«O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.»

(Aristóteles [384 a.C. – 322 a.C.] – filósofo grego, discípulo de Platão)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Faleceu o biblista Milton Schwantes

Prezados/as


Despertamos hoje com a triste notícia do falecimento, durante a madrugada de hoje (1º de março) do Prof. Milton Schwantes, que estava internado há dias sob cuidados médicos.
De fato, uma notícia que nos atinge a todos/as e nos deixa órfãos de um mestre que sempre soube com generosidade e competência ensinar mais da Palavra.
Em nome da ABIB - Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica - presto as condolências à família enlutada e rogo a Deus seu consolo. Certo estou que Milton gozará do descanso nos braços do Pai.


Prof. Ricardo Lengruber
Presidente da ABIB

Milton Schwantes [foto acima - à direita], Teólogo e pastor luterano. Graduado em teologia pela Escola Superior de Teologia (1970), São Leopoldo/RS. Doutor em Bíblia/AT pela Universidade de Heidelberg/Alemanha, com tese sobre O direito dos pobres (1974). Doutor honoris causa pela Universidade de Marburgo/Alemanha (2002). Desde 1988, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião/Universidade Metodista de São Paulo. Concentrou suas pesquisas e atuação docente em Bíblia/Antigo Testamento, principalmente em: exegese e teologia bíblica. Igualmente se dedicou à arqueologia do Antigo Oriente e ao ugarítico. Foi docente dos cursos de Teologia (Graduação Presencial), Teológico Pastoral e de Especialização em Bíblia.


Para conhecer mais da história de Milton Schwantes
acesse o artigo de Martin N. Dreher:


Sobre a morte e o morrer ... 


Ricardo Lengruber


A morte é, seguramente, um tema sobre o qual há muita resistência em se discutir. É, por outro lado, uma realidade sobre a qual não há o que se discutir! Todos morremos e, sobre tal verdade, não há possibilidade de qualquer aporia. A questão é como nos relacionamos com tal realidade. Há os que a negam, não aceitando por meio de elaborados discursos ideológicos. Há os que a ignoram, por meio do silêncio. 


Está claro que a natureza nos dá fatos e, nos distinguimos dos demais animais, mais do que por consciência, pela capacidade de outorgarmos sentido novo e original para os referidos fatos. No caso da morte, mais do que saber de sua inevitabilidade, ousamos significá-la de modo que habite com um mínimo de conveniência nossos sistemas de pensamento, de valores e de atitudes. Em outras palavras, é porque encaramos a morte e sua inevitabilidade que optamos por assumi-la como uma espécie de companheira de viagem que nos ajuda a encontrar o caminho certo a trilhar! 


O cotidiano, porém, nos revela um relacionamento mais traumático com a morte. Violência, injustiça social, fome, enfermidades e tantos outros descaminhos nos fazem crer que seria possível evitar o fim. Obviamente, não está excluída a luta pela vida e pela dignidade dela; mas não nos é possível divagar sobre o foco principal e, de alguma forma, negar ou esconder a realidade. Todos morre(re)mos! 


Um elaborado sistema de negação da morte é o discurso científico. A medicina, por exemplo, quando investe todas as suas forças em esticar a vida a todo o custo nos frios CTIs, contribui para o prolongamento dos dias de vida, mas se esquece que o sentido e a qualidade da vida está um pouco distante da quantidade de dias vividos. Preferirei morrer em casa, ao lado dos meus queridos, sentindo o cheiro do meu lar, a dar meus últimos suspiros ouvindo bips e enxergando azulejos brancos, com hora pré-determinada para alguém me tocar. 


Outro discurso muito bem elaborado que, por vezes, pode nos levar a negação escamoteada da morte é a religião. Qualquer sistema religioso que se preze não exclui de seu elenco de assuntos a morte. Há, porém, modalidades nesses discursos que nos afastam da realidade e criam um mundo virtual no qual parece estar a verdade. No caso do Cristianismo, por exemplo, a fé na ressurreição, que se coloca como uma bela e profunda consciência sobre a morte e seu significado mais radical, pode transformar-se ideologicamente numa fuga da vida e de suas responsabilidades. 


Acredito que tanto a ciência quanto a religião, cada uma a seu modo e no seu lugar, devam nos ajudar a viver e, por conseqüência disso, nos ajudar a morrer, também, com mais coragem e com maior dignidade! Isso porque a morte é conseqüência da vida. Ou, de outra forma, a morte é parte integrante da vida. Vida e morte são uma linha de continuidade. A morte não pode ser encarada como um ponto ao fim da vida. Isso faz dela uma tragédia sobre a qual a vida perde seu significado. A morte, ao contrário, cria a expectativa da realidade. Como não temos todo o tempo ao nosso dispor, e como não sabemos a hora de nossa morte, cada instante de vida adquire um status plenamente original: é o único que dispomos. Ou o gozamos bem, ou corremos o risco de jogar tudo fora! 


Assim, morrer é uma tarefa que se constrói vivendo. A exemplo do que ocorre com a natureza – na medida que começamos a morrer no dia que nascemos, dada a provisoriedade dos sistemas vitais do corpo humano – importa-nos afinar nossa conduta de modo que cada dia vivido seja experimentado com a possibilidade de ter sido o último, sem que haja necessidade de um seguinte para corrigir alguma coisa. Quando isso ocorre, a morte ganha uma outra conotação: deixa de ser uma tragédia inevitável que nos toma de surpresa, e passa a ser uma amiga de todos os dias que nos lembra da fragilidade da vida e da importância de sua experiência radical, tanto no aspecto pessoal, como nas questões de natureza convivial. 


Nesse sentido, a morte dos outros pode nos ajudar a morrer melhor! Os que amamos e já se foram podem nos servir de alerta sobre a provisoriedade da existência e, dessa forma, contribuir para que ousemos viver com mais radicalidade. Que bom seria se pudéssemos desde bem cedo enxergar a morte dessa forma e com ela nos relacionarmos sem muitos traumas. Seríamos mais sensatos e mais corajosos! Os mortos não podem ser relegados ao esquecimento dos CTIs, dos necrotérios e dos cemitérios. Precisam fazer parte de nós e conosco conviverem. Não numa relação de luto constante que deprime e impede a vida, mas como alimento antropofágico que nos dá força e ressignifica nossa existência. 


Por fim, devo resgatar um exemplo bíblico que ilustra com radicalidade o significado profundo da morte. A cruz e a morte experimentada nela por Jesus não foram acidentes de percurso. A morte de Jesus de Nazaré foi consequência de sua vida. Sua intransigente opção pelo bem e pelo amor o fizeram ter que encarar as ameaças da cruz. Como não recuou um milímetro em sua opção, a morte levantou-se como inevitável e é exatamente nesse sentido que a morte passou a fazer parte de sua vida; e, mais ainda, a morte deixou de ser fim e passou a ser inauguração de uma nova dimensão da caminhada: a ressurreição. O Cristo ressuscitado é o mesmo Jesus crucificado; carrega as mesmas chagas. A vida, porém, ascendeu a um novo patamar onde as fronteiras entre vida e morte ruíram e um Ser Humano novo, recriado, passou a viver plenamente! 


É isso – Tempus Fugit! Carpe diem! 

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