdotes-entrevista-com-jose-maria-castillo

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