«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

domingo, 31 de janeiro de 2016

4º Domingo do Tempo Comum – Ano C – Homilia

Evangelho: Lucas 4,21-30


Naquele tempo:
Entrando Jesus na sinagoga disse:
21 «Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir.»
22 Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto
que saíam da sua boca. E diziam: «Não é este o filho de José?».
23 Jesus, porém, disse: «Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo.
Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum.»
24 E acrescentou: «Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria.
25 De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel.
26 No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia.
27 E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio.»
28 Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos.
29 Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até ao alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício.
30 Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.

JOSÉ ANTONIO PAGOLA 

NÃO NECESSITAMOS DE PROFETAS?

«Um grande profeta surgiu entre nós». Assim gritavam nas aldeias da Galileia, surpreendidos pelas palavras e gestos de Jesus. No entanto, não é isto que acontece em Nazaré quando Jesus se apresenta diante de seus concidadãos como ungido e como Profeta dos pobres.

Jesus observa primeiramente a admiração deles e, depois, a sua rejeição. Não se surpreende. Recorda-lhes um conhecido refrão: «Asseguro-vos que nenhum profeta é bem acolhido em sua terra». Depois, quando o expulsam fora do povoado e procuram acabar com ele, Jesus os abandona. O narrador diz que «passando pelo meio deles, continuou o seu caminho». Nazaré ficou sem o Profeta Jesus.

Jesus é e atua como profeta. Não é um sacerdote do Templo nem um mestre da lei. Sua vida faz parte da tradição profética de Israel. Diferentemente dos reis e sacerdotes, o profeta não é nomeado nem ungido por ninguém. Sua autoridade provém de Deus, empenhado em animar e guiar com seu Espírito o seu povo querido quando os dirigentes políticos e religiosos não sabem fazê-lo. Não é casual que os cristãos confessem Deus encarnada em um profeta.

As características do profeta são inconfundíveis. Em meio a uma sociedade injusta, onde os poderosos buscam seu bem-estar silenciando o sofrimento dos que choram, o profeta se atreve a ler e a viver a realidade a partir da compaixão de Deus pelos últimos. Sua vida inteira se converte em «presença alternativa» que critica as injustiças e convida à conversão e à mudança.

Por outro lado, quando a própria religião se acomoda a uma ordem de coisas injustas e seus interesses não mais correspondem aos de Deus, o profeta sacode a indiferença e o autoengano, critica a ilusão de eternidade e absoluto que ameaça toda religião e recorda a todos que só Deus salva. Sua presença introduz uma esperança nova, pois convida a pensar o futuro a partir da liberdade e do amor de Deus.

Uma Igreja que ignora a dimensão profética de Jesus e de seus seguidores corre o risco de ficar sem profetas. Preocupa-nos muito a escassez de sacerdotes e pedimos vocações para o serviço presbiteral. Por que não pedimos que Deus suscite profetas? Não necessitamos deles? Não sentimos necessidade de suscitar o espírito profético em nossas comunidades?

Uma Igreja sem profetas não corre o risco de caminhar surda aos apelos de Deus à conversão e à mudança? Um cristianismo sem espírito profético não tem o perigo de acabar controlado pela ordem, pela tradição ou pelo medo à novidade de Deus?

EDUCAR A VONTADE

Não está na moda falar de disciplina, esforço ou renúncia. Poucos se atrevem hoje a mostrar a importância que tem na vida a educação de uma vontade forte e robusta. Vivemos mais envolvidos naquilo que o catedrático de psiquiatria Enrique Rojas chama de «filosofia do desejo». Essa é a principal motivação que inspira a vida de muitas pessoas: «não gosto», «isto eu gosto», «aquilo eu não gosto».

Em poucos anos, cresceu de maneira alarmante o número de pessoas de vontade fraca, caprichosas e moles, incapazes de proporem-se metas e objetivos concretos. Homens e mulheres inconstantes que giram como cata-ventos de acordo com o vento do momento, levados e atraídos por aquilo que, em cada instante, lhes pede o corpo.

Buscam uma vida cômoda e prazerosa, porém lhes espera um futuro difícil. No amor não chegarão muito longe, pois não sabem o que é renunciar, nem conhecem a importância do sacrifício e da dedicação ao bem do outro. São como crianças mimadas e caprichosas que estragam qualquer relação baseada no amor e na entrega generosa.

Tampouco conseguirão nada de grande e nobre nos demais aspectos de sua vida. Jamais desenvolverão suas verdadeiras capacidades. Acomodar-se-ão na mediocridade e arrastarão onde quer que forem sua personalidade mal desenhada, fruto do abandono e da negligência.

O homem de hoje necessita recordar que a VONTADE é uma característica essencial do ser humano. Tanto como a razão. Inclusive, deve-se dizer que a pessoa com vontade chega mais longe em seu crescimento pessoal que quem é inteligente. A grandeza é quase sempre fruto da determinação e da tenacidade.

Educar a vontade é um trabalho que requer esforço diário. Deve-se empregar ferramentas tão concretas quanto a disciplina, a ordem, a constância e o entusiasmo. Deve-se saber renunciar à satisfação do imediato em função de metas futuras.

Porém, vale a pena. Cedo ou tarde, os frutos irão chegando. A pessoa se torna mais livre e mais dona de si mesma. Não se curva facilmente diante das dificuldades. Sua vida vai alcançando uma maturidade que enriquece àqueles que encontra pelo caminho.

O modelo mais claro o cristão encontra em Jesus, o qual é capaz de ser fiel à sua missão, apesar das rejeições e desprezos que encontra em seu caminho. O evangelista Lucas nos diz seus próprios vizinhos de Nazaré trataram de «precipitá-lo», porém ele «passou pelo meio deles» para continuar sua tarefa salvadora.

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: MUSICALITURGICA.COM – Homilías de José A. Pagola – Segunda-feira, 25 de janeiro de 2016 – 09h54 – Internet: clique aqui.

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