«O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.»

(Aristóteles [384 a.C. – 322 a.C.] – filósofo grego, discípulo de Platão)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

CATEQUESE DE PAPA FRANCISCO SOBRE A MISERICÓRIA

“A misericórdia não pode ficar indiferente
diante do sofrimento dos oprimidos”

Rocío Lancho García

Francisco explicou que a misericórdia do Senhor torna o homem precioso, como uma riqueza pessoal que Lhe pertence, 
que Ele protege e com a qual se alegra
PAPA FRANCISCO
Recebe de um artista de circo uma lembrança durante a Audiência Geral desta
Quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O Papa Francisco se encontrou nesta quarta-feira com milhares de pessoas provenientes de todo o mundo, na Praça de São Pedro para a tradicional Audiência Geral. Depois de algumas semanas realizando a Audiência na Sala Paulo VI por causa do frio, esta semana voltou à Praça, para receber mais pessoas.

Com grande entusiasmo e emoção, os peregrinos receberam o Santo Padre em sua chegada a bordo do papamóvel. Depois de passar pelos corredores da Praça de São Pedro abençoando aos presentes, o Papa prosseguiu sua série de catequeses sobre a misericórdia.

Além disso, fez hoje um anúncio. O Pontifício Conselho Cor Unum, por ocasião do Jubileu da Misericórdia, promove um dia de retiro espiritual para grupos que se dedicam ao serviço da caridade. A jornada, que deve ser realizada em todas as dioceses durante Quaresma, será uma “ocasião para refletir sobre o chamado a ser misericordioso como o Pai”, explicou. Por isso, Francisco convidou a acolher esta proposta utilizando as instruções e manuais elaborados pelo Cor Unum.

No resumo feito em português, o Santo Padre Francisco indicou que como no texto da Sagrada Escritura lido ao início da catequese, “Deus escutou os gemidos dos filhos de Israel na servidão”: “Na sua misericórdia, atende o grito de socorro; não desvia o olhar para não ver, não é indiferente ao sofrimento humano”.

Ele explicou que “o Senhor intervém para salvar, suscitando homens capazes de ouvir o gemido do sofrimento e agir em favor dos oprimidos”. Como mediador de libertação para o seu povo, envia Moisés, “que vai ter com o Faraó para o convencer a deixar partir Israel e depois guia-o no caminho para a liberdade”.

Ele recordou que Moisés, quando era menino, “fora salvo das águas do rio Nilo pela misericórdia divina; e agora é feito mediador daquela mesma misericórdia a favor do seu povo, permitindo-lhe nascer para a liberdade salvo das águas do Mar Vermelho”.

E sublinhou que “a misericórdia de Deus atua sempre para salvar”. Através do seu servo Moisés, o Senhor guia Israel no deserto como se fosse um filho, educa-o na fé e faz aliança com ele criando um vínculo fortíssimo de amor, uma relação semelhante à que existe entre pai e filho e entre marido e esposa. “É uma relação particular, exclusiva, privilegiada de amor, fazendo dos israelitas «um reino de sacerdotes e uma nação santa», afirmou Francisco. [. . . ]

“A misericórdia divina torna o homem precioso, como um tesouro pessoal que pertence ao Senhor, que Ele guarda e no qual Se compraz. Tornamo-nos joias preciosas nas mãos do Pai bom e misericordioso”, afirmou Francisco.

Para encerrar a audiência, o Santo Padre dedicou algumas palavras aos jovens, doentes e recém-casados. Lembrando que amanhã [quinta-feira, 28 de janeiro] celebra-se a festa de São Tomás de Aquino, patrono das escolas católicas, o Papa pediu que seu exemplo impulsione os jovens “a enxergarem em Jesus misericordioso, o único mestre da vida”. Aos doentes expressou o desejo que a intercessão do santo obtenha para eles “a serenidade e a paz presentes no mistério da cruz”. Concluindo, pediu que a doutrina de São Tomás encoraje os recém-casados, a confiar na sabedoria do coração para realizar a missão confiada a eles.


PAPA FRANCISCO
Audiência Geral
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Na Sagrada Escritura, a misericórdia de Deus está presente ao longo de toda a história do povo de Israel.

Com a sua misericórdia, o Senhor acompanha o caminho dos Patriarcas, dá a eles filhos apesar da condição de esterilidade, os conduz por caminhos de graça e de reconciliação, como demonstra a história de José e dos seus irmãos (cf. Gn 37-50). E penso em tantos irmãos que se afastaram em uma família e não se falam. Mas esse Ano da Misericórdia é uma boa ocasião para se reencontrar, para se abraçar e se perdoar e esquecer as coisas ruins. Mas, como sabemos, no Egito a vida para o povo foi dura. E justamente quando os israelitas estão para sucumbir que o Senhor intervém e traz a salvação.

Lê-se no livro do Êxodo: “Muito tempo depois morreu o rei do Egito. Os israelitas, que gemiam ainda sob o peso da servidão, clamaram, e, do fundo de sua escravidão, subiu o seu clamor até Deus. Deus ouviu seus gemidos e lembrou-se de sua aliança com Abraão, Isaac e Jacó. Olhou para os israelitas e os reconheceu” (2,23-25). A misericórdia não pode ficar indiferente diante do sofrimento dos oprimidos, ao grito de quem está submetido à violência, reduzido à escravidão, condenado à morte. É uma dolorosa realidade que afeta toda época, inclusive a nossa, e que faz sentir muitas vezes impotentes, tentados a endurecer o coração e pensar em outra coisa. Deus, em vez disso, “não é indiferente” (Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2016, 1), nunca tira o olhar da dor humana. O Deus de misericórdia responde e cuida dos pobres, daqueles que gritam em seu desespero. Deus escuta e intervém para salvar, suscitando homens capazes de ouvir o gemido do sofrimento e de trabalhar em favor dos oprimidos.

É assim que começa a história de Moisés como mediador de libertação para o povo. Ele enfrenta o Faraó para convencê-lo a deixar partir Israel; e depois guiará o povo, pelo Mar Vermelho e pelo deserto, rumo à liberdade. Moisés, que a misericórdia divina salvou, logo que nascido, da morte nas águas do Nilo, se faz mediador dessa mesma misericórdia, permitindo ao povo nascer à liberdade salvo das águas do Mar Vermelho. E também nós, neste Ano da Misericórdia, podemos fazer este trabalho de ser mediadores de misericórdia com as obras de misericórdia para nos aproximarmos, para darmos alívio, para fazer unidade. Tantas coisas boas podem ser feitas.

A misericórdia de Deus age sempre para salvar. É tudo o contrário da obra daqueles que agem sempre para matar: por exemplo, aqueles que fazem a guerra. O Senhor, mediante o seu servo Moisés, guia Israel no deserto como se fosse um filho, educa-o à fé e faz aliança com ele, criando um laço de amor fortíssimo, como aquele do pai com o filho e do esposo com a esposa.

Chega a tanto a misericórdia divina. Deus propõe uma relação de amor particular, exclusivo, privilegiado. Quando dá instruções a Moisés sobre a aliança, diz: “Se obedecerdes à minha voz e guardardes a minha aliança, sereis o meu povo particular entre todos os povos. Toda a terra é minha, mas vós me sereis um reino de sacerdotes e uma nação consagrada” (Ex 19,5-6).

Certo. Deus já possui toda a terra porque a criou; mas o povo se torna para Ele uma posse diferente, especial: a sua pessoal “reserva de ouro e prata”, como aquela que o Rei Davi afirmava ter dado para a construção do Templo.

Bem, assim nos tornamos para Deus acolhendo a sua aliança e deixando-nos salvar por Ele. A misericórdia do Senhor torna o homem precioso, como uma riqueza pessoal que Lhe pertence, que Ele protege e com a qual se alegra.

São essas as maravilhas da misericórdia divina, que chega a pleno cumprimento no Senhor Jesus, naquela “nova e eterna aliança” consumada no seu sangue, que com o perdão destrói o nosso pecado e nos torna definitivamente filhos de Deus (cf. 1Jo 3,1), joias preciosas nas mãos do Pai bom e misericordioso. E se nós somos filhos de Deus e temos a possibilidade de termos essa herança – aquela da bondade e da misericórdia – no confronto com os outros, peçamos ao Senhor que neste Ano da Misericórdia também nós façamos obras de misericórdia; abramos o nosso coração para chegarmos a todos com as obras de misericórdia, a herança misericordiosa que Deus Pai teve conosco.

Fonte: ZENIT.ORG – Política – Quarta-feira, 27 de janeiro de 2016 – Internet: clique aqui; e aqui.

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