«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 16 de janeiro de 2016

2º Domingo do Tempo Comum – Ano C – Homilia

Evangelho: João 2,1-11


Naquele tempo:
1 Houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente.
2 Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento.
3 Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: «Eles não têm mais vinho».
4 Jesus respondeu-lhe: «Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou.»
5 Sua mãe disse aos que estavam servindo: «Fazei o que ele vos disser».
6 Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros.
7Jesus disse aos que estavam servindo: «Enchei as talhas de água». Encheram-nas até a boca.
8 Jesus disse: «Agora tirai e levai ao mestre-sala». E eles levaram.
9 O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água.
10 O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: «Todo mundo serve primeiro o vinho melhor
e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!».
11 Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.

JOSÉ ANTONIO PAGOLA 

LINGUAGEM DE GESTOS

O evangelista João não diz que Jesus fez «milagres» ou «prodígios». Ele os chama «sinais» porque são gestos que apontam para algo mais profundo do que podem ver nossos olhos. Concretamente, os sinais que Jesus realiza, orientam para sua pessoa e nos revelam sua força salvadora.

O que aconteceu em Caná da Galileia é o começo de todos os sinais. O protótipo dos que Jesus levará a cabo ao longo de sua vida. Essa «transformação da água em vinho» nos propõe a chave para compreender o tipo de transformação que opera Jesus e que, em seu nome, oferecerão seus seguidores.

Tudo ocorre no contexto de um casamento, a festa humana por excelência, o símbolo mais expressivo do amor, a melhor imagem da tradição bíblica para evocar a comunhão definitiva de Deus com o ser humano. A salvação de Jesus Cristo deve ser vivida e oferecida pelos seus seguidores como uma festa que dá plenitude às festas humanas quando essas ficam vazias, “sem vinho” e sem capacidade de preencher nosso desejo de felicidade total.

O relato sugere algo mais. A água somente pode ser saboreada como vinho quando, seguindo as palavras de Jesus, é “retirada” de seis grandes talhas de pedra utilizadas pelos judeus para suas purificações. A religião da lei escrita em tábuas de pedra está exausta; não há água capaz de purificar o ser humano. Essa religião há de ser libertada pelo amor e a vida que comunica Jesus.

Não se pode evangelizar de qualquer maneira. Para comunicar a força transformadora de Jesus não bastam as palavras, são necessários os gestos. Evangelizar não é só falar, pregar ou ensinar; menos ainda, julgar, ameaçar ou condenar. É necessário atualizar, com fidelidade criativa, os sinais que Jesus fazia para introduzir a alegria de Deus fazendo mais alegre a vida dura daqueles camponeses.

A palavra da Igreja deixa muita gente, nos tempos de hoje, indiferente. Nossas celebrações aborrecem a muitos. Necessitam conhecer mais sinais próximos e amistosos por parte da Igreja para descobrir nos cristãos a capacidade de Jesus para aliviar o sofrimento e a dureza da vida.

Quem desejará escutar hoje aquilo que não se apresenta como notícia alegre, especialmente no caso de se invocar o evangelho com tom autoritário e ameaçador? Jesus Cristo é esperado por muitos como uma força e um estímulo para existir, e um caminho para viver de modo mais sensato e feliz. Se conhecem, somente, uma “religião aguada” e não podem saborear algo da alegria festiva que Jesus difundia, muitos seguirão distanciando-se.

VINHO BOM

Jesus é identificado, em geral, com o fenômeno que conhecemos por cristianismo. Hoje, no entanto, começa a abrir caminho uma outra atitude: Jesus é de todos, não somente dos cristãos. Sua vida e sua mensagem são patrimônio da Humanidade.

Ninguém no Ocidente teve um poder tão grande sobre os corações. Ninguém expressou melhor que ele as inquietações e interrogações do ser humano. Ninguém despertou tanta esperança. Ninguém comunicou uma experiência tão sadia de Deus, sem projetar sobre ele ambições, medos e fantasmas. Ninguém se aproximou da dor humana de maneira tão profunda e penetrante. Ninguém abriu uma esperança tão firme diante do mistério da morte e da finitude humana.

Dois mil anos nos separam de Jesus, porém sua pessoa e sua mensagem seguem atraindo os homens. É verdade que interessa pouco em alguns ambientes, porém também é certo que o andar do tempo não apagou sua força sedutora nem abafou o eco de sua palavra.

Hoje, quando as ideologias e religiões experimentam uma crise profunda, a figura de Jesus escapa de toda doutrina e transcende toda religião para convidar diretamente os homens e mulheres de hoje a uma vida mais digna, feliz e esperançosa.

Os primeiros cristãos experimentaram Jesus como fonte de vida nova. Dele recebiam um ânimo diferente para viver. Sem ele, tudo se transformava, novamente, em seco, estéril, apagado. O evangelista João redige o episódio das bodas de Caná para apresentar simbolicamente Jesus como portador de um «vinho novo», capaz de reavivar o espírito.

Jesus pode ser hoje fermento de nova humanidade. Sua vida, sua mensagem e sua pessoa convidam a inventar formas novas de vida saldável. Ele pode inspirar caminhos mais humanos em uma sociedade que busca o bem-estar sufocando o espírito e matando a compaixão. Ele pode despertar o gosto por uma vida mais humana nas pessoas vazias de interioridade, pobres de amor e necessitadas de esperança.

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: MUSICALITURGICA.COM – Homilías de José A. Pagola – Segunda-feira, 11 de janeiro de 2016 – 10h32 – Internet: clique aqui.

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