«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

DILMA: BRINCANDO COM O BRASIL ! ! !

Deu “zika” na Saúde

Eliane Cantanhêde

Quem é mesmo o Ministro da Saúde?
MARCELO CASTRO
Médico, Deputado Federal do Piauí pelo PMDB e atual Ministro da Saúde

O carnaval nem começou e a Olimpíada será só no segundo semestre, mas o mosquito Aedes Aegypti já está sambando e batendo um bolão pelo Brasil afora:
* Em 2014, o País passou a conviver com o vírus chikungunya.
* Em 2015, bateu o recorde histórico de casos de dengue.
* Em 2016, já começou o ano com o zika vírus nas manchetes e contabilizando mais de 3 mil casos de microcefalia. Espantoso!

A dengue existe desde sempre no mundo, o chikungunya também não é exclusividade brasileira, o zika vem se espalhando por mais de 20 países e a febre amarela está controlada. (Ela também é transmitida pelo Aedes, mas com uma diferença vital: há vacina eficaz.) O mais espantoso, portanto, é tudo isso junto e o Brasil chegar a esse estado de calamidade tendo quem tem no Ministério da Saúde.

Enquanto as cúpulas do PT, do PMDB e do PP se refestelavam no mensalão, na Petrobrás, em outras estatais, no Carf, na edição de medidas provisórias, nos fundos de pensão e na relação do BNDES com as “campeãs nacionais”, tudo o que sobrou para empurrar na Saúde foi Marcelo Castro.

Quem é mesmo esse cidadão?
Um médico renomado, respeitado e admirado pela própria categoria?
Especialista de um dos centros de excelência do Brasil, com experiência comprovada em saúde pública?
Ou um político com grande liderança?
Nada disso. Marcelo Castro é um médico sem currículo, um político medíocre, um deputado do “baixo clero”, que só virou o que virou porque o inexpressivo líder do PMDB, Leonardo Picciani, indicou e a errática presidente da República, Dilma Rousseff, nomeou. Agora, aguentem! Ou melhor: agora, brasileiros, aguentem!
EDUARDO PICCIANI (PMDB-RJ) E DILMA ROUSSEFF:
O líder inexpressivo do PMDB indicou e Dilma aceitou o nome de
Marcelo Castro para Ministro da Saúde

Sem ter o que dizer aos cidadãos, apavorados com dengue, zika e chikungunya, e aos especialistas em Saúde, que precisam de orientação, coordenação, recursos e decisão política, o nosso Marcelo Castro se dedica a... falar, falar e falar sobre o que não sabe. Na falta do que dizer, improvisa.

Primeiro, horrorizou brasileiros e brasileiras ao “torcer” para que as mulheres pegassem o zika ainda meninas: “Vamos torcer para que mulheres, antes de entrar no período fértil, peguem a zika, para elas ficarem imunizadas pelo próprio mosquito. Aí, não precisa da vacina”. Agora, chocou o mundo e irritou Dilma ao dizer uma singela verdade: “nós estamos com o Aedes há décadas aqui e estamos perdendo feio a batalha para o mosquito”. A Organização Mundial da Saúde (OMS) desconversou, considerando a fala do ministro brasileiro “algo fatalista”. E Dilma descabelou-se. Mas a culpa de ter um ministro desses é de quem?

O Brasil discute com os Estados Unidos um acordo de cooperação visando ampliar as pesquisas comuns sobre vacina da dengue para uma futura vacina contra o zika, com participação de outros países que se interessarem. Mas isso, repita-se, é coisa para o futuro.

No presente, a situação é fora de controle, com as grávidas brasileiras querendo fugir para locais mais seguros e os estrangeiros refletindo se é mesmo o caso de vir para o carnaval e a Olimpíada, com dengue sambando, chikungunya em campo, zika treinando dia e noite e um ministro da Saúde que é um caso para junta médica.

Depois do mensalão, do petrolão, da Zelotes, do escândalo do Carf, de Eduardo Cunha na presidência da Câmara, Renan Calheiros na do Senado e Picciani na liderança do maior partido... Marcelo Castro é a personificação da falência não de um governo, mas de um sistema.

Conselhão

Dilma reúne na quinta-feira [28/01]  ministros, pesos-pesados das finanças, líderes da indústria e do comércio, o homem mais rico do Brasil e até o nosso Wagner Moura. Para que, além da foto? Ela tem de conciliar combate à recessão e à inflação; dar crédito para quem não quer crédito; agradar aos gregos do pragmatismo e aos troianos alinhados com o PT. No fim, combinar com os russos: o Congresso. Vai dar certo?

Pastel de vento

Dora Kramer

Senhora de si, Dilma não ouve ninguém e não será ao “Conselhão”
que vai escutar 
Presidente Dilma Rousseff discursa durante 39ª Reunião Ordinária do Pleno do
Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social - CDES.
(Brasília - DF, 30/08/2012)

O nome é pomposo: Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social [CDES]. A proposta, tão grandiosa (e vazia) quanto: “Assessorar o presidente da República na formulação de políticas e diretrizes específicas, e apreciar sugestões de políticas públicas, de reformas estruturais e desenvolvimento econômico-social que lhe sejam submetidas pelo presidente com vista à articulação das relações do governo com representantes da sociedade”.

A produção, um zero à esquerda. Criado em maio de 2003, o chamado “Conselhão” nunca pôs para funcionar um táxi no Brasil, muitíssimo menos determinou a definição dos grandes rumos do País ou “alargou de forma inédita a interlocução entre o governo e a sociedade”, conforme informa o balanço de atividades na página do CDES na internet.

Útil como peça publicitária no início da gestão Luiz Inácio da Silva, o conselho revelou-se inútil na prática. O que os conselheiros falavam nas reuniões entrava por um ouvido do governo e saía pelo outro. As poucas sugestões acatadas – como a concessão de crédito consignado – jamais foram atribuídas ao colegiado, mas apresentadas como iniciativas do então presidente.

Pois agora Dilma Rousseff anuncia a retomada desse foro de debates que se reúne amanhã, repaginado. Saem, por exemplo, executivos de empreiteiras e entram representantes de entidades de classe de empregados e empregadores. Para a função de cereja do bolo foi convidado o ator Wagner Moura.

A agenda, de novo, é ambiciosa: a definição de “estratégias para retomar o crescimento sem afetar o ajuste fiscal”. A ideia sugerida é a de debater propostas para a composição das medidas de recuperação da economia a serem anunciadas em fevereiro. Ora, ora, sabemos todos e sabem muito mais ministros, governadores, parlamentares governistas e políticos oposicionistas, quais são as bases do diálogo continuamente prometido e jamais praticado pela presidente da República, a quem cairia bem o codinome senhora de si.

Nessa condição, não ouve ninguém. É conhecido seu hábito de convocar reuniões com propósito exclusivo de se fazer ouvir. Não será, portanto, aos 90 conselheiros do CDES que abrirá os ouvidos.

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Fonte: O Estado de S. Paulo – Política – Quarta-feira, 27 de janeiro de 2016 – Págs. A6 e A8 – Internet: clique aqui; e aqui.

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