«Daqui a alguns anos estarás mais arrependido pelas coisas que não fizeste do que pelas que fizeste. Solta as amarras! Afasta-se do porto seguro! Agarra o vento em suas velas! Explora! Sonha! Descubra!»

(Mark Twain [1835-1910] – escritor e humorista norte-americano)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

CATEQUESE DO PAPA SOBRE A MISERICÓRDIA

Jéssica Marçal

Na Audiência Geral desta quarta-feira, Francisco iniciou um ciclo
de catequeses sobre a misericórdia:
«Porque Deus é grande e poderoso, mas esta grandeza e poder se desdobram em nos amar, nós assim tão pequenos, tão incapazes.»
PAPA FRANCISCO
Durante a Audiência Geral desta quarta-feira (13/01/2016) segura uma criança no colo

O Santo Padre aborda o assunto segundo a perspectiva bíblica, de modo a aprender a misericórdia a partir do que o próprio Deus ensina com sua Palavra.

Francisco começou pelo Antigo Testamento, que prepara à revelação plena de Jesus. Ele explicou que, na Sagrada Escritura, o Senhor é apresentado como “Deus misericordioso”, nome através do qual revela a sua face e o seu coração.

Essa palavra – “O Senhor é misericordioso” evoca uma atitude de ternura, disse Francisco, como o comportamento de uma mãe com seus filhos. “A imagem que sugere é aquela de um Deus que se comove por nós como uma mãe quando toma o filho nos braços, querendo somente amar, proteger, ajudar, pronta a doar tudo, até a si mesma”.

Outra imagem que a Sagrada Escritura apresenta para Deus, explicou o Papa, é de piedade, ou seja, que tem compaixão e, na sua grandeza, se inclina aos frágeis e pobres, sempre pronto a acolher. Além disso, é lento na ira, ou seja, é paciente. E por fim, Deus se proclama grande no amor e na fidelidade, o que Francisco disse que é uma bela definição.

“Aqui está tudo. Porque Deus é grande e poderoso, mas esta grandeza e poder se desdobram em nos amar, nós assim tão pequenos, tão incapazes. A palavra ‘amor’ aqui utilizada indica o afeto, a graça, a bondade. Não é amor de telenovela…É amor que dá o primeiro passo, que não depende dos méritos humanos, mas de uma imensa gratuidade”.

O Santo Padre lembrou aos fiéis que Deus é fiel na sua misericórdia e uma presença sólida e estável, e essa é a certeza da fé. “Então, nesse Jubileu da Misericórdia, confiemo-nos totalmente a Ele e experimentemos a alegria de sermos amados por esse Deus misericordioso e piedoso, lento na ira e grande no amor e na fidelidade”.

Leia, abaixo, a íntegra desta catequese papal:


PAPA FRANCISCO
AUDIÊNCIA GERAL
C A T E Q U E S E
Sala Paulo VI – Vaticano
Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2016

Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje começamos as catequeses sobre a misericórdia segundo a perspectiva bíblica, de maneira a aprender a misericórdia, ouvindo aquilo que o próprio Deus nos ensina mediante a sua Palavra. Comecemos a partir do Antigo Testamento, que nos prepara e nos conduz à plena revelação de Jesus Cristo, em quem se manifesta a misericórdia do Pai.

Na Sagrada Escritura, o Senhor é apresentado como «Deus misericordioso». Este é o seu nome, através do qual Ele nos revela, por assim dizer, a sua face e o seu coração. Como narra o Livro do Êxodo, revelando-se a Moisés, Ele mesmo assim se define: «Deus compassivo e misericordioso, lento para a ira, rico em bondade e em fidelidade» (34,6). Inclusive noutros textos voltamos a encontrar esta fórmula, com algumas variações, não obstante se ponha sempre a ênfase na misericórdia e no amor de Deus, que nunca se cansa de perdoar (cf. Gn 4,2; Gl 2,13; Sl 86,15; 103,8; 145,8; Ne 9,17). Vejamos juntos, uma por uma, estas palavras da Sagrada Escritura que nos falam de Deus.

O Senhor é «misericordioso»: este vocábulo evoca uma atitude de ternura, como a de uma mãe pelo seu filho. Com efeito, o termo hebraico usado pela Bíblia leva a pensar nas vísceras, ou então no ventre materno. Por isso, a imagem que sugere é a de um Deus que se comove e sente ternura por nós, como uma mãe quando pega o seu filho ao colo, unicamente desejosa de amar, proteger e ajudar, pronta a doar tudo, até a si mesma. Esta é a imagem que este termo sugere. Portanto, um amor que se pode definir, no bom sentido, «visceral».

Depois, está escrito que o Senhor é «compassivo», no sentido que concede a graça, tem compaixão e, na sua grandeza, se debruça sobre quantos são frágeis e pobres, sempre pronto a acolher, compreender e perdoar. É como o pai da parábola tirada do Evangelho de Lucas (cf. Lc 15,11-32): um pai que não se fecha no ressentimento pelo abandono do filho mais novo mas, ao contrário, continua a esperar por ele — foi ele que o gerou! — e depois corre ao seu encontro e abraça-o, nem sequer o deixa terminar a sua confissão — como se lhe tapasse a boca — tão grandes são o amor e a alegria por o ter reencontrado; e em seguida vai chamar também o filho mais velho, que se sente indignado e não quer festejar, o filho que permaneceu sempre em casa mas vivia mais como um servo do que como um filho, e o pai debruça-se inclusive sobre ele, convida-o a entrar e procura abrir o seu coração ao amor, a fim de que ninguém seja excluído da festa da misericórdia. A misericórdia é uma festa!

Deste Deus misericordioso também se diz que é «lento para a ira», literalmente, tem um «longo respiro», ou seja, o amplo respiro da longanimidade e da capacidade de suportar. Deus sabe esperar, os seus tempos não são os tempos impacientes dos homens; Ele é como o sábio agricultor que sabe esperar, dá tempo à boa semente para crescer, não obstante o joio (cf. Mt 13,24-30).

E finalmente, o Senhor proclama-se «rico em bondade e em fidelidade». Como é bonita esta definição de Deus! Ela contém tudo. Porque Deus é grande e poderoso, mas esta grandeza e poder revelam-se no amor a nós, que somos tão pequeninos, tão incapazes. A palavra «amor», aqui utilizada, indica o carinho, a graça, a bondade. Não se trata do amor das telenovelas... É o amor que dá o primeiro passo, que não depende dos méritos humanos, mas de uma imensa gratuidade. É a solicitude divina que nada pode impedir, nem sequer o pecado, porque ela sabe ir mais além do pecado, derrotar o mal e perdoá-lo.

Uma «fidelidade» sem limites: eis a derradeira palavra da revelação de Deus a Moisés. A fidelidade de Deus nunca esmorece, porque o Senhor é o Guardião que, como recita o Salmo, não adormece mas vigia continuamente sobre nós, para nos levar à vida:

«Ele não permitirá que os teus pés vacilem;
não adormecerá aquele que te guarda.
Não, não dormirá, não cairá no sono
a sentinela de Israel.
[...].
O Senhor proteger-te-á de todo o mal;
Ele velará sobre a tua alma.
O Senhor guardará os teus passos,
agora e para sempre» (Sl 121,3-4.7-8).

Este Deus misericordioso é fiel na sua misericórdia e são Paulo diz algo muito bonito: ainda que tu não lhe sejas fiel, contudo Ele permanecer-te-á fiel, porque não pode renegar-se a si mesmo. A fidelidade na misericórdia é precisamente o ser de Deus. E por isso Deus é totalmente e sempre confiável. A sua presença é firme e estável. Eis em que consiste a certeza da nossa fé. E então, neste Jubileu da Misericórdia, confiemo-nos inteiramente a Ele, e experimentemos a alegria de ser amados por este «Deus compassivo e misericordioso, lento para a ira, rico em bondade e em fidelidade».

Fontes: Canção Nova – Especiais – Papa Francisco – Catequese – Quarta-feira, 13 de janeiro de 2016 11h06 – Internet: clique aqui; e Site Oficial do Vaticano – Francisco – Audiências 2016 – Quarta-feira, 13 de janeiro de 2016 – Internet: clique aqui.

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