«O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.»

(Aristóteles [384 a.C. – 322 a.C.] – filósofo grego, discípulo de Platão)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Três consequências da grave crise econômica brasileira

Recessão leva empresas brasileiras a buscar
oportunidades fora do País

Mônica Scaramuzzo

Consultas para investir nos Estados Unidos saltaram 
70% no ano passado, enquanto no Reino Unido procura aumentou 
30%, segundo organizações comerciais desses países
MAIS E MAIS EMPRESAS BRASILEIRAS
Estão de olho no mercado exterior, inclusive transferindo operações para fora do país!

A crise econômica, agravada pelo cenário político turbulento, tem acelerado os planos de expansão de empresas brasileiras no exterior. Com o real desvalorizado, muitas companhias, sobretudo as de commodities, buscam ampliar as exportações. Boa parte também tem arriscado a abrir subsidiárias em outros países, como forma de diversificar receita e reduzir a dependência do mercado interno.

O fluxo maior de expansão no exterior, segundo especialistas ouvidos pelo Estado, é para os Estados Unidos da América (EUA), reflexo do maior potencial do mercado consumidor americano. As consultas para investir nos EUA saltaram 70% no ano passado, para 7,6 mil, de acordo com a Câmara Americana de Comércio (Amcham), com base em downloads baixados no site da Amcham por interessados em fazer negócio nos EUA. O mesmo movimento, um pouco mais contido, foi observado para o Reino Unido. No mesmo período, houve acréscimo de 30% em consultas para investir na região, segundo a agência britânica de comércio e investimentos (UKTI), que conta com 82 empresas brasileiras, de diferentes portes, e espera crescimento de 20% este ano.
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Alguns exemplos

A mineradora Magnesita, produtora de materiais refratários – usados pelas indústrias siderúrgicas –, controlada pela GP Investments, está se preparando para transferir sua sede para Londres. A empresa, que aprovou a criação da holding Mag Internacional no fim de 2015, pretende listar suas ações na London Stock Exchange e seus principais executivos – presidente, diretor financeiro e jurídico e de relações institucionais – já preparam a mudança.

Não à toa, os dois principais bancos privados brasileiros (Itaú e Bradesco) transferiram sua sede na Europa para Londres. Antes em Luxemburgo, o Bradesco se mudou no ano passado para se aproximar dos investidores globais, diz Marcelo Cabral, executivo do Bradesco na Europa.

Em franco processo de internacionalização, o Itaú transferiu em 2012 a sede de Portugal para Londres. Renato Lulia, presidente do Itaú BBA Internacional, diz que a mudança foi estratégica. De Londres, Lulia também coordena as operações da Ásia e Oriente Médio. “Vale lembrar que há mais estrangeiros interessados em investir no Brasil, porque o País está barato. Como um banco internacional, ampliamos daqui as operações de fusões e aquisições.”
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A BRF (dona de Sadia e Perdigão) anunciou no fim de 2015 a compra da Universal Meats, com foco em alimentação fora do lar na Inglaterra, por £ 34 milhões. “Entre os 28 países da comunidade europeia, a Inglaterra é o que mais importa carne de frango”, diz Roberto Banfi, presidente da BRF na Europa. “O investimento na Europa responde por uma fatia importante do faturamento da BRF no exterior.” No processo de internacionalização, a BRF comprou ainda uma operação na Argentina e outra na Tailândia que, com a Universal Meats, vão dobrar a capacidade de produção fora do Brasil, para 8% do total.

Empresas brasileiras de pequeno e médio portes estão avaliando ir para os Estados Unidos. A demanda já estava aquecida nos últimos anos, mas começou a crescer, a partir de 2014. A indústria Marisol e a farmacêutica Biolab, uma das mais inovadoras do País, estão entre as que estudam entrar no mercado americano, apurou o jornal O Estado de S. Paulo.

“Já havia uma grande procura, mas as incertezas com os rumos da economia, após a última eleição presidencial, aceleraram o processo de decisão de alguns empresários”, diz Pedro Drummond, advogado e sócio da empresa Drummond, com sede em Boston (EUA) e escritórios no Brasil. A empresa presta consultoria para empresários que pretendem investir no território americano e tem o apoio da Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham).
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Cleiton de Castro Marques, presidente e um dos sócios do laboratório brasileiro, afirmou que já abriu um escritório em Miami para prospecção de negócios. Segundo ele, o objetivo é adequar os dossiês de medicamentos com os órgãos reguladores americanos, o que poderá expandir o campo de atuação do grupo brasileiro. A Biolab ainda está investindo em um centro de pesquisa e desenvolvimento (P&D) em Toronto, no Canadá.

A rede de lojas Marisol também analisa ir para os Estados Unidos para se internacionalizar. Esse projeto, contudo, está em fase inicial, segundo informações da empresa. A companhia está sendo assessorada pela WTC Business Club, que dá apoio a empresas que pretende disputar o mercado externo. “Não estamos restritos aos Estados Unidos”, disse o presidente da WTC Business Club, Bruno Bomeny.
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Desemprego chega ao trabalho qualificado

Luiz Guilherme Gerbelli e Renée Pereira

No ano passado, segundo dados do Caged, foram fechadas 115 mil vagas para profissionais com Ensino Superior completo ou incompleto

A rápida deterioração do mercado de trabalho já começou a atingir os trabalhadores mais qualificados. Pelos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, no ano passado, foram fechados 115 mil postos de trabalho com carteira assinada para os brasileiros com Ensino Superior incompleto ou concluído – um sinal preocupante da piora acelerada da atividade econômica em 2015 e que deve continuar neste ano.

A retração no saldo marca uma importante virada. No período entre 2004 e 2014, o País sempre criou empregos para os mais escolarizados. No auge, em 2010, quando o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 7,6%, houve abertura de 306 mil empregos com carteira assinada para os trabalhadores com Ensino Superior completo ou incompleto. A demanda das empresas foi tão grande que tivemos um apagão de mão de obra qualificada no País, situação que se prolongou até o início de 2014.

O cenário começou a mudar com o desencadeamento da Operação Lava Jato e com os sinais de que a crise econômica veio mais forte do que se esperava. Tanto para 2015 como para 2016, os economistas estimam que a atividade deve recuar 4,0%. Se os números se confirmarem, será o pior desempenho econômico desde 1901.

Na esteira da retração do PIB, o mercado de trabalho passou por uma intensa piora num curto espaço de tempo, diz o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), João Saboia. “Normalmente, os empregados com mais qualificação são os últimos a perder o emprego porque as empresas seguram ao máximo esses profissionais, temendo dificuldade para recontratá-los no futuro.”
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“Em termos de emprego formal, no ano passado, o País perdeu o equivalente ao que ganhou em 2013 e 2014. Neste ano, podemos perder mais dois anos em termos de criação de emprego”, diz Saboia.
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Deve piorar

No cenário da economista Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria Integrada, a situação do mercado de trabalho está longe de melhorar. As projeções apontam para um índice de desemprego de dois dígitos ao final deste ano. Pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que inclui as regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, o índice fecha 2016 acima de 10%, diz ela. Já na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), que abrange todo o País, a taxa ficará próxima de 13%. Até o ano passado, os dois índices estavam em 6,9% e 9,0%, respectivamente. “Acredito que vai piorar bem o mercado de trabalho este ano.”
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Na opinião de Saboia, uma recuperação do mercado de trabalho só começará a dar sinais em 2018. Até lá, alguns milhares de trabalhadores vão engrossar a fila dos desempregados, que até novembro do ano passado somava 9,1 milhões de pessoas. “Prevejo muita piora até meados deste ano. No segundo semestre, pode haver uma ligeira melhora por causa da sazonalidade da economia.”

Sem emprego, brasileiro busca
negócio próprio

Luiz Guilherme Gerbelli e Renée Pereira

Atualmente, apenas 10% da demanda das empresas é para
preenchimento de novas vagas
DEVIDO AO ELEVADO DESEMPREGO E REBAIXAMENTO DA RENDA
muitos brasileiros(as) estão sendo obrigados a abrir seu próprio negócio!

Nos últimos anos, sobretudo até 2014, o fortalecimento do mercado de trabalho fez com que os profissionais mais qualificados fossem disputados pelas empresas, que sofriam para conseguir preencher as vagas em aberto. Mesmo com a crise econômica, muitas companhias relutaram em dispensar os trabalhadores mais especializados. Mas sucumbiram pela paralisia da atividade econômica e pela falta de perspectiva em relação ao futuro. Com margens reduzidas, elas começaram a abrir mão desses profissionais.

A piora no mercado de trabalho pode ser traduzida numa estatística da Michael Page – especializada em recrutamento e seleção de profissionais. Atualmente, apenas 10% da demanda feita pelas empresas é para o preenchimento de novas vagas, enquanto 90% é destinada para substituição de trabalhadores. Antes da crise, a relação era de 40% e 60%, respectivamente.

“As vagas que eram destinadas para empresas que estavam montando novas áreas de negócios diminuíram demais”, afirma Henrique Bessa, diretor da Michael Page. “Havia muita oportunidade por causa das multinacionais que estavam vindo iniciar operação no Brasil.”
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Fonte: O Estado de S. Paulo – Economia – Segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016 – Págs. B1 e B3 – Internet: clique aqui; aqui;  Pág. B4 – Internet: clique aqui; Pág. B4 – Internet: clique aqui.

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