«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

2º Domingo da Quaresma – Ano C – Homilia

Evangelho: Lucas 9,28b-36


Naquele tempo:
28b Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para rezar.
29 Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante.
30 Eis que dois homens estavam conversando com Jesus: eram Moisés e Elias.
31 Eles apareceram revestidos de glória e conversavam sobre a morte, que Jesus iria sofrer em Jerusalém.
32 Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele.
33 E quando estes homens se iam afastando, Pedro disse a Jesus: «Mestre, é bom estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.» Pedro não sabia o que estava dizendo.
34 Ele estava ainda falando, quando apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. Os discípulos ficaram com medo ao entrarem dentro da nuvem.
35 Da nuvem, porém, saiu uma voz que dizia: «Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!».
36 Enquanto a voz ressoava, Jesus encontrou-se sozinho. Os discípulos ficaram calados e naqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto.

JOSÉ ANTONIO PAGOLA

ESCUTAI-O

A cena é considerada tradicionalmente como «a transfiguração de Jesus». Não é possível reconstruir com certeza a experiência que deu origem a este surpreendente relato. Somente sabemos que os evangelistas lhe dão grande importância, pois, segundo seu relato, é uma experiência que deixa entrever algo da verdadeira identidade de Jesus.

Em primeiro lugar, o relato destaca a transformação de seu rosto e aqueles que vêm conversar com ele Moisés e Elias, talvez como representantes da Lei e dos Profetas respectivamente, somente o rosto de Jesus permanece transfigurado e resplandecente no centro da cena.

Ao que parece, os discípulos não captam o conteúdo profundo do que estão vivendo, pois Pedro diz a Jesus: «Mestre, que bom estarmos aqui. Façamos três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias». Coloca Jesus no mesmo plano e no mesmo nível que os grandes personagens bíblicos. A cada um sua tenda. Jesus não ocupa ainda um lugar central e absoluto em seu coração.

A voz de Deus lhe corrigirá, revelando a verdadeira identidade de Jesus: «Este é meu Filho, o escolhido», Ele que tem o rosto transfigurado. Não deve ser confundido com os de Moisés e Elias, que estão apagados. «Escutai o que Ele diz». A ninguém mais. Sua Palavra é a única decisiva. As outras não levarão até Ele.

É urgente recuperar na Igreja atual a importância decisiva que teve em seus inícios a experiência de escutar no seio das comunidades cristãs o relato de Jesus recolhido nos evangelhos. Estes quatro escritos constituem para os cristãos uma obra única que não podemos equiparar ao restante dos livros bíblicos.

Há algo que somente nos evangelhos podemos encontrar: o impacto causado por Jesus nos primeiros que se sentiram atraídos por ele e lhe seguiram. Os evangelhos não são livros didáticos que expõem uma doutrina acadêmica sobre Jesus. Tampouco, biografias redigidas para informar com detalhes sobre a trajetória histórica de Jesus. São «relatos de conversão» que convidam à mudança, ao seguimento de Jesus e à identificação com o seu projeto.

Por isso, os evangelhos pedem para ser ouvidos em atitude de conversão. É nessa atitude que devem ser lidos, pregados, meditados e guardados no coração de cada pessoa que crê e de cada comunidade. Uma comunidade cristã que sabe escutar cada domingo o relato evangélico de Jesus em atitude de conversão, começa a transformar-se. A Igreja não tem um potencial mais vigoroso de renovação que aquele que se encerra nos quatro pequenos livros [evangelhos].
 
MÉTODO DA "LEITURA ORANTE DA BÍBLIA"
Consiste em cinco passos:
1º. Leitura, 2º. Meditação, 3º. Oração, 4º. Contemplação e 5º. Ação (conversão)
ONDE ESCUTAR JESUS?

Entre todos os métodos possíveis de ler a Palavra de Deus, está sendo valorizado cada vez mais em alguns setores cristãos o método chamado LECTIO DIVINA, muito apreciado em outros tempos, sobretudo nos mosteiros. Consiste em uma leitura meditada da Bíblia, orientada diretamente a suscitar o encontro com Deus e a escuta de sua Palavra no fundo do coração. Esta forma de ler o texto bíblico exige dar diversos passos.

O primeiro passo é LER O TEXTO tratando de captar seu sentido original, para evitar qualquer interpretação arbitrária ou subjetiva. Não é legítimo fazer a Bíblia dizer qualquer coisa, deturpando seu sentido real. Temos de compreender o texto empregando todas as ajudas que tenhamos à mão, ou seja: uma boa tradução do texto bíblico [uma boa edição da Bíblia Sagrada], as notas de rodapé da Bíblia, algum comentário bíblico simples.

Um outro passo é a MEDITAÇÃO. Agora, trata-se de acolher a Palavra de Deus meditando-a no fundo do coração. Para isso, começa-se por repetir devagar as palavras fundamentais do texto, tratando de assimilar sua mensagem e fazê-la nossa. Os antigos diziam que é necessário «mastigar» ou «ruminar» o texto bíblico para «fazê-lo descer da cabeça ao coração». Este momento pede recolhimento e silêncio interior, fé em Deus, que me fala, abertura dócil à sua voz.

O terceiro momento é a ORAÇÃO. O leitor passa, agora, de uma atitude de escuta a uma postura de resposta. Esta oração é necessária para que se estabeleça o diálogo entre o crente e Deus. Não é o caso de fazer grandes esforços de imaginação nem de inventar bonitos discursos. Basta perguntar-nos com sinceridade: «Senhor, o que me queres dizer através deste texto? Para o que me chamas concretamente? Que confiança queres semear em meu coração?».

Pode-se passar a um quarto momento, que costuma ser designado como CONTEMPLAÇÃO ou silêncio diante de Deus. O crente descansa em Deus calando todas as outras vozes internas. É o momento de estar diante d’Ele escutando somente seu amor e sua misericórdia, sem nenhuma outra preocupação ou interesse.

Por fim, é necessário recordar que a verdadeira leitura da Bíblia termina na vida concreta, e que o critério para verificar se escutamos Deus é nossa CONVERSÃO. Por isso, é necessário passar da «Palavra escrita» à «Palavra vivida». São Nilo, venerável Padre do deserto, dizia: «Eu interpreto a Escritura com minha vida».

Segundo o relato da cena no monte Tabor, os discípulos escutam este convite: «Este é meu Filho, o Escolhido; escutai-O». Uma forma de fazer isso é aprender a ler os evangelhos de Jesus com este método. Descobriremos um estilo de vida que pode transformar para sempre a nossa existência.

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: MUSICALITURGICA.COM – Homilías de José A. Pagola – Segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016 – 10h06 – Internet: clique aqui.

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