«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quarta-feira, 28 de março de 2012

O sonho da Rio+20

RICARDO ABRAMOVAY*

Os documentos iniciais da ONU e o do Brasil para a Rio+20 cultivam o mito do crescimento econômico perpétuo de forma completamente acrítica


Ricardo Abramovay - economista
Não é trivial que 21 cientistas de várias partes do mundo, muitos deles com um passado de importantes responsabilidades governamentais, iniciem um manifesto com a célebre frase de Luther King: nós temos um sonho.
Menos trivial ainda é que esses cientistas tenham a humildade de reconhecer que a habilidade humana de fazer foi além da capacidade humana de compreender


A civilização contemporânea vive a explosiva combinação de evolução tecnológica rápida e evolução ética e social lenta.


Essas são apenas algumas das ideias expressas pelos ganhadores de uma espécie de Nobel do Meio Ambiente (O Prêmio Planeta Azul, que existe desde a Rio-92), entre os quais José Goldemberg, ex-reitor e professor da USP.


O sonho revelado em seu texto ("Meio ambiente e os desafios do desenvolvimento: o imperativo da ação") é fundamental por se distanciar em ao menos dois pontos do pesadelo representado tanto pelo documento inicial da ONU para a Rio+20 (conhecido como "draft zero") como pela própria contribuição brasileira à conferência.


O primeiro ponto é a constatação de que o uso dos recursos materiais, energéticos e bióticos por parte do sistema econômico já compromete a qualidade da vida social em ao menos três áreas, como mostra o estudo publicado na revista "Nature" pelo grupo liderado por Johan Rockstrom: mudanças climáticas, biodiversidade e ciclo do nitrogênio.


Em outras seis áreas (acidificação dos oceanos, água, uso do solo, poluição, aerossóis e ciclo do fósforo), a ameaça é imensa.
Por esta razão, e apoiado em ciência, o documento denuncia o "mito do crescimento econômico perpétuo adotado entusiasticamente por políticos e economistas para evitar decisões difíceis".


O "draft" da ONU e o documento brasileiro para a Rio+20 cultivam este mito de forma totalmente acrítica.
Fazem isso, segundo ponto, sob o argumento de que a economia verde será capaz de compatibilizar o tamanho do sistema econômico, sempre maior, com os recursos limitados dos ecossistemas.


Os dados não corroboram esta fé na técnica. É essa a razão pela qual os cientistas do Prêmio Planeta Azul dela se distanciam.
Mas não apenas eles: documento da consultoria KPMG divulgado recentemente mostra que cada dólar do PIB global de 2011 foi obtido com 21% a menos de emissões de gases de efeito estufa e 23% a menos de materiais que em 1990.


É um progresso extraordinário, que mostra o potencial da economia verde. No entanto, a produção e o consumo aumentaram tanto que, apesar dessa queda por unidade de produto, a extração global de materiais da superfície terrestre se elevou, nos últimos vinte anos, 41%. As emissões aumentaram 39%.


O caso mais preocupante é o dos fertilizantes nitrogenados, cujo uso aumentou globalmente 135% nos últimos vinte anos, três vezes mais que a produção alimentar.


Sistemas de inovação voltados para a sustentabilidade são fundamentais. Mas achar que eles permitirão suprimir os limites é exprimir uma crença mística no poder da técnica que a ciência não autoriza e a ética não recomenda.


* RICARDO ABRAMOVAY, 58 anos, é professor titular do Departamento de Economia da FEA e do Instituto de Relações Internacionais da USP.


Fonte: Folha de S. Paulo - Tendências/Debates - Terça-feira, 27 de março de 2012 - Pg. A3 - Internet: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/33665-o-sonho-da-rio20.shtml

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