«O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.»

(Aristóteles [384 a.C. – 322 a.C.] – filósofo grego, discípulo de Platão)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Jesus e a ética da esperança para os homens de boa vontade

Marco Ansaldo
La Repubblica (Roma - Itália)
22.03.2012

D. Vincenzo Paglia - bispo de Terni - Itália
O que resta hoje dos ensinamentos de Jesus? Da sua indignação, da sua caridade, do sacrifício? E onde está, no mundo, a compreensão, a amizade? Mas, acima de tudo, onde está o ser humano? Perguntas pesadas como rochas que são propostas por um livro denso e forte, e que também se referem ao caso italiano, com as muitas distorções da justiça, da ineficiência, da obscuridade em nível institucional.


Um alto prelado e um escritor atento aos temas da religião se puseram a caminho levando essas interrogações. E o fizeram em Jerusalém, cidade embebida por fés diversas (cujos habitantes, dizia Arthur Koestler, o autor de O Zero e o Infinito, "estão intoxicados pela religião"), em uma peregrinação bem pensada aos lugares da Paixão


Franco Scaglia - jornalista italiano
Vincenzo Paglia, bispo de Terni, conselheiro principal da Comunidade de Santo Egídio e desde sempre comprometido com uma atividade diplomática voltada à conquista da paz, e Franco Scaglia, de Camogli, homem do mar e autor de romances de sorte, optaram por dialogar na única cidade do mundo onde a espiritualidade está em movimento contínuo. Um lugar metade de peregrinos e metade de grandes escritores, de Chateaubriand a Disraeli, de Gogol a Flaubert, de Melville a Mark Twain.


E nesse Cercando Gesù [Buscando Jesus], com o subtítulo "Em um mundo cada vez mais confuso ainda somos capazes de amar?" (Ed. Piemme), continuação ideal do seu livro anterior In cerca dell'anima [Em busca da alma], vencedor do Prêmio Hemingway, tentaram juntos uma exploração da figura do profeta de Nazaré, ancorando-a na necessidade de uma nova aliança com o ser humano.


Mas se os dois autores, no seu primeiro trabalho, ilustravam o risco de uma paralisia, da inércia moral e espiritual do mundo (e acima de tudo da Itália), aqui eles mudam de passo. E Jerusalém, emblema das divisões entre os seres humanos, se torna o centro do seu colóquio, "em uma realidade contemporânea – explica Scaglia usando palavras duras – que nos atinge pela sua inércia e injustiça, e sempre pela sua sordidez".


A escolha de Jerusalém, cidade em guerra consigo mesma, não é casual. Tê-la sob seus pés, percorrê-la, acariciar as suas pedras, significa deparar-se todos os dias com a memória do passado. Portanto, a pergunta sobre Jesus, diz Paglia, "é central também para o ser humano contemporâneo. Há uma dimensão que ainda inquieta e interroga para além da simples fenomenologia histórica". Uma altura moral que o bispo, em várias passagens, lembra ter enfrentado em um diálogo com Eugenio Scalfari.


Jerusalém - vista da cidade
Nesse contexto, o artifício de fazer Jesus percorrer novamente a Via Dolorosa partindo do fim, do Gólgota, torna-se a tentativa de passar por todas as "vias dolorosas" de hoje, porque somente atravessando-as é possível projetar um futuro melhor. E a peregrinação continua, estação por estação, mas não sem ter analisado as últimas sete palavras pronunciadas por Jesus na cruz. Palavras que podem ser reinterpretados na atualidade: das revoltas dos países árabes à forma como conciliar ética e negócios. 


Assim, tornam-se fulgurantes as páginas que descrevem a coroa de espinhos posta sobre a cabeça de Jesus, comparada com o arame farpado que ainda hoje, apesar do progresso e da tecnologia cada vez mais avançada, resiste na sua brutal eficácia marcando "as fronteiras e os campos de batalha" . E poderosa é a imagem de Jesus de costas, em que o que conta não é o rosto, mas sim a figura precisamente, as costas que suportam o sofrimento e a redenção do mundo.


Paglia e Scaglia tentam uma visão do futuro para um desenvolvimento que não seja meramente econômico. E, nas raízes do cristianismo, identificam a força de um coenvolvimento oferecido a todas as pessoas de "boa vontade". Assim, na última parte, escrita quatro mãos, eles apresentam propostas concretas, identificando três palavras de ordem: integridade da Criação, perdão, gratuidade.


O que pode ajudar, defendem, é a imagem da Arca de Noé, posto como símbolo da nova Aliança de Deus com o ser humano. E, sob essa imagem, percorre um elenco de ideias concretas, para "se preparar para os desafios que a vida nos apresenta" e "suportar a dor e as adversidades sem se lamentar". 


Ao exemplo italiano são são dedicadas linhas amargas, mas cheias de esperança: "Em um país onde a inércia parece bloquear os ânimos, é urgente ter um sonho que aqueça os corações, que abra as mãos, que mova de maneira coletiva para um novo futuro. Só uma nova visão pode desfazer o nó profundo da crise de hoje". 


Mas a ética sozinha não basta. Norberto Bobbio chegou a sustentar, para a sobrevivência da democracia, a indispensabilidade da religião. E, do alto do seu magistério, o cardeal Martini alertou que "um homem não é mudado por força de prescrições éticas!". O ser humano hoje sofre por falta de visão. Invadido por luzes demais, tentou se fechar em si mesmo. Porque o futuro não se realiza apenas com a ciência. Há necessidade de profundidade e de reunir as muitas diversidades com o fim de um destino único.

Tradução de Moisés Sbardelotto.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos - Notícias - Segunda-feira, 26 de março de 2012 - Internet: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/507835-jesus-e-a-etica-da-esperanca-para-os-homens-de-boa-vontade

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