«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A indústria brasileira em perigo!

A indústria com anemia

Editorial

Nossa indústria está perdendo, rapidamente, o poder de competir
em mercados internacionais devido ao baixo investimento
em máquinas, equipamentos, pessoal especializado e
tecnologia de ponta

Sem músculos, sem fôlego e sem apetite, a indústria brasileira deve continuar definhando em 2016, travando uma economia já em recessão e gerando mais desemprego. O setor industrial produziu no ano passado 8,3% menos que em 2014 e sua produção deve encolher mais 3,80% neste ano, segundo projeção do mercado. Seu desempenho em 2015, o pior da série estatística iniciada em 2003, provou mais uma vez a gravidade dos erros acumulados a partir de 2011, começo do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. Esses erros, como:
* o protecionismo,
* o terceiro-mundismo e
* a política de benefícios fiscais e financeiros a grupos e setores selecionados,
foram na maior parte herdados da administração do presidente Lula, prolongados e ampliados.

Economistas do mercado só preveem recuperação a partir de 2017, com crescimento econômico de 0,70% e 1,50% de expansão do produto industrial. As dúvidas sobre uma recuperação mais veloz e mais firme são justificadas pelos números oficiais.

O Brasil vem perdendo potencial de crescimento há vários anos:
* por falta de investimento em infraestrutura,
* em máquinas e equipamentos para a indústria e, naturalmente,
* pela escassez de trabalhadores capazes de se adaptar a sistemas modernos de produção.

O governo petista errou de ponta a ponta na estratégia de crescimento e algumas de suas piores decisões ocorreram na política educacional, voltada principalmente para a facilitação do ingresso na chamada – impropriamente, na maior parte dos casos – educação superior.

Mas o efeito desastroso da política federal já fica bastante claro com alguns números do investimento em bens de capital, isto é, em máquinas e equipamentos. No ano passado, a produção de bens de capital foi 25,50% menor que em 2014, segundo o balanço divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recuo foi praticamente o triplo do registrado para todo o setor industrial. O segundo pior desempenho foi o dos fabricantes de bens de consumo duráveis (menos 18,70%), explicável na maior parte pelo desemprego em alta, pela contenção do crédito e pela redução de estímulos às compras de carros e de outros bens de alto valor.

A retração do mercado interno e a alta do dólar poderiam, em conjunto, ter levado a indústria a buscar a alternativa do mercado internacional, com produtos barateados pela depreciação do câmbio. Manobras desse tipo ocorreram em outras crises no Brasil e são usadas frequentemente por indústrias de países em recessão. Mas empresas precisam de um mínimo de agilidade e de poder de competição para seguir esse caminho. Fábricas já empenhadas na competição internacional continuaram exportando, mesmo com dificuldades, enquanto outras continuaram travadas, sem energia para competir. Em 2015, a exportação de manufaturados, no valor de US$ 72,79 bilhões, foi 8,16% menor que a de 2014, pela média dos dias úteis.

A incapacidade para disputar espaços no mercado internacional é em boa parte explicável pela redução do valor investido em máquinas e equipamentos. Diminuíram nos últimos anos tanto as compras de bens de capital produzidos no País quanto as de importados. A produção nacional de máquinas e equipamentos havia diminuído 9,30% em 2014 e o tombo de 25,50% em 2015 agravou seriamente o quadro de anemia produtiva, principalmente da indústria. A redução das compras de bens de capital estrangeiros apenas confirmou a perda de apetite resultante do prolongado enfraquecimento. A importação de bens de capital [máquinas e equipamentos para a produção] em 2015 foi 21,16% inferior à de um ano antes. A de 2014 já havia sido 7,64% menor que a do ano anterior.

Estes são os componentes mais graves do cenário recém-divulgado pelo IBGE. A indústria pode recuperar-se com rapidez e firmeza depois de uma contração nas vendas de automóveis e de outros bens de consumo. Não há recuperação fácil, no entanto, depois de anos de redução do investimento produtivo.

Fonte: O Estado de S. Paulo – Notas e Informações – Quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016 – Pág. A3 – Internet: clique aqui.

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