«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

domingo, 22 de abril de 2012

Igreja: de regente a terceiro violino [Ótima análise!]


Entrevista especial com 
Sérgio Coutinho *

“Enquanto cada vez mais a sociedade trabalha para encontrar formas mais participativas, inclusive propondo o debate por um Estado mais democrático, a Igreja deu pouquíssimos passos na direção de uma verdadeira sinodalidade”, constata o historiador. 

Sérgio Coutinho - historiador do CEHILA
Este ano eleitoral deve ser o pano de fundo para a Igreja lançar novos debates acerca do Estado e da sua função social a fim de “estimular os movimentos sociais a continuarem nas lutas reivindicativas por políticas públicas que possam atender verdadeiramente aos interesses da sociedade como um todo”, declara Sérgio Coutinho à IHU On-Line.


Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, o presidente do Centro de Estudos em História da Igreja na América Latina [CEHILA] analisa os rumos e os desafios da Igreja no Brasil e é enfático: "ela quer contribuir para um debate mais profundo sobre o papel do Estado democrático, mas internamente nunca se viu tanto ‘verticalismo’ e controle da ‘opinião pública’ na Igreja, de modo especial do laicato mais crítico”.


Para Coutinho, a Cristandade, que ainda “permeia mentes e corações”, está com os dias contados. E para que possa fomentar um diálogo maduro, enfatiza, a Igreja precisa “reconhecer que ela não possui mais ‘poderio territorial’ (e isso já faz tempo desde as campanhas de Garibaldi e do Tratado de Latrão em 1929) e ‘poderio espiritual’ da época da Cristandade. É como aquela metáfora: ‘Durante pelo menos 10 séculos a Igreja foi a regente de uma grande orquestra. Agora ela é chamada a ser o ‘terceiro violino’ dessa mesma orquestra’”.

Confira a entrevista. 

Cardeal João Braz de Aviz
IHU On-Line - O ano de 2012 começou com uma novidade para a Igreja do Brasil: a indicação de Dom João Braz de Aviz ao cardinalato. O que essa nomeação indica em termos de conjuntura eclesial, tanto no Brasil como na Cúria? 
Sérgio Coutinho - Este último Consistório revelou bem que a Cúria em nada é “católica”, ou seja, “universal”. O que assistimos foi uma chuva de nomeações de novos cardeais europeus e, principalmente, italianos, sendo que muitos deles são ainda membros da própria Cúria Romana. No momento em que é noticiado, pela imprensa, o cotidiano das intrigas curiais (conhecido por "Vatileaks"), o Papa Bento XVI não teve a força política necessária para “esvaziar” o poder dos chefes dos diversos dicastérios e que, em certo sentido, são eles mesmos os que tramam em segredo (agora não mais, depois do vazamento dos documentos) por sua saída e, até mesmo, por sua morte (!).


Por outro lado, não deixa de ser interessante, nesse contexto, as declarações de D. João Aviz após o Consistório, em que foi bastante firme, e até surpreendente, pois fez críticas quanto ao perfil por demais eurocêntrico da Igreja.


Além disso, a nomeação de D. João Braz Aviz também revela uma tendência eclesial, já sentida desde o pontificado de João Paulo II: a força dos movimentos e das novas comunidades. Dom João nada entende de “Vida Religiosa consagrada” (dicastério do qual é reponsável), mas é membro do Focolares. Isso nos indica que o Vaticano deseja mesmo é valorizar as “novas formas” de vida religiosa consagrada e, nesse sentido, um membro desses movimentos dentro da cúria romana, e ainda mais como cardeal, terá um peso inegável no próximo conclave.


IHU On-Line - Com a nomeação de D. Aviz, como o senhor analisa a composição do Colégio dos Cardeais “brasileiro”? Como essa nova composição pode influenciar a vida da Igreja no Brasil?
Sérgio Coutinho - A nomeação de D. João Braz de Avis não significa nada em termos de valorização da importância da Igreja e do catolicismo no Brasil e América Latina, no contexto mais amplo da Igreja Católica. Como membro da Cúria, não podia deixar de ser nomeado cardeal. Alguém poderia dizer que o que o papa está fazendo não é nada mais do que respeitar as orientações de não nomear novos cardeais para algumas das principais arquidioceses onde ainda estão vivos seus cardeais eméritos. Mas o certo mesmo é que o Brasil ficará sem novos cardeais ainda por um tempo – a não ser que vá alguém trabalhar na Cúria.


Dom Lorenzo Baldisseri
IHU On-Line - Outra novidade recente é que D. Lorenzo Baldisseri, núncio apostólico no Brasil, foi recentemente nomeado novo secretário da Congregação para os Bispos. Seu substituto já foi anunciado. Qual a importância desse cargo na atual conjuntura da Igreja brasileira?
Sérgio Coutinho - Para o caso da Igreja brasileira, não podemos nos esquecer do trabalho importante de D. Armando Lombardi na colaboração e indicação do episcopado brasileiro no período imediatamente anterior e posterior ao Concílio Ecumênico Vaticano II. O resultado foi uma geração de bispos excepcional e que levará muitos anos para se repetir algo semelhante. Um quadro episcopal que levou a cabo as intuições e determinações desse Concílio, fazendo da Igreja do Brasil uma das que mais criativamente trabalhou na sua recepção, sendo inclusive vista por Roma como uma Igreja “rebelde” em muitas vezes.


Dom Baldisseri, seguindo seus sucessores e a política eclesial de “concentração católica” (Danielle Hervieu-Leger) iniciada pelo Papa João Paulo II, e aprofundada por Bento XVI, procurou escolher candidatos não tanto por sua formação teológica, mas por sua fidelidade ao projeto de fortalecer a “identidade católica” diante de uma sociedade cada vez mais secularizada e relativizada. Na verdade, esse perfil foi mais procurado para aqueles que pudessem ocupar as arquidioceses brasileiras, nas grandes e médias cidades onde estão as maiores concentrações populacionais e nas quais o processo de destradicionalização é acelerado. Paradoxalmente foram nomeados arcebispos mais preocupados com as questões morais do que propriamente questões pastorais (o grande desafio de evangelizar as cidades) e que pudessem ser vozes “proféticas”, denunciando os “males” do mundo (pós) moderno.


Peso político eclesiástico 


Por outro lado, para as grandes dioceses, no sentido territorial da palavra, e de baixa densidade demográfica, foram nomeados, em um número razoável, bispos mais pastoralistas, com “baixa escolaridade” e preocupados com a falta de políticas sociais para aquelas populações. Diríamos, os bispos com forte sensibilidade pela causa dos pobres. No fim, o que temos mesmo é um episcopado muito preocupado com as questões burocrático-econômicas e com os temas da moral católica.


D. Giovanni D'Aniello - novo Núncio Apostólico
No entanto, no geral, os arcebispos acabam sempre por ter um peso político eclesiástico grande no conjunto do episcopado, mas muitas vezes assistimos a articulações e posições que nem sempre são previstas pelo Núncio, como foram as duas últimas eleições da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB.


Tenho esperança que o novo Núncio, o jovem D. Giovanni D’Aniello (57 anos!), possa contribuir para que tenhamos um quadro novo no perfil do episcopado brasileiro. Sua experiência diplomática se concentra principalmente em regiões em que os católicos são minoria e perseguidos; por outro lado, lugares onde a pobreza desumaniza o projeto de Deus (Burundi, Tailândia, Líbano, Congo e Camboja). Espero que o convívio com tal realidade traga, para a Igreja no Brasil, verdadeiros pastores comprometidos com a causa do Reino.


IHU On-Line - 2012 também será o grande ano de preparação para a Jornada Mundial da Juventude - JMJ, no Rio de Janeiro, com a presença do papa, em julho de 2013. O que espera desse encontro? Por outro lado, como analisa os primeiros passos da organização?
Sérgio Coutinho - Do ponto de vista da organização, parece que as coisas vão indo dentro do cronograma estipulado. Como também vemos uma boa participação da juventude católica na recepção da Cruz e do Ícone. No entanto, ainda não conseguimos visualizar os resultados propriamente pastorais ou de evangelização de todo esse processo. Não se vê (ou se viu) nada que enfrentasse de forma aberta e corajosa os grandes desafios da juventude atualmente: desemprego, violência, exploração... nada se fala sobre a falta de políticas públicas voltadas para a juventude. Alguns dizem que a Campanha da Fraternidade de 2013 provocará essas questões. Espero que sim.


Mas o que podemos concluir já de imediato com a preparação desse evento é aquela mesma impressão que tenho da escolha de D. João Aviz: a presença majoritária, e até dominante, nos encaminhamentos da JMJ dos movimentos e novas comunidades, em detrimento dos grupos das Pastorais da Juventude (Pastoral da Juventude, Pastoral da Juventude Rural, Pastoral da Juventude Estudantil e Pastoral da Juventude do Meio Popular). A questão é se queremos uma pastoral de massa, de eventos, ou uma pastoral verdadeiramente evangelizadora. Vamos acompanhar melhor os próximos passos.


Gustavo Gutiérrez - teólogo
IHU On-Line - Além disso, 2012 será um ano de duas grandes celebrações: os 50 anos da inauguração do Concílio Vaticano II e os 40 anos da publicação do livro Teologia da Libertação. Perspectivas, de Gustavo Gutiérrez. Começando pelo Concílio, no contexto brasileiro, o que é necessário retomar com mais força depois desses 50 anos dos debates conciliares e o que ficou “esquecido”? Por outro lado, onde é preciso “reatualizar” o Concílio para o momento atual da Igreja no Brasil?
Sérgio Coutinho - Parece-me que uma temática conciliar que necessitaria aprofundar é o da “horizontalidade” na Igreja.
Já o Sínodo de 1985 compreendeu essa questão na forma do conceito de “comunhão”. Porém, o problema é como entender este termo. Lembro-me da comparação feita por João Batista Libanio numa palestra que assisti: “Se eu trago para vocês aqui um bolo, parto em vários pedaços e distribuo para todos... vocês estarão em comunhão comigo, não é!? Mas, por outro lado, se digo para vocês assim: ‘Vamos fazer um bolo!? Quem vai trazer a farinha? Quem vai trazer os ovos? Quem vai amassar a massa?...’ Depois de preparado, colocamos no forno e depois de pronto, todos nós comemos juntos. Pois bem, a primeira forma é o que chamamos de ‘comunhão hierárquica’ e o segundo jeito é o que chamamos de ‘comunhão e participação’”.


João Batista Libanio - teólogo brasileiro
“Comunhão e participação” foi a compreensão dos bispos nas conferências de Medellín e Puebla da eclesiologia conciliar de “povo de Deus”. Foi também a compreensão dos bispos da CNBB no momento de recepção do Concílio. Foi por isso mesmo que, aqui, desenvolvemos e aprofundamos uma série de instâncias participativas, mesmo em contextos políticos de pouquíssima ou nenhuma participação democrática. Assembleias gerais do episcopado, assembleias diocesanas, paroquiais, comunitárias, assembleias dos organismos, conselhos pastorais diversos, equipes de liturgia, ministérios laicais. Enfim, uma série de práticas que favoreciam a participação e a “opinião pública” dentro da Igreja.


Obediência às rubricas


O que assistimos nos últimos 25 anos foi um processo cada vez mais exacerbado de “clericalização”, ou de “verticalização” na Igreja. O estudo de Direito Canônico passou a ser o carro chefe da formação dos futuros presbitérios, mesmo os de Institutos Religiosos. Isso significa que se vêm enfatizando muito mais a obediência às rubricas e normas eclesiásticas do que propriamente na construção de caminhos de evangelização. Conselhos paroquiais cada vez mais centralizados e cumprindo papel meramente figurativo, marcadamente consultivo. Quando for deliberativo, cumpre a função dos membros apenas apertar a tecla de “confirmar” o que pensa o padre.


Desse modo, os institutos de formação presbiteral insistem numa formação para o exercício do culto e para o exercício do poder administrativo-burocrático-canônico, em detrimento do evangelizador-pastoral. É como um padre diocesano, vestido de batina preta, de uma cidade de periferia do Distrito Federal (que por sinal foi ex-aluno meu!) me disse certa vez quando fui conhecer sua comunidade paroquial: “Padre, como estão as coisas aqui?”, respondeu ele de forma muito reveladora: “Estão ótimas! Aqui eu sou o Papa! É melhor ser padre do que bispo, porque aqui todos me respeitam e o bispo nem sempre é respeitado.”


O que temos são jovens presbíteros com forte formação estético-disciplinar e pouco ético-pastoral. E é justamente neste nó que passam os conflitos com o laicato, cada vez mais desejoso de participar da vida eclesial, e das muitas propostas pastorais diocesanas, e até das iniciativas da CNBB, que ficam emperradas por “pequenos príncipes” mais parecidos com o de Nicolau Maquiavel do que de Saint-Exupéry.


Outro sinal evidente desse sintoma é o esvaziamento das Assembleias dos Organismos do Povo de Deus, sem contar com a quase nenhuma participação do laicato nas Assembleias Gerais da CNBB.
Parece que enquanto a sociedade cada vez mais trabalha para encontrar formas mais participativas, inclusive propondo o debate por um Estado mais democrático, a Igreja deu pouquíssimos passos na direção de uma verdadeira sinodalidade.


IHU On-Line - Com relação à Teologia da Libertação - TdL, o Brasil desponta como um dos seus principais “polos produtores” de reflexão e publicações, com grandes teólogos relevantes nesse debate. Como o senhor vê o papel da TdL no contexto eclesial brasileiro contemporâneo? O discurso está defasado, ainda pensando com categorias sociopolíticas do contexto das ditaduras? Ou há novas perspectivas sendo desbravadas?
Sérgio Coutinho - Independentemente do contexto histórico latino-americano geral e brasileiro, em particular, a TdL centra toda a sua energia reflexiva e, principalmente, prática em dois polos: os pobres e o Reinado de Deus.


Os pobres são o “lugar teológico”. Onde houver pobres, onde houver seres humanos que não tenham “vida e vida em abundância”, Deus estará se revelando, colocando-se ao lado deles por meio de homens e mulheres que denunciarão o “pecado social” que ainda teima em ceifar a vida de muitos dos “pequeninos”.


O Reino e os pobres


Nesse sentido, a TdL ainda tem muito a contribuir não só num “discurso sobre Deus”, mas principalmente sensibilizando os cristãos para dar testemunho daquilo pelo qual Jesus deu sua vida: o Reinado de Deus.


Há uma relação direta entre o Reino e os pobres, pois é deles que pertence “o governo soberano de Deus”. O Reinado de Deus é um reinado de justiça, misericórdia, paz e de vida plena. Este foi o sonho de Jesus e deve ser o sonho de todos e todas que se dizem seus discípulos (as): lutar para a construção de uma sociedade justa e fraterna, no campo e na cidade, e, de modo especial, para os pobres. 


IHU On-Line - Tendo em vista o panorama político, econômico e social que desponta para o Brasil em 2012, quais serão, em sua opinião, as grandes questões que a Igreja deveria abordar neste próximo ano?
Sérgio Coutinho - Sem dúvida nenhuma que a grande questão em que a Igreja poderá contribuir muito está expressa na temática da 5ª Semana Social Brasileira: “Um novo Estado, caminho para uma nova sociedade do bem viver”.


A Igreja quer dar sua contribuição neste ano eleitoral para discutir “Estado para que e para quem?”. O que temos é um Estado a serviço do capitalismo e dos grupos de pressão vinculados às grandes organizações monopolistas. Nesse sentido, a Igreja pretende estimular os movimentos sociais a continuarem nas lutas reivindicativas por políticas públicas que possam atender verdadeiramente aos interesses da sociedade como um todo: educação e saúde de qualidade, valorização do pequeno agricultor, por uma reforma agrária e por uma distribuição de renda mais justa entre outras mais.


IHU On-Line - Em diversos âmbitos, veem-se obstáculos para uma interlocução fecunda da Igreja com a cultura e a sociedade brasileiras contemporâneas. O que se vê são embates ou censuras. Como fomentar um diálogo inter-religioso e intercultural mais maduro no Brasil?
Sérgio Coutinho - De fato, é contraditória a posição da Igreja em muitos momentos. Como disse acima, ela quer contribuir para um debate mais profundo sobre o papel do Estado democrático, mas internamente nunca se viu tanto “verticalismo” e controle da “opinião pública” na Igreja, de modo especial do laicato mais crítico. Todos os anos ela coloca na “pauta do dia” temas de relevância nacional por meio das Campanhas da Fraternidade, mas luta para manter seus privilégios seculares por meio do Acordo Brasil-Santa Sé.


Minha hipótese, e que pode ajudar na resposta à sua pergunta, é a seguinte: a “ideia” de Cristandade que ainda permeia mentes e corações. No entanto, a Cristandade está com seus dias contados, mas muitos “eclesiásticos” (clérigos e até leigos) ainda não se deram conta de que ela já não tem mais sentido nos dias de hoje.


O terceiro violino 


Para fomentar um diálogo mais maduro, como você pergunta, é fundamental a Igreja reconhecer que ela não possui mais “poderio territorial” (e isso já faz tempo desde as campanhas de Garibaldi e do Tratado de Latrão em 1929) e “poderio espiritual” da época da Cristandade. É como aquela metáfora: “Durante pelo menos 10 séculos a Igreja foi a regente de uma grande orquestra. Agora ela é chamada a ser o ‘terceiro violino’ dessa mesma orquestra”. Para alguns dentro da Igreja isso é um absurdo e ela precisa lutar por sua “verdadeira” identidade. Para outros, essa é a grande oportunidade da Igreja viver mais próximo do seu mestre e ser fiel ao seu projeto.


É necessário que a Igreja “vá para águas mais profundas”, mergulhe nas profundezas da sociedade contemporânea; sem medo, como fez Paulo e suas “comunidades de base” que conseguiram transformar aquela sociedade. Somente uma Igreja parecida com seu mestre poderá ser uma Igreja convincente.


* Sérgio Ricardo Coutinho dos Santos é mestre em História pela Universidade de Brasília - UnB e doutorando na mesma área pela UFG. É professor do curso de pós-graduação lato-senso em História do Cristianismo Antigo da UnB e presidente do Centro de Estudos em História da Igreja na América Latina - CEHILA-Brasil. Segundo o Diretório da Liturgia e da organização da Igreja no Brasil, 2012, ele é assessor nacional da Comissão Episcopal para o Laicato - CEBs.


Fonte: Instituto Humanitas Unisinos - Notícias - Sábado, 21 de abril de 2012 - Internet: http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/igreja-de-regente-a-terceiro-violino-entrevista-especial-com-sergio-coutinho-/508124-igreja-de-regente-a-terceiro-violino-entrevista-especial-com-sergio-coutinho-

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