«Quem em uma situação como esta, de injustiça social e repressão criminal, escolher o caminho da passividade e erguer a bandeira hipócrita da imparcialidade política torna-se cúmplice do mal.»

(Silvio José Báez – bispo-auxiliar de Manágua, Nicarágua, clamando contra a violência e repressão do governo de Daniel Ortega)

Quem sou eu

Jales, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 8 de setembro de 2012

23º Domingo do Tempo Comum - Ano "B" - Homilia

Evangelho: Marcos 7,31-37

Naquele tempo, 
31 Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole.
32 Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. 
33 Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. 
34 Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!”
35 Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. 
36 Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. 
37 Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.

José Antonio Pagola
CURAR A SURDEZ

A cura de um surdo-mudo na região pagã de Sidônia é narrada por Marcos com uma intenção claramente pedagógica. É um enfermo muito especial. Não ouve nem fala. Vive fechado em si mesmo, sem comunicar-se com ninguém. Não se dá conta que Jesus está passando perto dele. São os outros que o levam até o Profeta.
Também a atuação de Jesus é especial. Não impõe suas mãos sobre ele como lhe pedem, mas o toma a parte e o leva a um lugar retirado da multidão. Ali trabalha intensamente, primeiro seus ouvidos e, depois, sua língua. Quer que o enfermo sinta seu contato curador. Somente um encontro profundo com Jesus poderá curá-lo de uma surdez tão tenaz. 

Ao que parece, não é suficiente todo aquele esforço. A surdez resiste. Então, Jesus apela ao Pai, fonte de toda salvação: olhando para o céu, suspira e grita ao enfermo uma única palavra: "Efatá", quer dizer, "Abre-te". Esta é a única palavra que pronuncia Jesus em todo o relato. Não é dirigida aos ouvidos do surdo, mas ao seu coração.
Certamente, Marcos deseja que esta palavra de Jesus ressoe com força nas comunidades cristãs que lerão seu relato. Conhece muitos que vivem surdos à Palavra de Deus. Cristãos que não se abrem á Boa Notícia de Jesus nem falam a ninguém de sua fé. Comunidades surdo-mudas que escutam pouco o Evangelho e o comunicam mal.

Talvez, um dos pecados mais graves dos cristãos é esta surdez. Não nos detemos a escutar o Evangelho de Jesus. Não vivemos com o coração aberto para acolher suas palavras. Por isso, não sabemos escutar com paciência e compaixão a tantos que sofrem sem receber carinho nem atenção de ninguém.
Às vezes parece que a Igreja, nascida de Jesus para anunciar a Boa Notícia dele, faz o seu próprio caminho, longe da vida concreta de preocupações, medos, trabalhos e esperanças do povo. Se não escutarmos bem os apelos de Jesus, não colocaremos palavras de esperança na vida dos que sofrem.

Há algo de paradoxal em alguns discursos da Igreja. Grande verdades são ditas e se proclamam mensagens muito positivas, porém não tocam o coração das pessoas. Algo parecido está acontecendo nestes tempos de crise. A sociedade não está esperando "doutrina social" dos especialistas, porém escuta com atenção uma palavra clarividente, inspirada no Evangelho e pronunciada por uma Igreja sensível ao sofrimento das vítimas, que sai instintivamente em sua defesa, convidando a todos para estar próximos de quem mais necessita de ajuda para viver com dignidade.

CONTRA A SURDEZ

A cena é conhecida. Apresentam a Jesus um surdo que, em consequência de sua surdez, não pode falar. Sua vida é uma desgraça. Ouve somente a si mesmo. Não pode escutar seus familiares e vizinhos. Não pode conversar com seus amigos. Muito menos, pode escutar as parábolas de Jesus e entender sua mensagem. Vive fechado em sua própria solidão.

Jesus o toma consigo e se concentra nessa enfermidade que o impede de viver de modo sadio. Introduz os dedos em seus ouvidos e trata de vencer essa resistência que não o deixa escutar ninguém. Com sua saliva umedece aquela língua paralisada para dar fluidez à sua palavra. Não é fácil. O surdo-mudo não colabora e Jesus faz um último esforço. 

Aquele homem sai de seu isolamento e, pela primeira vez, descobre o que é viver escutando aos demais e conversando abertamente com todos. As pessoas ficam admiradas. Jesus faz tudo bem, como o Criador: "faz ouvir aos surdos e falar aos mudos".
Não é casual que os evangelhos narrem tantas curas de cegos e surdos. Esses relatos são um convite a deixar-se trabalhar por Jesus para abrir bem os olhos e os ouvidos à sua pessoa e à sua palavra

Alguns discípulos "surdos" à sua mensagem, serão como que "gagos" ao anunciar o evangelho.

Viver dentro da Igreja com mentalidade "aberta" ou "fechada" pode ser uma questão de atitude mental ou de posição prática, fruto quase sempre da própria estrutura psicológica ou da formação recebida. Porém, quando se trata de "abri-se" ou "fechar-se" ao evangelho, o assunto é de vida ou morte.

Se vivemos surdos à mensagem de Jesus, se não entendemos o seu projeto, nem compreendemos o seu amor aos que sofrem, nos fechamos em nossos problemas e não escutamos aqueles das pessoas. Porém, não saberemos anunciar nenhuma boa notícia. Deformaremos a mensagem de Jesus. Para muitos será difícil entender nosso "evangelho". 
É urgente que todos escutemos Jesus: "Abre-te".

Tradução de Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: MUSICALITURGICA.COM - Homilías de José A. Pagola - Quarta-feira, 5 de setembro de 2012 - Internet: http://www.musicaliturgica.com/0000009a2106d5d04.php

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