«O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.»

(Aristóteles [384 a.C. – 322 a.C.] – filósofo grego, discípulo de Platão)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A misericórdia de Deus leva à verdadeira justiça, diz Papa

Jéssica Marçal

Na catequese de hoje, Papa levou aos fiéis o conforto da misericórdia de Deus, que conduz à verdadeira justiça e quer a salvação de todos
PAPA FRANCISCO NA PRAÇA SÃO PEDRO
para a Audiência Geral e a sua Catequese sobre a Misericórdia
Quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Deus é misericórdia infinita e justiça perfeita, não quer a condenação de ninguém, mas a salvação de todos. Essas foram palavras do Papa Francisco na catequese desta quarta-feira, 3 de fevereiro, na Praça São Pedro.

O Santo Padre explicou que pode parecer uma realidade contraditória Deus ser misericórdia e justiça, mas não existe contradição. “É justamente a misericórdia de Deus leva ao cumprimento da verdadeira justiça”.

Não se trata, disse o Papa, da justiça dos tribunais; esse caminho não leva à verdadeira justiça porque não vence o mal. “Só respondendo com o bem que o mal pode ser realmente vencido”.

Já a Bíblia indica o caminho-mestre a percorrer para fazer justiça: prevê que a vítima se dirija diretamente ao culpado para convidá-lo à conversão, ajudando a entender que está fazendo o mal, apelando à sua consciência. “O coração se abre ao perdão que lhe é oferecido”, disse o Papa, acrescentando que este é o modo de resolver os contrastes dentro das famílias, nas relações entre pais e filhos.

Deus e o pecador

O Pontífice reconheceu que este é um caminho difícil, requer que a pessoa que sofreu o mal esteja disposta a perdoar e deseje o bem e a salvação de quem o ofendeu. “Mas somente assim a justiça pode triunfar, porque se o culpado reconhece o mal feito e deixa de fazê-lo, não tem mais o mal e aquele que era injusto se torna justo, porque perdoado e ajudado a retomar o caminho do bem”.

É assim que Deus age com o pecador, afirmou o Papa. Deus oferece o seu perdão e ajuda o homem a acolhê-lo, a tomar consciência do mal para poder libertar, porque Deus não quer a condenação, mas a salvação. “Deus não quer a condenação de ninguém, de ninguém. Alguém poderia me dizer: ‘mas, padre, a condenação de Pilatos foi merecida, Deus a queria. Não, Deus queria salvar Pilatos, também Judas, todos. Ele, o Senhor da Misericórdia, quer salvar todos, o problema é deixar que Ele entre no coração”.
PAPA FRANCISCO
Saúda o povo presente à Praça São Pedro, no Vaticano

Padre, figura do Pai no confessionário

O coração de Deus, conforme lembrou Francisco, é um coração de Pai que ama e quer que seus filhos vivam no bem e na justiça. “Um coração de Pai que vai além do nosso pequeno conceito de justiça para nos abrir aos horizontes sem fim da sua misericórdia. Um coração de Pai que não nos trata segundo os nossos pecados e não nos repara segundo as nossas culpas”.

É precisamente um coração de Pai que as pessoas buscam quando vão ao confessionário, observou o Papa. Lá elas querem encontrar um pai que ajude a mudar de vida, que dê a força de ir adiante, que perdoe em nome de Deus. “Por isso, ser confessor é uma responsabilidade tão grande, tão grande, porque aquele filho ou filha que vem a você só quer encontrar um pai. E você, padre, que está ali no confessionário, está ali no lugar do Pai que faz justiça com a sua misericórdia”.

Eis a íntegra da catequese de Papa Francisco:


PAPA FRANCISCO
Audiência Geral
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Caros irmãos e irmãs, bom dia,

A Sagrada Escritura nos apresenta Deus como misericórdia infinita, mas também como justiça perfeita. Como conciliar as duas coisas? Como se articula a realidade da misericórdia com as exigências da justiça? Poderia parecer que sejam duas realidades que se contradizem; na realidade não é assim, porque é justamente a misericórdia de Deus que realiza a verdadeira justiça. Mas de qual justiça se trata?

Se pensarmos na administração legal da justiça, vemos que aquele que se considera vítima de uma injustiça, dirige-se ao juiz no tribunal e pede que lhe seja feita justiça. Trata-se de uma justiça retribuidora, que inflige uma pena ao culpado, segundo o princípio que a cada um deve ser dado aquilo que lhe é devido. Como recita o livro de Provérbios: «Quem pratica a justiça é destinado à via, mas quem persegue o mal é destinado à morte» (11,19). Jesus também fala disso na parábola da viúva que ia repetidamente ao juiz e lhe pedia: «Fazei-me justiça contra o meu adversário» (Lc 18,3).

Este caminho, porém, não leva à verdadeira justiça porque, na realidade, não vence o mal, mas simplesmente o retém. Em vez disso, somente respondendo-lhe com o bem, é que o mal pode ser verdadeiramente vencido.

Aqui está, então, um outro modo de fazer justiça que a Bíblia nos apresenta como o caminho a percorrer. Trata-se de um procedimento que evita o recurso ao tribunal e prevê que a vítima dirija-se diretamente ao culpado para convidá-lo à conversão, ajudando-o a compreender que está fazendo o mal, apelando para a sua consciência. Desse modo, finalmente arrependido e reconhecendo o próprio erro, ele pode abrir-se ao perdão que a parte lesada lhe está oferecendo.  E isto é belo: após a persuasão daquilo que é mau, o coração se abre ao perdão, que lhe é oferecido. E este é o modo de resolver os contrastes no interior das famílias, nas relações entre esposos ou entre pais e filhos, onde o ofendido ama o culpado e deseja salvar a relação que o liga ao outro. Não cortar essa relação, esse relacionamento.

Evidentemente, este é um caminho difícil. Requer que aquele que sofreu o mal esteja pronto a perdoar e deseje a salvação e o bem de quem lhe ofendeu. Mas somente assim a justiça pode triunfar, porque, se o culpado reconhece o mal feito e para de fazê-lo, eis que o mal se foi, e aquele que era injusto torna-se justo, porque foi perdoado e auxiliado a reencontrar o caminho do bem. E nisso consiste justamente o perdão, a misericórdia.

É assim que Deus age em relação a nós pecadores. O Senhor, continuamente, oferece-nos o seu perdão e ajuda-nos a acolhê-lo e a tomar consciência de nosso mau para poder dele nos libertar. Porque Deus não quer a nossa condenação, mas a nossa salvação. Deus não quer a condenação de ninguém! Alguém de vós poderá fazer-me a pergunta: «Mas padre, Pilatos merecia a sua condenação? Deus a queria?» – Não! Deus queria salvar Pilatos e também Judas, todos! Ele, o Senhor da Misericórdia, quer salvar todos! O problema é deixar que Ele entre no coração. Todas as palavras dos profetas são um apelo apaixonado e repleto de amor que busca a nossa conversão. Eis aquilo que o Senhor diz através do profeta Ezequiel: «Porventura tenho Eu prazer na morte do ímpio [...] ou antes que ele desista de sua conduta e viva?» (18,23; cf. 33,11), aquilo que agrada a Deus!

E este é o coração de Deus, um coração de Pai que ama e quer que os seus filhos vivam no bem e na justiça, e por isso vivam em plenitude e sejam felizes. Um coração de pai que vai além de nosso pequeno conceito de justiça para abrir-nos aos horizontes ilimitados de sua misericórdia. Um coração de Pai que não nos trata conforme os nossos pecados e não nos retribui conforme as nossas culpas, como diz o Salmo (103,9-10). E é justamente um coração de pai que desejamos encontrar quando vamos ao confessionário. Talvez nos dirá algo para fazer-nos compreender melhor o mal, mas no confessionário todos vamos encontrar um pai que nos ajude a mudar de vida; um pai que nos dê a força de ir adiante; um pai que nos perdoe em nome de Deus. Por isso, ser confessores é uma responsabilidade tão grande, porque aquele filho, aquela filha que vem a ti procura somente encontrar um pai. E tu, padre, que estás ali no confessionário, tu estás ali no lugar do Pai que faz justiça com a sua misericórdia.

Traduzido do italiano por Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fontes: Canção Nova – Especiais – Papa Francisco / Catequese – Quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016 – 08h31 – Internet: clique aquiA SANTA SÉ – Audiências – Francisco – 2016 – 03/02/2016 – Internet: clique aqui.

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