«O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.»

(Aristóteles [384 a.C. – 322 a.C.] – filósofo grego, discípulo de Platão)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

3º Domingo da Quaresma – Ano C – Homilia

Evangelho: Lucas 13,1-9


1 Naquele tempo, vieram algumas pessoas trazendo notícias a Jesus a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando seu sangue com o dos sacrifícios que ofereciam.
2 Jesus lhes respondeu: «Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem sofrido tal coisa?
3 Eu vos digo que não. Mas se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo.
4 E aqueles dezoito que morreram, quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém?
5 Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo.»
6 E Jesus contou esta parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não encontrou.
7 Então disse ao vinhateiro: «Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?»
8 Ele, porém, respondeu: «Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo.
9 Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás.»

JOSÉ ANTONIO PAGOLA

ONDE NÓS ESTAMOS?

Uns desconhecidos comunicam a Jesus a notícia da horrível matança de uns galileus no recinto sagrado do Templo. O autor [da chacina] foi, mais uma vez, Pilatos. O que mais lhes horroriza é que o sangue daqueles homens tenha sido misturado com o sangue dos animais que estavam oferecendo a Deus.

Não sabemos por que acorrem a Jesus. Desejam que ele se solidarize com as vítimas? Querem que lhes explique qual horrendo pecado teriam cometido para merecer uma morte tão ignominiosa? E se não pecaram, por que Deus permitiu aquela morte sacrílega em seu próprio templo?

Jesus responde recordando outro acontecimento dramático ocorrido em Jerusalém: a morte de dezoito pessoas esmagadas pela queda de uma torre da muralha próxima à piscina de Siloé. Pois bem, de ambos os acontecimentos, Jesus faz a mesma afirmação: as vítimas não eram mais pecadoras que os outros. E conclui a sua intervenção com a mesma advertência: «se não vos converterdes, todos perecereis».

A resposta de Jesus faz pensar. Antes de tudo, rejeita a crença tradicional de que as desgraças são um castigo de Deus. Jesus não pensa em um Deus «justiceiro» que vai castigando seus filhos e filhas repartindo aqui ou ali enfermidades, acidentes ou desgraças, como resposta a seus pecados.

Depois, muda a perspectiva da abordagem. Não se detém em elucubrações teóricas sobre a origem última das desgraças, falando da culpa das vítimas ou da vontade de Deus. Volta o seu olhar aos presentes e confronta-os consigo mesmos: devem escutar nestes acontecimentos o chamado de Deus à conversão e à mudança de vida.

Em nossos dias vivemos estremecidos por trágicos acidentes (terremotos, tsunamis, vulcões etc.). Como ler essas tragédias a partir da atitude de Jesus? Certamente, a primeira coisa não é perguntar-nos onde está Deus, mas onde estamos nós. A pergunta que pode encaminhar-nos para uma conversão não é «por que Deus permite esta horrível desgraça?», mas «como nós consentimos que tantos seres humanos vivam na miséria, tão indefesos diante da força da natureza?».

Ao Deus crucificado não o encontraremos pedindo contas a uma divindade longínqua, mas identificando-nos com as vítimas. Não o descobriremos protestando pela sua indiferença ou negando a sua existência, mas colaborando de mil formas para diminuir a dor no mundo inteiro. Então, talvez, poderemos intuir, entre luzes e sombras, que Deus está nas vítimas, defendendo sua dignidade eterna, e nos que lutam contra o mal, dando ânimo ao seu combate.
DEUS QUER QUE ESTEJAMOS UNIDOS A ELE E QUE PRODUZAMOS FRUTOS ! ! !

A ORIENTAÇÃO DE FUNDO

O objetivo da Igreja não é preservar o passado. Sempre será necessário retornar às fontes para manter vivo o fogo do Evangelho, porém seu objetivo não é conservar o que está desaparecendo porque não mais responde às interrogações e desafios do momento atual. A Igreja não deve se converter em monumento do que foi. Alimentar a recordação e nostalgia do passado somente conduziria a uma passividade e pessimismo pouco afinados com o tom que deve inspirar a comunidade de Cristo.

O objetivo da Igreja não é, tampouco, sobreviver. Seria indigno de seu ser mais profundo. Fazer da sobrevivência o propósito ou a orientação subliminar da prática eclesial nos levaria à resignação e à inércia, jamais à audácia e à criatividade. «Resignar-se» pode parecer uma virtude santa e necessária hoje, porém pode também conter não pouca comodidade e covardia. O mais simples seria fechar os olhos e não fazer nada. No entanto, há muito o que fazer. Nada menos que isto: escutar e responder à ação do Espírito nestes momentos.

Propriamente, tampouco deve ser o primeiro propósito configurar o futuro tratando de imaginar como será a Igreja em uma época que nós não conhecemos. Ninguém tem uma receita para o futuro. Somente sabemos que o futuro está sendo gestado no presente.

Esta geração de cristãos está decidindo, em boa parte, o porvir da fé entre nós. Não devemos cair na impaciência e no nervosismo estéril buscando «fazer algo» de qualquer jeito, de forma apressada e sem discernimento. Aquilo que os crentes de agora são hoje, será, de alguma forma, o que se transmitirá às seguintes gerações.

Aquilo que se pede à Igreja de hoje é que seja o que diz ser: a Igreja de Jesus Cristo. Dizendo isso com as palavras do evangelho de João, o decisivo é «permanecer» em Cristo e «dar fruto» agora mesmo, sem deixar-nos tomar pela nostalgia do passado nem pela incerteza do futuro.

Não é o instinto de conservação, mas o Espírito de Jesus Ressuscitado aquele que há de nos guiar. Não há desculpas para não se viver a fé de maneira viva agora mesmo, sem esperar que as circunstâncias mudem. É necessário refletir, buscar novos caminhos, aprender formas novas de anunciar Cristo, porém tudo isso deve nascer de uma santidade nova.

A parábola da «figueira estéril» dirigida por Jesus a Israel, se converte hoje em uma clara advertência para a Igreja atual. Ela não deve perder-se em lamentações estéreis. O importante é enraizar nossa vida em Cristo e despertar a criatividade e os frutos do Espírito.

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: MUSICALITURGICA.COM – Homilías de José A. Pagola – Segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016 – 12h11 – Internet: clique aqui.

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