«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

“Não se trata de esquerda e direita, as pessoas vão contra as elites"

Entrevista com Marta Lagos

Carlos E. Cué

"A elite será substituída, seja de direita ou esquerda.
A sociedade latino-americana quer igualdade perante a lei
e direitos sociais, e acesso à justiça".
MARTA LAGOS
Dirigente do Latinobarómetro

A chilena Marta Lagos dirige há 20 anos o Latinobarómetro, a mais respeitada organização de pesquisas da região, e acredita que o fundamental da mudança é a exigência de melhor democracia.

Segundo ela, "as sociedades latino-americanas sempre foram muito controladas. Agora já não bastam o subsídio, a política paternalista, os caudilhos, o populismo (...) O povo latino-americano é mais sensível que sua elite. Os latino-americanos não são eleitores ignorantes e manipuláveis. A aprovação dos governos caiu 25 pontos em média nos últimos cinco anos. Ninguém mais aplaude os governantes".

Eis a entrevista.

Por que ocorre essa mudança na América Latina?

Marta Lagos: Existe um padrão, se chama melhorar a democracia, existe uma demanda de mais e melhor governo e mais democracia, que vem desde 2010. Até essa data as pessoas acreditavam que as elites eram capazes de mudar substancialmente as condições de vida de um país. Essa convicção é quebrada, os protestos começam. Acaba o medo de se expressar deixado pelas ditaduras. As sociedades latino-americanas sempre foram muito controladas. Agora já não bastam o subsídio, a política paternalista, os caudilhos, o populismo.

Existe uma guinada à direita?

Marta Lagos: Não vejo isso. 2003-2008 foi o quinquênio virtuoso. O nível de educação cresce, o nível econômico aumenta. As pessoas perceberam que é possível ser diferente no econômico, mas não somos diferentes no social. Agora surge a demanda social. A derrota de Morales acaba por confirmar que não restará pedra sobre pedra, o tanque irá passar por cima dos que governaram, sejam de direita ou esquerda.

A esquerda foi atingida por essa derrota porque existiam muitos governos de esquerda e porque prometia acabar com a desigualdade, erradicar a pobreza.

Na Bolívia os avanços são enormes em mobilidade social e inclusão, mas não com a rapidez exigida pela população.

Com Michelle Bachelet [presidente do Chile] e Dilma Rousseff [presidente do Brasil] acontece a mesma coisa, as pessoas dizem e fazem muito, mas não o que eu quero.

E agora o Peru. Mas Keiko Fujimori pode sair daqui a quatro anos se não funcionar.

Assim como Macri [presidente da Argentina]. As pessoas vão contra as elites. Não se trata de esquerda e direita, são as elites, que no fundo se comportaram como sempre.

O que pede a população?

Marta Lagos: As pessoas querem o fim da corrupção, que a representação seja mais ampla, mais igualdade perante a lei. Atinge a esquerda, mas não é ela a responsável. A causa é o desenvolvimento tardio da democracia.

70% da população da América Latina diz que a democracia não trouxe garantias sociais, acesso à moradia, saúde, educação. As sociedades latino-americanas não têm seguro-desemprego, ajudas. As pessoas já não querem mais esperar. A elite será substituída, seja de direita ou esquerda. A sociedade latino-americana quer igualdade perante a lei e direitos sociais, e acesso à justiça. Agora somente os que podem pagar um advogado os têm.

As novas gerações pedem mais?

Marta Lagos: No Latinobarómetro vemos que 20% dos jovens menores de 25 anos que só têm uma refeição por dia, que são pobres, preferem gastar seu dinheiro em um smartphone ao invés de em uma segunda refeição. Porque sabem que seu futuro está nessa pequena tela, veem o mundo e dizem quero estar ali.

Disseram a Morales que fez um bom trabalho, mas seu tempo já passou. O povo latino-americano é mais sensível que sua elite, a Bolívia demonstra isso. Os latino-americanos não são eleitores ignorantes e manipuláveis. A aprovação dos governos caiu 25 pontos em média nos últimos cinco anos. Ninguém mais aplaude os governantes.

Fonte: El País – Internacional – Buenos Aires, 28 de fevereiro de 2016 – 21h31 – Internet: clique aqui.

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