«Quem em uma situação como esta, de injustiça social e repressão criminal, escolher o caminho da passividade e erguer a bandeira hipócrita da imparcialidade política torna-se cúmplice do mal.»

(Silvio José Báez – bispo-auxiliar de Manágua, Nicarágua, clamando contra a violência e repressão do governo de Daniel Ortega)

Quem sou eu

Jales, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 15 de setembro de 2012

24º Domingo do Tempo Comum - Ano "B" - Homilia

Evangelho: Marcos 8,27-35

Naquele tempo, 
27 Jesus partiu com seus discípulos para os povoados de Cesareia de Filipe. No caminho perguntou aos discípulos: “Quem dizem os homens que eu sou?”
28 Eles responderam: “Alguns dizem que tu és João Batista; outros que és Elias; outros, ainda, que és um dos profetas”. 
29 Então ele perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “Tu és o Messias”. 
30 Jesus proibiu-lhes severamente de falar a alguém a seu respeito.
31 Em seguida, começou a ensiná-los, dizendo que o Filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei; devia ser morto, e ressuscitar depois de três dias. 
32 Ele dizia isso abertamente. Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo.
33 Jesus voltou-se, olhou para os discípulos e repreendeu a Pedro, dizendo: “Vai para longe de mim, Satanás! Tu não pensas como Deus, e sim como os homens”. 
34 Então chamou a multidão com seus discípulos e disse: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. 
35 Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la”.

José Antonio Pagola


LEVAR JESUS A SÉRIO

O episódio de Cesareia de Filipe ocupa um lugar central no evangelho de Marcos. Depois de um tempo de convivência com ele, Jesus faz a seus discípulos uma pergunta decisiva: "Quem dizeis que eu sou?". Em nome de todos, Pedro lhe responde sem duvidar: "Tu és o Messias". Finalmente, parece que tudo está claro. Jesus é o Messias enviado por Deus e os discípulos o seguem para colaborar com ele.

Jesus sabe que não é bem assim. Eles, ainda, precisam aprender algo muito importante. É fácil confessar Jesus com palavras, porém ainda não sabem o que significa segui-lo de perto compartilhando seu projeto e seu destino. Marcos diz que Jesus "começou a instruí-los". Não é, apenas, mais um ensinamento, mas algo fundamental que os discípulos terão que ir assimilando pouco a pouco.

Desde o princípio ele lhes fala "com toda a clareza". Não deseja lhes ocultar nada. Têm de saber que o sofrimento o acompanhará sempre em sua tarefa de abrir caminhos ao reino de Deus. Ao final, será condenado pelos dirigentes religiosos e morrerá executado violentamente. Somente ao ressuscitar se verá que Deus está com ele.

Pedro se revolta diante do que ouve. Sua reação é incrível. Toma Jesus consigo e o leva a parte para "repreendê-lo". Tinha sido o primeiro a confessá-lo como Messias. Agora, é o primeiro a rechaçá-lo. Quer fazer Jesus compreender que o que está dizendo é absurdo. Não está disposto que ele prossiga nesse caminho. Jesus deve mudar essa maneira de pensar.

Jesus reage com uma dureza desconhecida. Imediatamente, vê em Pedro traços de Satanás, o tentador do deserto que busca distanciar as pessoas da vontade de Deus. Ele se vira para os discípulos e repreende Pedro com estas palavras: "Coloque-se atrás de mim, Satanás": volte a ocupar o lugar de discípulo. Deixa de tentar-me. "Tu pensas como os homens, não como Deus".

Em seguida, chama o povo e seus discípulos para que escutem bem suas palavras. Repeti-las-á em diversas ocasiões. Não haverão de esquecê-las jamais. "Aquele que quiser vir após mim, negue a si mesmo, tome a sua cruz e me siga"

Seguir Jesus não é obrigatório. É uma decisão livre de cada um. Porém temos de levar a sério Jesus. Não bastam confissões fáceis. Se quisermos segui-lo em sua tarefa apaixonante de fazer um mundo mais humano, digno e feliz, temos de estar dispostos a duas coisas. Primeiro, renunciar a projetos ou plano que se opõem ao reino de Deus. Segundo, aceitar os sofrimentos que nos podem vir por seguir Jesus e identificarmos com a sua causa. 


CRER EM ALGUÉM

Os cristãos tem esquecido, com demasiada frequência, que a fé não consiste em crer em algo, mas em crer em Alguém. Não se trata de aderirmos, fielmente, a um credo e, muito menos, de aceitar cegamente "um conjunto estranho de doutrinas", mas de nos encontrarmos com Alguém vivo que dá sentido radical a nossa existência.

O decisivo é, verdadeiramente, encontrar-se com a pessoa de Jesus Cristo e descobrir, por experiência pessoal, que ele é o único que pode responder, de maneira plena, às nossas perguntas mais decisivas, nossos anseios mais profundos e nossas necessidades mais últimas.

Em nossos tempos, se faz cada vez mais difícil crer em algo. As ideologias mais fortes, os sistemas mais poderosos, as teorias mais brilhantes cambalearam ao descobrirmos suas limitações e profundas deficiências.
O homem moderno, castigado por dogmas, ideologias e sistemas doutrinais, talvez, quem sabe, esteja disposto a crer em pessoas que o ajudem a viver e o possam "salvar" dando um sentido novo à sua existência.

Por isso, o teólogo Karl Lehmann pôde dizer que "o homem moderno somente será crente quando tiver feito uma experiência autêntica de adesão à pessoa de Jesus Cristo".

Causa tristeza observar a atitude de setores católicos cuja única obsessão parece ser "conservar a fé" como "um depósito de doutrinas" que se deve saber defender contra o assalto de novas ideologias e correntes que, para muitos, resultam mais atraentes, mais atuais e mais interessantes. 

Crer é outra coisa. Antes de mais nada, nós cristãos devemos nos preocupar em reavivar nossa adesão profunda à pessoa de Jesus Cristo. Somente quando vivemos "seduzidos" por ele e trabalhamos pela força regeneradora de sua pessoa, poderemos difundir, também hoje, seu espírito e sua visão da vida. Do contrário, continuaremos proclamando com os lábios doutrinas sublimes, ao mesmo tempo que prosseguimos vivendo uma fé medíocre e pouco convincente.

Nós cristãos temos de responder, com sinceridade, a essa pergunta interpeladora de Jesus: "e vós, quem dizeis que eu sou?".

Ibn Arabi escreveu que "aquele que foi tomado por essa enfermidade chamada Jesus, já não pode se curar".
Quantos cristãos poderiam, hoje, intuir, a partir de sua experiência pessoal, a verdade que se encerra nestas palavras?

Tradução de: Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: MUSICALITURGICA.COM - Homilías de José A. Pagola - 13 de setembro de 2012 - Internet: http://www.musicaliturgica.com/0000009a2106d5d04.php

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