«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

''Traímos o Evangelho na economia''


Maria Teresa Pontara Pederiva 
Vatican Insider
03.04.2012

O apelo do padre comboniano Alessandro Zanotelli na semana de Páscoa

Pe. Alessandro Zanotelli - comboniano
Em sua mensagem de Páscoa, intitulada Apelo às comunidades cristãs, o comboniano trentino e ex-diretor da revista Negrizia fala de "ditadura das finanças".


"Neste período quaresmal, eu sinto a urgência de compartilhar com vocês uma reflexão sobre a 'tempestade financeira' que está sacudindo a Europa, pondo tudo em discussão: direitos, democracia, trabalho...".


O Pe. Alessandro continua denunciando o que ele define como "o triunfo das finanças" posto em ação pelo "capitalismo financeiro". Um sistema baseado no risco moral, na irresponsabilidade do capital, na dívida que gera dívida – que levou a essa imensa bolha especulativa separada do mundo real por um abismo, porque "as finanças já não correspondem mais à economia real" e as operações financeiras já são realizadas por algoritmos, muitas vezes automáticos.


"Tudo isso – escreve o comboniano – se choca radicalmente com a tradição das escrituras hebraicas radicalizadas em Jesus de Nazaré". E, pegando emprestadas as palavras do teólogo moral Enrico Chiavacci, ele afirma que, nesse campo, seriam dois os mandamentos válidos para todo discípulo: "Tente não enriquecer" e "Se você tem, tem que compartilhar".


John Haughey - teólogo jesuíta americano
Talvez o jesuíta John Haughey tenha razão quando afirma: "Nós, ocidentais, lemos o Evangelho como se tivéssemos dinheiro, e usamos o dinheiro como se não conhecêssemos nada do Evangelho". E o Pe. Alex conclui, na linha do Conselho Pontifício Justiça e Paz: 


"Devemos admitir que, como Igrejas, traímos o Evangelho, esquecendo a radicalidade do ensinamento de Jesus: palavras como 'Deus ou o dinheiro', ou 'Vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres'".


É preciso passar das palavras aos fatos – esse é o apelo – às escolhas concretas, às prática cotidiana. Como Igrejas, devemos, principalmente, pedir perdão, mas ainda não é suficiente: devemos mudar de rumo. Como comunidades, convidando todos ao dever moral de pagar os impostos e colocando as próprias economias em cooperativas locais e em atividades sociais. Em nível pessoal, sentir o dever moral de controlar se o banco, onde se depositou o dinheiro, participa de atividades especulativas.


Se o anúncio cristão – escreve Chiavacci – levou à abolição da escravatura, não há por que o mesmo anúncio não possa levar a uma modificação de mentalidades e estruturas.


Tradução de Moisés Sbardelotto.


Fonte: Instituto Humanitas Unisinos - Notícias - Quarta-feira, 4 de abril de 2012 - Internet: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/508170-traimos-o-evangelho-na-economia

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