«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

“A religião e uma economia a serviço de 1%”

José María Castillo
Teólogo espanhol
Religión Digital
19-01-2016

“Não denuncio a perversão moral dos mais ricos e seus colaboradores. Denuncio a perversão do sistema. E denuncio, portanto, todos que desejam que este sistema funcione melhor. Porque isso é o mesmo que desejar que se aumente a desigualdade, o sofrimento e a devastação”

Em 18 de janeiro, 2016, tornou-se conhecido em todo o mundo o relatório da Oxfam*, que leva o título: “Uma economia a serviço de 1%”. Isto significa que a economia mundial está sendo gerida de maneira que se tornou o sistema econômico, político e jurídico mais violento e desonesto que a história já conheceu.

Nunca houve no mundo tantos tiranos, nem ditadores, dotados com um poder semelhante e de cuja conduta seguiram-se consequências tão mundialmente destrutivas e causadoras de tanta devastação, tanta humilhação, tanta desigualdade, tanto sofrimento e tanta morte. Nós não estamos falando sobre os campos de extermínio da Segunda Guerra Mundial. O que temos diante de todos, e aos olhos de todos, são as nações e continentes de extermínio, dos quais as 62 pessoas mais ricas do mundo (e seus mais próximos colaboradores) sabem que poderão seguir concentrando riqueza tanto quanto 3 bilhões de seres humanos, os quais se veem a cada ano mais limitados em suas possibilidades de seguir vivendo.

Com um agravante estremecedor. Não se trata somente de reduzir a população mundial pela metade. O que estamos vendo é que um genocídio, que ninguém poderia imaginar, está sendo levado adiante, aceitando inclusive que o planeta terra seja irremediavelmente destruído e reste sem remédio para sempre.

Não denuncio a perversão moral dos mais ricos e seus colaboradores. Denuncio a perversão do sistema. E denuncio, portanto, todos que desejam que este sistema funcione melhor. Porque isso é o mesmo que desejar que se aumente a desigualdade, o sofrimento e a devastação.

Por outro lado – e isto é o mais importante que quero destacar aqui –, eu me pergunto se neste desastre as RELIGIÕES têm responsabilidade. É claro que a têm:
1º) Por causa da responsabilidade que temos neste espantoso desastre, por sermos pessoas que nos consideramos cristãos.
2º) Por nosso silêncio diante das autoridades civis e autoridades religiosas.
3º) Porque, com frequência, “legitimamos” ao sistema colaborando com ele.
4º) Porque utilizamos a religião, com seus rituais e cerimônias para tranquilizar as nossas consciências.
5º) E se a tudo isto acrescentarmos a consciência de submissão e subordinação, que implica a experiência religiosa, entende-se que as hierarquias dominantes, em cada religião, veem-se legitimadas a viver na contradição de muitos líderes que, em muitos casos, vivem exatamente ao contrário do que representam e praticam.

A consequência, que se segue do que foi dito, torna-se cada dia mais preocupante. As religiões derivaram em sistemas de poder que, na situação atual, se quiserem se manter tal como sobrevivem agora, não têm mais remédio a não ser viverem integradas na contradição canalha do sistema dominante. E isto continuará sendo assim, por mais que as religiões preguem o contrário ou publiquem documentos de protesto ou denúncia. Enquanto as pessoas que creem não entrarem em contradição com este sistema devastador, inevitavelmente nos faremos cúmplices de suas consequências de destruição e morte.

* A Oxfam International é uma confederação de 13 organizações e mais de 3000 parceiros, que atua em mais de 100 países na busca de soluções para o problema da pobreza e da injustiça, através de campanhas, programas de desenvolvimento e ações emergenciais. Sob o nome de Oxford Committee for Famine Relief (Comitê de Oxford de Combate à Fome), foi fundada em Oxford, Inglaterra, em 1995 por um grupo liderado pelo cônego Theodore Richard Milford (1896-1987) e constituído por intelectuais quakers, ativistas sociais e acadêmicos de Oxford (Fonte: Wikipédia).

Traduzido do espanhol por Evlyn Louise Zilch. Para acessar a versão original deste artigo, clique aqui.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – Notícias – Quinta-feira, 21 de janeiro de 2016 – Internet: clique aqui.

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