«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O pacto sobre a energia que pode salvar o mundo


Antonio Cianciullo
La Repubblica 
03.04.2012


Eis algumas datas. 
Gwynne Dyer
2025: sitiado pela seca crescente, o Egito bombardeia as barragens etíopes que retém o fluxo do Nilo, e o conflito se amplia rapidamente para toda a região. 
2029: com o México devastado pela desertificação, para impedir a onda de imigrantes clandestinos, os EUA blindam a fronteira com uma barreira formada por duas redes paralelas de três metros, defendidas por metralhadoras e separadas por um fosso cheio de minas anti-homem. 
2036: a União Europeia entra em colapso devido à pressão dos refugiados do clima em fuga da margem meridional do Mediterrâneo.


Esses são os cenários propostos por Gwynne Dyer, colunista e conferencistas, em Le guerre del clima [As guerras do clima], recém-publicado pela editora Tropea. Uma visão tenebrosa de um possível futuro não muito distante do proposto por filmes como O dia depois de amanhã. Desta vez, porém, quem projeta as hipóteses de conflito, mesmo nucleares, desencadeadas pela competição pelas fontes de água potável e as poucas planícies férteis que restaram, não são os roteiristas de Hollywood, mas sim os generais que encomendaram uma série de estudos sobre as mudanças climáticas para preparar de defesa a longo prazo.


A mais famosa dessas análises é L'era delle conseguenze [A era das consequências], publicada em 2007 pelo Centro dos EUA para os Estudos Estratégicos e Internacionais (um think tank que tem entre os seus componentes três ex-ministros da Defesa). A pesquisa imagina um aumento da temperatura de três graus ao longo do século XXI, considerado provável pelos climatologistas, a menos que consigamos desacelerar as emissões de gases de efeito estufa produzidos pelo uso de combustíveis fósseis e pelo desmatamento. E obtém daí o cenário de campos agrícolas engolidos pela secas, por furacões cada vez mais devastadores e por Estados inteiro submersos pela elevação dos mares.


Cruzando esses estudos com os dados climáticos mais recentes, Dyer completa a análise e a transforma em uma projeção que engloba os conflitos regionais

  • a guerra entre a Índia e o Paquistão pelo controle das águas dos rios do Himalaia, empobrecidos há décadas pela redução das geleiras; 
  • o ataque do Iraque e da Síria contra Istambul para destruir as barragens turcas ao longo do Tigre e do Eufrates; 
  • a guerra civil na China sacudida pelo caos climático.

Uma sucessão de desastres interrompida por um possível cenário positivo ligado a uma reviravolta energética capaz de produzir um sistema com baixíssimas emissões de carbono. Uma perspectiva que começa com uma data muito próxima: 2014, ano em que os EUA – sugere Dyer – irão assinar o Fuel Independence Act, uma lei que desvia as ajudas federais aos combustíveis fósseis para investimentos maciços para fontes renováveis e para o cultivo de algas.


A decisão de Washington produz efeitos em cascata. Sob a pressão dos desastres climáticos crescentes (75 mil mortes por causa da onda de calor no Meio-Oeste norte-americano, inundações catastróficas do Yangtze e do Mekong, tempestades que deixam 10 milhões egípcios sem casa), a China e a Índia aceleram a conversão para as fontes renováveis e as importações de petróleo diminuem rapidamente. Os europeus fazem um acordo com os países do Norte da África para um desenvolvimento comum das possibilidades oferecidas pela energia solar. Em nível global, cresce o movimento Zero-2030, que visa a uma sociedade livre de carbono.


Mas a janela de tempo para virar para esse cenário positivo é muito estreita: em 2011, as emissões de gases de efeito estufa em nível mundial, apesar da crise econômica, cresceram ainda mais, e a concentração de dióxido de carbono na atmosfera chegará, em poucos anos, a um nível duplo em comparação ao da era pré-industrial. Para evitar a perspectiva das guerras climáticas – sugere Dyer – resta pouco tempo.

Tradução de Moisés Sbardelotto.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos - Notícias - Quarta-feira, 4 de abril de 2012 - Internet: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/508169-o-pacto-sobre-a-energia-que-pode-salvar-o-mundo

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