«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

2º Domingo da Quaresma – Ano B – Homilia

Evangelho: Marcos 9,2-10

Naquele tempo:
2 Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e os levou sozinhos a um lugar à parte sobre uma alta montanha. E transfigurou-se diante deles.
3 Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar.
4 Apareceram-lhe Elias e Moisés, e estavam conversando com Jesus.
5 Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”.
6 Pedro não sabia o que dizer, pois estavam todos com muito medo.
7 Então desceu uma nuvem e os encobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!”.
8 E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles.
9 Ao descerem da montanha, Jesus ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto,
até que o Filho do Homem  tivesse ressuscitado dos mortos.
10 Eles observaram esta ordem, mas comentavam entre si o que queria dizer “ressuscitar dos mortos”.

JOSÉ ANTONIO PAGOLA
NÃO CONFUNDIR NINGUÉM COM JESUS

Segundo o evangelista, Jesus toma consigo Pedro, Tiago e João, leva-os separadamente a uma montanha, e ali “transfigura-se diante deles”. São os três discípulos que, ao que parece, oferecem maior resistência a Jesus quando lhes fala de seu destino doloroso de crucifixão.

Pedro tentou, inclusive, tirar-lhe da cabeça essas ideias absurdas. Os irmãos Tiago e João andam pedindo-lhe os primeiros postos no reino do Messias. Diante deles, justamente, Jesus se transfigurará. Necessitam disso mais do que ninguém.

A cena, recheada com diversos recursos simbólicos, é grandiosa. Jesus se lhes apresenta “revestido” da glória do próprio Deus. Ao mesmo tempo, Elias e Moisés, que segundo a tradição, foram arrancados da morte e vivem junto de Deus, aparecem conversando com ele.  Tudo convida a intuir a condição divina de Jesus, crucificado pelos seus adversários, porém ressuscitado por Deus.

Pedro reage com toda espontaneidade: Senhor, é bom estarmos aqui! Se queres, farei três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias. Não entendeu nada. De um lado, coloca Jesus no mesmo plano e ao mesmo nível que Elias e Moisés: a cada um sua tenda. De outro lado, segue resistindo à dureza do caminho de Jesus; deseja retê-lo na glória do monte Tabor, longe da paixão e da cruz do monte Calvário.

Deus, mesmo, o corrigirá de modo solene: Este é meu Filho amado. Não se deve confundi-l0 com ninguém. Escutai o que ele diz, inclusive quando lhes fala de um caminho de cruz, que termina em ressurreição.

Somente Jesus irradia luz. Todos os demais, profetas e mestres, teólogos e autoridades, doutores e pregadores, temos o rosto apagado. Não podemos confundir ninguém com Jesus. Somente ele é o Filho amado. Sua Palavra é a única que temos de escutar. As demais vozes nos devem conduzir a ele.

E temos de escutar sua Palavra também hoje, quando nos fala de “carregar a cruz” destes tempos. O sucesso prejudica os cristãos. Levou-nos, inclusive, a pensar que fosse possível uma Igreja fiel a Jesus e a seu projeto do reino, sem conflitos, sem rejeição e sem cruz. Hoje nos são oferecidas mais possibilidades de vivermos como cristãos “crucificados”. Isso nos fará bem. Ajudar-nos-á a recuperar nossa identidade cristã.
NOVA IDENTIDADE

Para ser cristão, o importante não é em que coisas crê uma pessoa, mas que relação vive com Jesus. As crenças, no geral, não mudam nossa vida. Alguém pode crer que exista Deus, que Jesus ressuscitou e muitas outras coisas, porém não ser um bom cristão. É a adesão a Jesus e o contato com ele que nos pode transformar.

Nas fontes cristãs se pode ler uma cena que, tradicionalmente, veio a se chamar de “transfiguração” de Jesus. Não é mais possível hoje reconstruir a experiência histórica que deu origem ao relato. Somente sabemos que era um texto muito querido entre os primeiros cristãos, pois, entre outras coisas, animava-os a crer somente em Jesus.

A cena se situa poeticamente numa “alta montanha”. Jesus está acompanhado de dois personagens lendários na história judaica: Moisés, representante da Lei, e Elias, o profeta mais querida na Galileia. Somente Jesus aparece com o rosto transfigurado. Do interior de uma nuvem se escuta uma voz: Este é meu Filho querido. Escutai o que ele diz.

O importante não é crer em Moisés nem em Elias, mas escutar Jesus e ouvir sua voz, a do Filho amado. O decisivo não é crer na tradição nem nas instituições, mas centrar nossa vida em Jesus. Viver uma relação consciente e cada vez mais vital e profunda com Jesus Cristo. Somente, então, pode-se escutar sua voz em meio à vida, na tradição cristã e na Igreja.

Somente esta comunhão crescente com Jesus vai transformando nossa identidade e nossos critérios, vai mudando nossa maneira de ver a vida, vai nos libertando das imposições da cultura, vai fazendo crescer nossa responsabilidade.

A partir de Jesus podemos viver de maneira diferente. Assim sendo, as pessoas não são simplesmente atraentes ou desagradáveis, interessantes ou sem interesse. Os problemas não são uma questão de cada um. O mundo não é visto como um campo de batalha onde cada um se defende como pode. Começa a nos doer o sofrimento dos mais indefesos. Podemos viver, cada dia, fazendo um mundo mais humano. Podemos nos parecer com Jesus.

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: Sopelako San Pedro Apostol Parrokia – Sopelana – Bizkaia (Espanha) – J. A. Pagola – Ciclo B (Homilías) – Internet: clique aqui.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

CHINA E AMÉRICA LATINA: UM NOVO IMPERIALISMO?

A China e a reprimarização da América Latina:
novo imperialismo?

José Eustáquio Diniz Alves[1]

José Eustáquio Diniz Alves
Algumas afirmações deste artigo:

"Enquanto houve crescimento da demanda e do preço das commodities[2] a América Latina e Caribe se beneficiaram, embora a valorização cambial tenha levado ao processo conhecido como 'doença holandesa', que necessariamente leva à uma desindustrialização, no caso da América Latina e Caribe, precoce desindustrialização"

"A China tem relações do tipo imperialista com os países latinoamericanos e os países latinoamericanos tem relações de dependência com a China".

"A ironia é que a criação desta nova dependência a este novo imperialismo é comemorada pelos governos de esquerda da América Latina e Caribe e pelo governo comunista da China, líder dos BRICS. Ao mesmo tempo, tudo isto deixa preocupado os velhos imperialismo europeu e americano. Já há quem diga que o “quintal” está mudando, de novo, de dono."

Eis o artigo.
As lideranças políticas da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) – bloco que agrega 33 países da região – se reuniram nos dias 08 e 09 de janeiro de 2015 em Pequim, para a primeira reunião do fórum China-Celac.

O presidente chinês, Xi Jinping, disse que o encontro é um sinal positivo sobre o aprofundamento da cooperação entre China e América Latina e Caribe e terá um impacto de longo prazo na promoção da cooperação sul-sul e para prosperidade no mundo. Ele disse que há uma expectativa de que o comércio bilateral entre China e América Latina suba para US$ 500 bilhões em dez anos e garantiu US$ 250 bilhões em investimentos chineses na América Latina nos próximos dez anos, como parte de um movimento para impulsionar a influência da China na região, superando a histórica dominação da América do Norte.

A Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL) divulgou o estudo “Primer Foro de la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños (CELAC) y China: Explorando espacios de cooperación en comercio e inversión[3] mostrando que o comércio de bens entre a Celac e a China aumentou 22 vezes entre 2000 e 2013, de US$ 12 bilhões para US$ 275 bilhões, sendo que a China passou a ser o maior “sócio” das transações internacionais da América Latina e Caribe. Em igual período, o comércio da região com o mundo aumentou apenas 3 vezes.

O documento apresentado pela Secretária Executiva da Cepal, Alicia Bárcena, se preocupa com o crescente déficit na balança comercial entre os países da Celac e a China e sugere que os investimentos externos diretos (IED) da China sejam alocados em outros setores que não somente nas atividades extrativas, onde se concentra 90% dos investimentos chineses na América Latina e Caribe.

De fato, a China foi muito importante para o ciclo de crescimento da América Latina e Caribe desde o início do século XXI. Foi a alta demanda chinesa que possibilitou o boom das commodities[4], que elevou o crescimento da economia, valorizou as moedas nacionais dos diversos países da América Latina e Caribe, reduziu o desemprego e possibilitou o aumento dos gastos sociais no sentido de reduzir a pobreza e aumentar a proteção social.
Mas ao mesmo tempo houve um regresso na qualidade do desenvolvimento da região. A maioria dos países da América Latina e Caribe estão passando por um processo de reprimarização, pois a China compra petróleo da Venezuela, cobre do Peru e Chile, soja da Argentina e do Brasil, dentre outros produtos primários e exporta produtos de maior valor agregado.[5]

Enquanto houve crescimento da demanda e do preço das commodities a América Latina e Caribe se beneficiaram, embora a valorização cambial tenha levado ao processo conhecido como “doença holandesa”, que necessariamente leva à uma desindustrialização, no caso da América Latina e Caribe, precoce desindustrialização.

Ou seja, a China foi importante para a retomada da economia da América Latina e Caribe depois da “década perdida”. Mas ao mesmo tempo ela aprofundou uma nova dependência, pois os países latinoamericanos exportam produtos primários e de baixo valor agregado e importam produtos industrializados da China. O emprego industrial cresce na China e diminui na América Latina e Caribe.

Agora, em 2014 e 2015, quando o preço das commodities estão caindo em todo o mundo, os países da Celac estão recorrendo à China a busca de capitais para fechar seus balanços de pagamento. Ou seja, primeiro aprofundaram a dependência econômica e agora vão aprofundar a dependência financeira.

O nome que se dá a esse processo na literatura internacional, desde Rosa de Luxemburgo (1871-1919) e Rudolf Hilferding (1877-1941), é imperialismo. Isto é, a China tem relações do tipo imperialista com os países latinoamericanos e os países latinoamericanos tem relações de dependência com a China.

Na verdade, o “Império do Meio” teve um superávit comercial recorde com o resto do mundo em 2014, de US$ 382 bilhões, resultado do saldo de exportações anuais de US$ 2,34 trilhões e importações anuais de US$ 1,96 trilhões. A China que exportava menos do que o Brasil até 1984, agora exporta 10 vezes mais e possui reservas internacionais de mais de US$ 4 trilhões de dólares.

A ironia é que a criação desta nova dependência a este novo imperialismo é comemorada pelos governos de esquerda da América Latina e Caribe e pelo governo comunista da China, líder dos BRICS[6]. Ao mesmo tempo, tudo isto deixa preocupados os velhos imperialismos europeu e americano. Já há quem diga que o “quintal” está mudando, de novo, de dono.

N O T A S :

[ 1 ] José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE.

[ 2 ] Commodity: é um termo de língua inglesa que, como o seu plural commodities, significando literalmente mercadoria, é utilizado para designar bens e as vezes serviços para os quais existe procura sem atender à diferenciação de qualidade do produto no conjunto dos mercados e entre vários fornecedores ou marcas. As commodities são habitualmente substâncias extraídas da terra e que mantém até certo ponto um preço universal. Tipos de commodities:
Agrícola - exemplos: café, trigo, soja;
Mineral - exemplos: ouro, petróleo, minério de ferro;
Financeira - exemplos: dólar, euro, real, Bitinino;
Ambiental exemplos: água, créditos de carbono;
Recursos energéticos - exemplos: energia elétrica;
Química - exemplos: ácido sulfúrico, sulfato de sódio (Fonte: Wikipédia).

[ 3 ] CEPAL. Primer Foro de la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños (CELAC) y China: Explorando espacios de cooperación en comercio e inversión, Santiago, janeiro de 2015-01-09, clique aqui.

[ 4 ] O boom das commodities foi a alta procura por produtos agrícolas e minerais, sobretudo, por parte de países que experimentaram um forte crescimento econômico em fins do século XX para cá. Estamos falando, principalmente da China e Índia.

[ 5 ] Reprimarização é um termo para descrever a volta a um modelo de desenvolvimento econômico baseado, fundamentalmente, na extração ou produção de produtos primários (exemplos: soja, carvão, minério de ferro, cobre, peixes etc.). Eles são chamados assim, por são a matéria-prima levada para a indústria que os transforma em produtos industrializados e mais valiosos em seu preço.

[ 6 ] BRICS é um acrônimo que se refere aos países membros fundadores (o grupo BRICS: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que juntos formam um grupo político de cooperação. Em 14 de abril de 2011, o "S" foi oficialmente adicionado à sigla BRIC para formar o BRICS, após a admissão da África do Sul (em inglês: South Africa) ao grupo. A sigla (originalmente "BRIC") foi cunhada por Jim O'Neill em um estudo de 2001 intitulado "Building Better Global Economic BRICs" (Fonte: Wikipédia).

Fonte: Portal EcoDebate – Cidadania & Meio Ambiente – 25/02/2015 – Internet: clique aqui.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA

“Nós não somos donos da verdade, mas queremos fazer uma proposta”,
afirma dom Damasceno

O arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Raymundo Damasceno Assis, afirmou durante cerimônia de lançamento do Manifesto em Defesa da Democracia, ocorrida nesta quarta-feira, 25, em Brasília (DF), que as 106 entidades envolvidas no projeto da Reforma Política Democrática pretendem oferecer uma sugestão de mudança que acreditam ser mais adequada ao país.
Marcus Vinícius Furtado Coêlho (Presidente do Conselho Federal da OAB) e
Dom Raymundo Damasceno Assis (Presidente da CNBB) na
Cerimônia de lançamento do "Manifesto em Defesa da Democracia"
Brasília (DF), 25 de fevereiro de 2015
 “Nós, eu creio, com a OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] aqui representada pelo seu presidente, não somos donos da verdade, mas queremos fazer uma proposta que é apoiada por esta Coalizão bastante ampla, bastante significativa enquanto representante da sociedade brasileira, para justamente provocar o debate no Congresso Nacional”, afirmou.

Dom Damasceno, ao lado do presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinícius Furtado Coêlho, apresentou o Manifesto em que as duas entidades posicionam-se a favor da democracia, com “a convicção de que acima das divergências políticas, naturais numa República, estão a ordem constitucional e a normalidade democrática”.

Em seu pronunciamento, o cardeal Raymundo Damasceno Assis falou da presença da Igreja Católica na “vida e na história da sociedade brasileira” e recordou a Campanha da Fraternidade de 2015, cujo tema é “Fraternidade: Igreja e sociedade” e o lema “Eu vim para servir”. O presidente da CNBB expressou o desejo da Igreja em “continuar contribuindo, respeitando a laicidade do Estado e a autonomia das realidades terrestres, com a dignificação do ser humano”.

Dom Damasceno ressaltou durante a cerimônia a missão da Igreja em ensinar critérios e valores para orientar os cristãos. “A Igreja, como todos sabem, ela não se identifica, é claro, como os partidos políticos, nem com interesses de partidos. A Igreja tem uma missão muito especial, espiritual e religiosa. E na sua missão, cabe à Igreja, sobretudo, ensinar critérios e valores, orientar as consciências, educar nas virtudes individuais e políticas e ser advogada da justiça e da verdade”, explicou.

Para ele, essa atuação na vida pública, “presença da Igreja no coração do mundo”, deve ser assumida pelos cristãos leigos e leigas, à luz “dos ensinamentos do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja com a construção de uma sociedade humana e solidária, opondo-se a toda forma de injustiça”. O cardeal aproveitou a oportunidade para felicitar os que atuam neste meio, “que fazem da política um serviço ao bem comum, à sociedade brasileira, um serviço inspirado na ética, no Evangelho”.

Ao final, dom Damasceno pediu para que haja acompanhamento ativo da tramitação no Congresso Nacional das várias propostas de reforma política. “Sabemos que esta reforma terá certamente um longo itinerário a percorrer, não será tão fácil, caberá ser discutida pelo Congresso, mas, sobretudo acompanhada pela população, para que esse processo da reforma chegue a bom termo”, disse.

O presidente do Conselho Federal da OAB, Marcus Vinícius Furtado Coêlho, ressaltou a fala de dom Damasceno em relação à proposição do projeto de Reforma Política, em que os agentes das entidades não têm a presunção de se portarem como “donos da verdade”, mas "sujeitos que querem ser ouvidos, considerados", como "protagonistas deste importante debate que acontece na sociedade brasileira”.

O presidente da OAB recordou a última articulação das entidades envolvidas na Coalizão que resultou na Lei da Ficha Limpa.  “Enquanto a Lei da Ficha Limpa cuida das consequências, o projeto por eleições limpas, que é o projeto de reforma política democrática, busca cuidar das causas destes problemas. E a principal causa no nosso entendimento é o financiamento empresarial a candidatos e partidos políticos”, explicou.

Ao finalizar seu pronunciamento, o presidente da OAB afirmou que as 106 entidades que propõem o projeto de lei de iniciativa popular pela Reforma Política Democrática seguirão juntas “respeitando as opiniões divergentes e também querendo que este movimento seja respeitado, entendendo que nós não podemos fazer do debate numa sociedade democrática a utilização de um instrumento que é o de diminuir ou desqualificar a proposta que eu não concordo desqualificando o proponente, desqualificando o movimento para dizer que é ideológico, ou partidário ou que não tem a independência necessária”, alertou. Ao fazer um convite para que as pessoas discutam as propostas, Furtado defendeu o respeito à “Coalizão de 106 entidades que construiu uma proposta ao debate”.
Dom Raymundo Damasceno Assis - Presidente da CNBB solicita
que todos acompanhem com interesse a tramitação de projetos de lei e os debates sobre a
Reforma Política que estão no Congresso Nacional
Leia, abaixo, o importante texto do Manifesto em Defesa da Democracia.

MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Considerando as graves dificuldades político-sociais que afligem atualmente o País, a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – e a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB – se veem no dever de vir a público expressar – a exemplo do que já fizeram em ocasiões semelhantes anteriores – a convicção de que acima das divergências políticas, naturais numa República, estão a ordem constitucional e a normalidade democrática.

Aos três Poderes da República cabe relacionarem-se entre si, de maneira independente, porém harmônica e cooperativa, não se admitindo que dissensões menores ou interesses  particulares – de indivíduos ou de grupos - possam comprometer o exercício das atribuições constitucionais que a cada um deles compete exercer.

Submetidos que são tais Poderes ao primordial princípio democrático pelo qual “todo poder emana do povo e em seu favor deve ser exercido”, cumpre-nos lembrar que as decisões deles emanadas somente se legitimam se estiverem adequadas a esse princípio maior.

A inquestionável crise por que passam, no Brasil, as instituições da Democracia Representativa, especialmente o processo eleitoral, decorrente este de persistentes vícios e distorções, tem produzido efeitos gravemente danosos ao próprio sistema representativo, à legitimidade dos pleitos e à credibilidade dos mandatários eleitos para exercer a soberania popular.

Urge, portanto, para restaurar o prestígio de tais instituições, que se proceda, entre outras inadiáveis mudanças, à proibição de financiamento empresarial nos certames eleitorais, causa  dos principais e reincidentes escândalos que têm abalado a Nação, afastando-se, assim, a censurável influência do poder econômico do resultado das eleições, o que constitui uma prática inconstitucional, conforme os votos já proferidos pela maioria dos Excelentíssimos Senhores Ministros integrantes do Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4650), ora em andamento naquela egrégia Corte.

Em vista do exposto, as entidades abaixo firmadas entendem inadiável a aprovação nas Casas do Congresso Nacional de uma Reforma Política Democrática que estabeleça normas e procedimentos capazes de assegurar, de forma efetiva e sem influências indevidas, a liberdade das decisões do eleitor.

Com este Manifesto, a CNBB e a OAB, unidas a inumeráveis organizações e movimentos sociais integrantes da sociedade civil, conclamam o povo brasileiro a acompanhar ativamente a tramitação, no Congresso Nacional, das proposições que tratam da Reforma Política e a manter-se vigilante e atento aos acontecimentos políticos atuais para que não ocorra nenhum retrocesso em nossa Democracia, tão arduamente conquistada.

Para tanto, é necessário que todos os cidadãos colaborem no esforço comum de enfrentar os desafios, que só pode obter resultados válidos se forem respeitados os cânones constitucionais, sem que a Nação corra o risco de interromper a normalidade da vida democrática.

Por fim, reivindicam as entidades subscritoras que, cada vez mais, seja admitida e estimulada a participação popular nas decisões que dizem respeito à construção do futuro da Pátria, obra comum que não pode dispensar a cooperação de cada cidadão, de cada organização, dando-se, assim, plena eficácia ao conteúdo do artigo 14 da Constituição da República.

Fonte: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – Imprensa – Quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015 – Publicado às 18h36 – Internet: clique aqui e aqui (publicado às 16h09).

GENÉTICA SEM LIMITES?

Grã-Bretanha se torna 1º país a legalizar bebês com três progenitores

Agência REUTERS

Para cientistas, técnica é capaz de prevenir doenças hereditárias, críticos temem que possa abrir caminho para “bebês projetados”
A Grã-Bretanha vai se tornar o primeiro país a legalizar uma técnica de fertilização in vitro com "três progenitores" e capaz de prevenir algumas doenças hereditárias incuráveis, segundo cientistas. Críticos temem que isso possa abrir caminho para o surgimento de "bebês projetados".

Após mais de três horas de debate, parlamentares na Câmara Alta do Parlamento britânico votaram nesta terça-feira, 24 de fevereiro, a favor de uma mudança na legislação para permitir o uso do procedimento, repetindo a aprovação alcançada neste mês na Câmara Baixa.

O tratamento, chamado transferência mitocondrial, é conhecido como fertilização in vitro com "três progenitores" porque os bebês, nascidos a partir de embriões geneticamente modificados, carregariam o DNA de uma terceira doadora, além dos da mãe e do pai.

Embora a técnica ainda esteja em fase de pesquisa em laboratórios na Grã-Bretanha e Estados Unidos, especialistas dizem que com a superação dos impedimentos legais, o primeiro bebê britânico com três progenitores pode nascer já em 2016.

A transferência mitocondrial envolve a intervenção no processo de fertilização para remover um DNA mitocondrial defeituoso que possa vir a provocar doenças hereditárias, tais como problemas cardíacos, deficiência hepática, cegueira e distrofia muscular.
Uma mitocôndria em tamanho ampliado e com visão interna
A mitocôndria age como uma pequena unidade de produção de energia dentro das células, e cerca de 1 em cada 6.000 bebês em todo o mundo nascem com sérios distúrbios mitocondriais.

Em resposta à votação no Parlamento, o diretor da entidade médica beneficente Wellcome Trust elogiou os parlamentares pela “decisão refletida e compassiva”.

“As famílias que sabem o que é cuidar de uma criança com uma doença devastadora são as pessoas melhor posicionadas para decidir se a doação mitocondrial é a opção correta”, disse ele.

O diretor-executivo da Sociedade de Biologia britânica, Mark Downs, comemorou “um grande dia para a ciência da Grã-Bretanha” e disse que a decisão é um marco e “vai garantir às mães que carregam mitocôndrias defeituosas que possam ter crianças sadias livres de condições devastadoras.”

Mas Marcy Darnovsky, diretora do Centro de Genética e Sociedade, um grupo de campanha contrário à medida, disse que o passo foi um “erro histórico” que vai transformar as crianças em experimentos biológicos.

"As técnicas são relativamente rudimentares e não vão por si só criar os chamados bebês projetados", disse ela.

No entanto, vão resultar em crianças com o DNA de três pessoas diferentes em cada célula de seus corpos, o que vai impactar uma grande quantidade de características de maneiras desconhecidas e introduzir modificações genéticas que serão transmitidas às futuras gerações”, acrescentou Marcy.

Fonte: O Estado de S. Paulo – Ciência – Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015 – Pg. A20 – Internet: clique aqui.

Com o dólar mais caro, o que sobe de preço?

16 produtos que devem ficar mais caros por causa do câmbio

Gustavo Santos Ferreira

Cotação da moeda americana já avançou mais de 20% nos últimos 12 meses e pode colaborar com ao menos 1,0% de inflação
Claudio Felisoni de Angelo - economista consultado
Não é só quem viaja para o exterior que paga a conta da alta do dólar. A cada vez que a moeda americana fica 10% mais cara no período de 12 meses, a inflação tende a subir 0,5% no mesmo intervalo de tempo – defendem alguns economistas, como o professor Simão Silber, da USP.

A conta não é tão exata assim. Trata-se de estimativa. Mas vejamos: o dólar ficou mais de 20% mais caro nos últimos 12 meses. Se levarmos essa regrinha à risca, portanto, podemos dizer que perto 1,0% dentro dos 7,36% da atual inflação anual é creditado à esticada de preços da moeda americana.

A pedido do blog, o economista Claudio Felisoni de Angelo, da Fundação Instituto de Administração (FIA) e presidente do Programa de Administração de Varejo (Provar), pesquisou por quais produtos essa alta de preços via dólar se alastra.

A relação de Felisoni impressiona. Passa por de mais de 100 itens. Inclui desde bens consumidos no dia a dia pela maioria de nós até componentes químicos da indústria. Desta seleção, separamos 16 itens pelos quais o dólar influencia a inflação. Abaixo, você pode ver quais são eles e a alta de seus preços medida em 12 meses pelo IPCA-15 de janeiro.
Veja aí:

1. Peixes (pescados ficaram 7,62% mais caros em 12 meses)

2. Frutas secas (de um modo geral, as frutas ficaram 7,21% mais caras; o IBGE não faz distinção entre as frutas secas ou frescas, talvez pelo fato de as frutas secas não serem exatamente unanimidade à mesa)

3. Frutas frescas (idem)

4. Leite em pó com menos de 1,5% de gordura (o produto, light ou não, sofreu alta de 6,68%)

5. Trigo (o preço do pão francês avançou 5,38% no período)

6. Batatas preparadas ou conservadas, não congeladas (não engasgue: elevação anual média de 31,01% – mas vale destacar o peso dos problemas climáticos neste item)

7. Misturas de sucos não fermentados (sucos ficaram 6,32% mais caros)
8. Ketchup e outros molhos de tomate, em embalagens menor que 1kg (o IBGE não pesquisa preços nem de ketchup nem de molhos de tomate – algo absurdo, dado a costumeira instabilidade do preço do tomate, que força as pessoas a recorrem a molhos para fugir da alta de seus preços)

9. Gomas de mascar sem açúcar (outro produto, embora não essencial, muito consumido e não pesquisado pelo instituto)

10. Produtos de beleza (artigos para pele subiram 4,65% em 12 meses; perfumes, 6,67%)

11. Xampus para os cabelos (elevação de 5,13%)

12. Pasta de dente e outros produtos de higiene bucal (outra falha do IBGE, que não afere o preço dos produtos em específico; mas a alta média dos artigos de higiene pessoal foi de 6,13%)
13. Lâminas, loção e espuma de barbear (ficaram 7,81% mais caros)

14. Desodorantes (alta significativa em 12 meses, de 8,86% – mas que não abre precedente para ninguém sair por aí liberando odores desagradáveis, sobretudo, no ônibus ou no metrô lotados)

15. Detergentes (10,35% de alta, o que faz o autor deste blog cultivar ainda mais o seu ódio inabalável por lavar louças – embora faça do ato de sujá-la quase uma arte)

16. Algodão (mais uma falha de difícil compreensão do IBGE, que ignora o produto, de consumo considerável, em sua pesquisa de inflação)

Fonte: ESTADÃO.COM.BR – Blogs / De olho nos preços – Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015 – Publicado às 09h53 – Internet: clique aqui.

FALTA EQUILÍBRIO E BOM SENSO A CERTOS POLÍTICOS!

Lula estimula o conflito social

Editorial

No desespero para salvar o PT [Partido dos Trabalhadores] de um desastre que a incompetência do governo de Dilma Rousseff torna a cada dia mais grave, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ameaça incendiar as ruas com "o exército do Stédile", a massa de manobra do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Lula acenou com essa ameaça em evento "em defesa da Petrobrás" promovido na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, pelo braço sindical do PT, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Federação Única dos Petroleiros (FUP).
Ex-presidente Lula participa de ato pela Petrobras no Rio de Janeiro
Abaixo: cenas de agressões entre militantes antes do evento
Basta abrir as páginas dos jornais ou assistir ao noticiário da televisão para perceber que a radicalização política começa a levar a violência às ruas das principais cidades do País:

·        De um lado, militantes de organizações sindicais e movimentos sociais, quase sempre manipulados pelo PT, aliados a radicais de esquerda;
·        do outro lado, sectários antigovernistas engajados na inoportuna campanha de impeachment da presidente da República.

Esses grupos antagônicos se agrediram mutuamente diante da Associação Brasileira de Imprensa, pouco antes do evento protagonizado por Lula.

Diante do sintoma claro de que o agravamento da crise política em que o País está mergulhado pode acender o rastilho da instabilidade social, o que se espera das lideranças políticas é que ajam com responsabilidade para evitar o pior. Mas Lula, assustado com a possibilidade crescente do naufrágio de seu projeto de poder, parece disposto, em último recurso, a correr o risco de virar a mesa. Não há outra interpretação para sua atitude no evento.

Em seu discurso, o coordenador do MST, João Pedro Stédile, como de hábito botou lenha na fogueira: "Ganhamos as eleições nas urnas, mas nos derrotaram no Congresso e na mídia. Só temos uma forma de derrotá-los agora: é nas ruas". É o caso de perguntar o que Stédile quer dizer com "derrotá-los nas ruas". Mas Lula parece saber a resposta. E aproveitou a deixa, ao falar no encerramento do ato: "Quero paz e democracia. Mas eles não querem. E nós sabemos brigar também, sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele na rua". Uma declaração de guerra?

A atitude irresponsavelmente incendiária do ex-presidente é coerente com a estratégia por ele traçada e transmitida à militância petista com o objetivo de reverter a repercussão extremamente negativa para a imagem do PT provocada pelo desgoverno Dilma e, em particular, pelo escândalo da Petrobrás. A ideia é, como sempre, transformar o PT em vítima da "elite", os temíveis "eles" que só querem fazer mal ao povo brasileiro.

Lula e João Pedro Stédile do MST durante ato pela Petrobras no Rio de Janeiro
Do mesmo modo que para Lula o escândalo do mensalão foi uma "farsa" que resultou na condenação injusta dos "guerreiros do povo brasileiro", o petrolão é coisa de "meia dúzia de pessoas" para a qual Dilma Rousseff "não pode ficar dando trela": "O que estamos vendo é a criminalização da ascensão de uma classe social neste país. As pessoas subiram um degrau e isso incomoda a elite", disse Lula.

Ou seja, o que abala o Brasil não é a ação da quadrilha que, há 12 anos, pilha a Petrobrás e ocupa, para proveito próprio ou do PT, cada escaninho possível da administração pública. Muito menos é a incompetência administrativa demonstrada pelos petralhas que sugam o Tesouro. É - no entender de Lula e companhia bela - a reação dos brasileiros honestos e indignados com a roubalheira e a desfaçatez.

Esse discurso populista pode fazer vibrar a militância partidária manipulada e paga pela nomenklatura petista, mas é inútil para garantir ao PT e ao governo o apoio de que necessitam para tirar o País do buraco em que Dilma Rousseff o meteu ao longo de quatro anos de persistentes equívocos.

O principal aliado do PT, o PMDB do vice-presidente Michel Temer, agora decidiu exigir o papel que lhe cabe como corresponsável pela condução dos destinos do País. Não aceita mais, por exemplo, que o núcleo duro do poder de decisão no Planalto seja integrado exclusivamente por petistas. O PMDB tampouco aceita que os petistas continuem se fazendo passar por bonzinhos na votação das medidas de ajuste fiscal, posicionando-se na defesa dos "interesses dos trabalhadores" e deixando o ônus da aprovação do pacote para os aliados.

Os arreganhos de Lula e do agitador Stédile mostram que a tigrada está cada vez mais isolada - e feroz - na aventura em que se meteu de arruinar o Brasil.

Fonte: O Estado de S. Paulo – Notas e Informações – Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015 – Pg. A3 – Internet: clique aqui.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

FALTA D'ÁGUA ATINGIRÁ 2,9 BILHÕES DE PESSOAS EM 10 ANOS

Agência EFE
Toronto (Canadá)

Relatório internacional adverte que, em 15 anos, a demanda mundial por água doce será 40% superior à oferta

Em 15 anos, a demanda mundial por água doce será 40% superior à oferta
Um relatório internacional divulgado nesta terça-feira, 24 de fevereiro, adverte que, em 15 anos, a demanda mundial por água doce será 40% superior à oferta. Os países mais deficitários serão os com menos recursos e populações jovens e em crescimento. O documento do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde (INWEH) da Universidade das Nações Unidas, com sede no Canadá, prevê que em 10 anos 48 países - e uma população de 2,9 bilhões de pessoas - estarão classificados como “com escassez ou com estresse de água”.

De acordo com o relatório, “é provável que novos conflitos apareçam conforme se extrai mais de cada vez mais rios do mundo até o ponto de não chegarem ao mar”. Um dos principais problemas apontados é a corrupção no desenvolvimento de infraestruturas aquíferas e sanitárias. Estima-se que 30% do financiamento destinado a desenvolver recursos potáveis acabem sendo desviados para outros fins. “Em muitos lugares do mundo, a corrupção está provocando uma hemorragia de recursos financeiros que poderiam e deveriam estar disponíveis para eliminar a pobreza e apoiar os objetivos de Desenvolvimento Sustentável (da ONU), particularmente os relacionados à água.”

“A corrupção não é só um ato criminoso. No contexto do desenvolvimento sustentável poderia ser vista como crime contra a humanidade”, acrescentou o relatório, intitulado “Water in the World We Want” [trad.: Água no Mundo que Queremos].

O diretor do INWEH, Zafar Adeel, declarou que “o impacto da corrupção na água é mais imediato e visível porque afeta as vidas e a saúde da população”. “Há uma relação direta entre a falta de condições de salubridade e água potável e as mortes infantis por diarreia em países em desenvolvimento.”

Os autores também consideram que as subvenções recebidas por setores como o energético e o agrícola devem ser dirigidas ao desenvolvimento de recursos potáveis. “A retirada de subsídios prejudiciais e improdutivos, incluídos os dados às companhias petrolíferas, assim como às de gás e carvão, liberaria o incrível valor de US$ 1,9 trilhão ao ano.”

Fonte: O Estado de S. Paulo – Planeta / Sustentabilidade – Quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015 – Pg. A15 – Internet: clique aqui.