«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

ECONOMIA MUNDIAL CONTINUA EM CRISE!

Economia global enfrenta seu maior desafio
desde a crise de 2008

Alicia González

Às dúvidas sobre a China se somam a queda do preço do petróleo
e a desconfiança com os emergentes
Campo de exploração de petróleo no Bahrein - Oriente Médio

O tom de chumbo que predominou nas reuniões desta edição do Fórum Econômico Mundial [em Davos, na Suíça] tem uma explicação imediata: muitos dos participantes perdiam bilhões na Bolsa enquanto estavam na reunião na Suíça.
* As dúvidas em torno da China surgem como primeira explicação, mas não a única.
* As previsões de crescimento são progressivamente reduzidas,
* a queda do preço do petróleo ameaça provocar uma onda de quebras no setor,
* os países emergentes têm que lidar com uma crescente desconfiança dos investidores, e
* as moedas despontam como próximo ponto de conflito entre as economias.
NOURIEL ROUBINI:
economista estadunidense, de origem judaico-iraniana,
da Stern School of Business da Universidade de Nova York, desde 2009.
É também presidente do grupo de consultoria Roubini Global Economics Monitor,
especializado em análise financeira.
 

Não é 2008... ainda. Mas os Governos precisam agir rápido”, alertou num dos debates em Davos o economista Nouriel Roubini, apelidado de Doutor Catástrofe. Roubini perdeu parte de sua autoridade em razão de seu pessimismo empedernido, mas suas palavras não caem nunca totalmente no vazio. Com uma queda do índice acionário norte-americano S&P 500 de 6,7% neste ano, não é de estranhar que os executivos de Davos passem por episódios de ansiedade. O Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou logo antes da reunião na Suíça uma redução das previsões globais de crescimento, para 3,4% neste ano e 3,6% no próximo, 0,2 ponto percentual abaixo do previsto em outubro e o terceiro corte em menos de um ano. “Em 2016 o crescimento será modesto e desigual. Há um otimismo moderado, mas os riscos são significativos”, disse no sábado a diretora gerente do FMI, Christine Lagarde.

Os investidores estão desconfiados, e a prova disso é que pedem juros mais altos para os empréstimos de curto prazo que no horizonte de dez anos, fato que é chamado de curva invertida de taxas de juro e é um dos indicadores que sinalizam uma recessão. Embora nem sempre, segundo o presidente da empresa de investimentos Bridgewater, Ray Dalio, que considera mais provável que a economia continue sofrendo com uma notável fraqueza. “Mas, caso tenhamos uma recessão, ela será mais difícil de reverter. Este é o momento de maior desafio desde a crise financeira”, explica, numa sala com lareira e vista para a montanha que, por estes dias, é seu escritório temporário.
RAY DALIO:
é um empresário americano e fundador da empresa de investimentos
Bridgewater Associates. Em 2012, Dalio apareceu na lista anual Time 100
como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.
Em 2011 e 2012 ele foi listado pela Bloomberg Markets como uma das
50 pessoas mais influentes. Alpha da Institutional Investor classificou-o
em segundo lugar na sua lista dos mais ricos de 2012.
De acordo com a Forbes, ele era a trigésima pessoa mais rica
na América e a 69ª pessoa mais rica do mundo, com um patrimônio líquido
de 15 bilhões e 200 milhões de dólares partir de outubro 2014.

A bala de prata que se acreditava estar nos bancos centrais e nas novas medidas de estímulo monetário não consegue tirar da letargia a economia global. “Apesar da enorme quantidade de dinheiro posta em circulação ao longo destes anos, as pressões deflacionárias são constantes”, diz Dalio, que põe o dedo na ferida de um dos temores mais profundos dos analistas: a falta de ferramentas para responder a uma nova crise.

Na atual conjuntura, todas as estradas levam à China. A transição para um modelo de maior demanda interna e os passos em direção a maior abertura financeira estão se mostrando uma combinação difícil de manejar para Pequim – e difícil de interpretar, para os investidores. As autoridades chinesas em Davos insistiram que a segunda maior economia do mundo está se adaptando a uma nova normalidade, de crescimento mais baixo, e que se trata de um problema somente na hora de comunicar suas políticas. “O setor financeiro está mais desconectado que nunca da economia real”, afirmou Shi Wenchao, presidente da Unionpay. Mas há uma longa lista de tarefas ainda a resolver. “A China precisa reestruturar suas dívidas e sua economia, que se está debilitando e exige um relaxamento da política monetária, enquanto está sofrendo uma considerável saída de capitais”, rebate Dalio.

A desaceleração provocada por esse caminho para uma nova normalidade chinesa provocou um terremoto nos mercados de matérias-primas, como mostra o colapso do petróleo. “A baixa do preço do petróleo vai forçar muitas empresas a suspender pagamentos, e isso vai trazer muita instabilidade”, disse Larry Fink, presidente da maior gestora de ativos do mundo, a BlackRock. Após uma quebra de empresas fica uma dívida sem pagar, e os balanços dos bancos não têm condição de suportar maiores exigências de capital.
SHI WENCHAO:
Economista chinês - Presidente da UnionPay

Fuga de capitais na China

O Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês) revelou que, pela primeira vez na história recente, a China sofreu no ano passado uma saída de capitais, de 676 bilhões de dólares, 90% de todos os fluxos que deixaram os mercados emergentes (735 bilhões de dólares). A entidade prevê outro saldo negativo para este ano, de 448 bilhões de dólares. “As perspectivas para esses países ficam mais sombrias”, afirmou o presidente do IIF, Tim Adams. O futuro escurece, e as moedas se desvalorizam, o que deixa em sérios apuros as economias com elevada dívida em dólares, como Brasil, África do Sul e Turquia.

“A situação na América Latina se parece cada vez mais com a crise da dívida dos anos oitenta, embora ela não deva ser tão danosa”, afirma Dalio. Se houve algum consenso em Davos é que as quatro reduções de taxas de juros esperadas do Federal Reserve (banco central dos EUA) serão diminuídas para no máximo duas. A combinação de dólar forte e pressões deflacionárias pode ser fatal para a recuperação. “O dólar pode aguentar durante um tempo, acho que em torno de um ano, como a moeda forte”, crava o financista.

Três semanas de vertigem nos mercados

Bolsas em baixa. Apesar da recuperação nas duas últimas sessões, as quedas nos principais índices mundiais rondam os dois dígitos neste início de 2016. Desde 1º de janeiro, Milão perdeu 11%, Frankfurt caiu quase 10%, Madri, 8%, e Paris, 6%. Do outro lado do Atlântico, Wall Street recua 7%.

Petróleo mergulhando. Embora desde quinta-feira o barril de petróleo brent, referência na Europa, tenha repicado 14%, no ano acumula perda de 13%, valendo em torno de 30 dólares.

Alta nos portos seguros. Diante das turbulências, os investidores tentam se proteger da volatilidade, e ativos tradicionalmente seguros, como o ouro (3,5%), o iene (1,5%) e o bônus alemão (2%) fazem o caminho contrário ao das Bolsas.

Fonte: El País – Economia – Domingo, 24 de janeiro de 2016 – 15h26 – Internet: clique aqui.

Mídia se alia a economistas na “cegueira
institucional” sobre a crise do capitalismo

Marcio Pochmann*

Oito anos após o seu início, a crise global continua sem solução, aproxima-se de sua quarta onda de manifestação, mas o tema nem sequer é considerado pelas instituições multilaterais do planeta
New York Stock Exchange - Bolsa de Valores de Nova York
O mundo das finanças não aprendeu a lição da crise de 2008!

Segue impressionante o grau de subordinação ideológica dos analistas e comentaristas econômicos e da mídia em geral na produção e difusão de análises acerca do curso atual da mais grave crise do capitalismo desde a década de 1930. Oito anos após o seu início, a crise de dimensão global continua sem solução, aproximando-se para a sua quarta onda de manifestação e sem que o tema nem sequer seja considerado nas previsões das mais importantes instituições multilaterais do planeta.

Aliás, cegueira situacional – como a recentemente demonstrada pelo FMI – se mostra imutável no tempo presente. Não foram capazes de prever a crise de global em 2008, muito menos as suas ondas subsequentes de manifestações. Agora, um relatório daquela instituição sobre o panorama mundial para os anos de 2016 e 2017 atribui a culpa pela péssima situação econômica mundial ao Brasil e à China, principalmente.

[1ª onda de manifestação da crise econômica mundial:]

O grau de alienação não tem limite. Não se pode esquecer que a primeira onda da crise global se deu entre os anos de 2008 e 2009, tendo por origem a insolvência dos contratos habitacionais (subprime) dos Estados Unidos da América [EUA]. Até hoje não houve correções significativas dos erros resultantes das políticas neoliberais de desregulamentação adotadas naquele país e que foram ocasionadoras da própria crise.
Este interessante e oportuno livro de
MICHAEL LEWIS está na segunda edição no
Brasil, publicado pela "Best Business", selo
da Ed. Record

Abordagem nesse sentido pode ser vista, por exemplo, tanto no livro de Michael Lewis (The Big Short, de 2010) como no filme de 2015 dirigido por A. McKay, A Grande Aposta (ou A Queda de Wall Street, em Portugal).

Apesar da gravidade dos fatos, praticamente nada de relevante mudou nas regras especulativas do capitalismo, assim como as denominadas agências de risco [as principais são: Moody’s, Fitch Ratings, Standard & Poor’s] seguem vendendo avaliações de acordo com o perfil do comprador e, portanto, distante da realidade (seria o Brasil um péssimo comprador das chamadas avaliação de riscos por parte destas agências?).

Apesar de:
* mais de oito milhões de trabalhadores estadunidenses terem sido desempregados,
* da queda significativa na renda salarial,
* do aumento da pobreza e da desigualdade e
* da quebra em série de empresas e bancos desde 2008,
Wall Street continua a ser referenciada e dominante, inclusive na lógica partidária estadunidense. Depois a mídia submissa estranha quando o senador Bernie Sanders, o candidato socialista e opositor de Hillary Clinton no Partido Democrata, avança com discursos críticos a Wall Street.

[2ª onda de manifestação da crise econômica mundial:]

Para além dos EUA, lembremos que a segunda onda de manifestações da crise global transcorreu nos anos de 2011 e 2012, na Europa, frente à exposição das finanças públicas degeneradas por ajudas aos setores privados combalidos, após estes últimos entesourarem recursos públicos recebidos, sem reaplicá-los na produção.

[3ª onda de manifestação da crise econômica mundial:]

Por fim, a terceira onda, que envolve os Brics [acrônimo para: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] e vem desde 2015. Justamente eles, que adotaram políticas anticíclicas** na expectativa de que a crise capitalista fosse de curta duração, conforme verificado na Rússia, China e Brasil.

No Brasil, a sequência da política econômica de apoio com recursos públicos "de pai para filho" não se mostrou suficiente para reanimar o paciente do setor privado, motivando-o ao investimento produtivo. Pelo contrário, a injeção de mais de 100 bilhões anuais de recursos públicos no setor privado alimentou mais a especulação nos mercados financeiros e à dependência à importação.

[4ª onda de manifestação da crise econômica mundial:]

A partir da decisão do banco central dos Estados Unidos, de recentemente retomar a trajetória de elevação da taxa de juros, caminha-se para uma quarta onda de manifestação da crise de dimensão global. O acelerador dessa crise permanece sendo a enorme e crescente assimetria [desequilíbrio] entre o ritmo dos ganhos do setor financeiro, sem contrapartida na economia real.

Os ativos financeiros não se constituem enquanto riqueza propriamente dita, sendo muito mais um acesso à riqueza real. Esta discrepância se mantém dialeticamente sob a grave ameaça de continuidade da própria trajetória do capitalismo neste início do século 21.

* MARCIO POCHMANN é professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, ambos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

** Política anticíclica é aquela que se dispõe a criar condições para que a economia produza efeitos compensatórios diante de desequilíbrios macroeconômicos. Se [a economia] estiver crescendo demais, acionam-se mecanismos para reduzir a atividade, como retração do crédito, aumento de impostos e dos juros. Se ocorrer o oposto, como agora, é só dar um cavalo de pau: emissões de moeda, redução de impostos, expansão do crédito, desvalorização cambial para empurrar exportações... (Fonte: clique aqui).

Fonte: Rede Brasil Atual – Ondas – Domingo, 24 de janeiro de 2016 – 14h31 – Internet: clique aqui.

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