«Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio – e eis que a verdade se me revela.»

(Albert Einstein [1879-1955] – físico teórico alemão, um dos mais ilustres cientistas do mundo)

Quem sou eu

Jales, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 15 de setembro de 2012

ESTRESSE: a decisão em suas mãos!

Joana de Fátima Gonçalves

Augusto Goldoni - psicanalista
O estresse tem levado muitos trabalhadores a recorrer à ajuda médica por problemas fisiológicos, mentais ou emocionais. Um estudo de economistas da Universidade de Concordia, no Canadá, publicado recentemente no periódico BMC Public Health, confirma:
o estresse vem se tornando uma questão de saúde pública.

Considerado o mal do século, o estresse, no Brasil, tem feito suas vítimas. Somos o segundo povo mais estressado do mundo. Só perdemos para o japonês. Vivemos tensos no trabalho, em casa, na vida social, preocupados com desemprego, falta de dinheiro, fatores socioculturais, violência. Estamos cada vez mais ansiosos, amargurados, deprimidos, envolvidos em batalhas por reconhecimento pessoal e profissional e presos a uma verdadeira "roda-viva" de desejos, necessidades e cobranças de todo tipo, sem tempo para nós mesmos ou para o convívio familiar. 

Viramos "empresas": estamos sempre em busca de comprar e/ou vender
Entre os muitos sintomas de quem vive estressado estão: 
  • depressão, 
  • queda de cabelo, 
  • câncer, 
  • obesidade, 
  • hipertensão, 
  • problemas de pele, 
  • infarto do miocárdio, 
  • bruxismo, 
  • transtorno bipolar, 
  • perda de memória, 
  • dificuldade de concentração, etc.
Mas o que vem a ser esse inimigo invisível que nos ataca sorrateiramente e mina nossas forças? É possível viver sem estresse em meio a tanta competição no trabalho, na vida?

"Estresse significa pressão, e sem pressão não vamos pra frente, não paramos em pé. Sem desafio, não crescemos, não amadurecemos. O que atrapalha é o exagero, ultrapassarmos o próprio limite, irmos além do suportável", explica o psicanalista Augusto Goldoni, autor de Estresse - Como transformar esse terrível inimigo em aliado, publicado por Edições Paulinas.

"Estresse tem a ver com resistência. Se você estiver com a saúde física em ordem, será mais difícil ser atingido pelo estresse ou, pelo menos, seus impactos serão bem menores pois você aumentará o limiar de estresse ou seja, terá maior resistência aos agentes estressores e, ao mesmo tempo, mais facilidade de retornar ao equilíbrio."

O que surpreende é que, diante de tantos avanços da medicina e da tecnologia e opções das mais diversas que facilitam o dia a dia, o mínimo que se esperava é que fôssemos menos tensos, trabalhássemos menos que nossos pais e avós, tivéssemos uma vida melhor.
"Não é assim porque, nesses tempos modernos, nos transformamos em máquinas de trabalhar, nos alimentamos mal, não dormimos quanto deveríamos, não abrimos espaço na agenda para o lazer, o prazer. E com tanta eletrônica, estamos cada vez mais sedentários, nos mexemos cada vez menos, usamos muito pouco a memória."

Augusto Goldoni complementa: "Não bastasse, a tecnologia nos dá a falsa ilusão de que podemos tudo, de que podemos estar em vários lugares ao mesmo tempo. Temos caixa postal, e-mails, secretária eletrônica, temos o mundo ao toque do dedo. A gente se esquece de que há uma distância, um limite cultural que a tecnologia não vence. Dar-se conta disso tem gerado estresse, principalmente entre os mais jovens."


Faltam-nos tempo, dinheiro...

Mais de 70% da população economicamente ativa se queixam da falta de tempo. Mas, vale a pena tanta correria, tanta preocupação?
Falta tempo?
"Não, não nos falta tempo. Todos recebemos democraticamente 24 horas por dia. O que fazemos com o tempo é livre arbítrio. Escolhemos o tempo todo, mas, nessas escolhas, tendemos a nos focar no que não temos, não no que temos. Se você optou vender 8/12/16 horas para a empresa e acha que tem que trabalhar após o expediente porque precisa de dinheiro, é escolha sua", diz Goldoni.

Pelo seu raciocínio, as pessoas precisam saber quem elas são, o valor que têm, o que querem, pra definir como vão viver - se na correria ou a um ritmo que não comprometa sua saúde. 
Outra causa é a falta de administração do que fazemos com nosso tempo, nossa vida, nossas economias. Quer um exemplo comum? Todo mundo fica uma pilha quando chega janeiro e começam a chegar as contas de IPVA, o IPTU, a matrícula dos filhos, o material escolar... "Não sabia? Por que não fez reserva? Se passou o fim de ano na correria comprando, gastou todo o 13º, vai entrar o novo ano já cansado, exaurido e endividado e ainda culpado porque gastou mais do que podia e que nada mudou na passagem de um ano para o outro", pondera o psicanalista, lembrando que um dos fatores que as pessoas mais citam como estressantes é o econômico.

Geralmente, fim de ano é certeza de estresse. Por quê? Além dos excessos de fim de ano, este é um período em que, mais do que nunca, somos obrigados a estar bem, a receber amigos, a encontrar o parente que não suportamos, a fazer o social. Se a pessoa não quer ceia, não quer viajar, não quer ir à confraternização da empresa, por que se submete a tudo isso? Tem todo o direito de dizer "não". "E aí o indivíduo chega no dia 2 de janeiro já esgotado, sem bateria e frustrado. Pura falta de planejamento e postura diante de escolhas.


Controlar é possível

Como defende Goldoni em seu livro, é possível, sim, manter o estresse sob controle, fazer dele um aliado. O estresse é mecanismo de defesa, nos coloca prontos pra reagir no dia a dia. O segredo está em saber quando ele ultrapassa o estado de alerta, saudável e necessário, e se torna um fator gerador de doenças psicossomáticas. Ou seja, faz toda a diferença o modo como você interpreta e gerencia a pressão do dia a dia, como se adapta e concilia seu jeito de ser com a realidade e como faz suas escolhas.

"Você vê o mundo como você é e não como ele é realmente", ilustra Goldoni. "Temos o trânsito, o excesso de trabalho, a pressão, o chefe autoritário, o prazo curto, a margem estreita. Isso é o real, o que temos e ponto. E há o fator individual, a maneira como interpretamos esses estímulos. Para alguns, trabalhar com a corda no pescoço é até motivador. Para outros, não. Tem gente que é movida a desafio, a mudanças, gosta de prazo apertado, adrenalina, correria. Se entrar no quadradinho, na caixa, aí é que se estressa... Um cara despachado numa atividade repetitiva, maçante, vai estressar-se e estressar todo mundo.", avalia. E prossegue: "há os que conseguem dormir cinco horas por noite e tudo bem, outros precisam de dez. Há os que trabalham 12 horas e ok, mas a maioria não, pois implica abrir mão de vida pessoal, de ver o filho crescer, deixar de lado atividades que julgam importantes."

É fato que nem sempre é possível uma mudança externa, porém, as mudanças internas (construir novos paradigmas e quebrar crenças) invariavelmente estão ao alcance das mãos. Pare e avalie: 

  • faço o que gosto?
  • Estou feliz?
  • Ou estou no meu limite, mas preciso do dinheiro?
  • Vou ter o dinheiro e adoecer?
  • Como posso mudar isso?
  • Vou ter que estudar mais seis horas, dormir pouco, ter menos tempo pra lazer, deixar de ter o que quero, poupar?
Pode ser uma escolha por ora, mas pense em como reverter a situação e em quanto tempo. Tem opção? "Sempre tem. Pode escolher ganhar menos e procurar outra área. A autonomia de planejar seu futuro, sonhar, querer mudar, você não pode perder. Aprenda a escolher."

Mais uma dica de Goldoni: tente mudar seu estilo de vida e veja até onde pretende chegar. Será que não está "se matando" todo dia para tentar chegar a um lugar em que já está? Diminua o ritmo ou busque outra área, ou acabará desenvolvendo alguma doença psicossomática. Agora, se pedir as contas da empresa está fora de cogitação, tente subliminar, canalizando o excesso de tensão para as relações sociais, um esporte, um trabalho comunitário, um hobby, e, de repente, quem sabe você descobre um novo caminho! E reserve horas de lazer e um tempo para fazer nada.

Ah, não se esqueça: também o ócio é gerador de estresse. 'Cabeça vazia, oficina do diabo, diziam nossos avós.' "O ócio é bom, pode ser produtivo, criativo. Ter tempo para o lazer é fundamental. Mas o ócio, às vezes, representa não ter propósito. Temos que ter meta no trabalho, na vida, senão perdemos o controle dela. E não ter controle da vida, perder a autonomia, é fator gerador de estresse", avisa o psicanalista. 

Fonte: Paulinas & Você - Cultural - Agosto/Outubro de 2012 - edição impressa.

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