«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quarta-feira, 2 de março de 2016

As consequências da pedofilia para a Arquidiocese de Boston

Cardeal de Boston divulga nota sobre Spotlight,
filme vencedor do Oscar

The Pilot
01-03-2016
SEAN PATRICK O'MALLEY
Cardeal-arcebispo de Boston (MA) - Estados Unidos

O Cardeal Sean P. O’Malley divulgou a seguinte nota depois de o filme Spotlight vencer o prêmio da cerimônia do Oscar deste ano em Los Angeles. O filme descreve a investigação do jornal Boston Globe sobre os abusos sexuais de menores cometidos pelo clero na Arquidiocese de Boston e que levaram a uma série de histórias publicadas em 2002.

Eis a nota.

Spotlight é um filme importante para todos os que foram impactados com a tragédia dos abusos sexuais clericais. Ao fornecer reportagens em profundidade sobre a história da crise de abuso sexual clerical, a mídia levou a Igreja a reconhecer os crimes e pecados de seus agentes e a começar a encarar os seus erros, o dano feito às vítimas e suas famílias e as necessidades dos sobreviventes.

Numa democracia tal como a nossa, o jornalismo é essencial. O papel da mídia em revelar a crise de abusos sexuais abriu uma porta através da qual a Igreja caminhou nas respostas às necessidades dos sobreviventes.

A proteção às crianças e a garantia de apoio aos sobreviventes e suas famílias devem ser uma prioridade em todos os aspectos da vida da Igreja. Estamos comprometidos com a implementação vigilante das políticas e dos procedimentos no intuito de evitar a recorrência da tragédia dos abusos infantis.

Estes incluem programas educacionais, checagens obrigatórias de antecedentes e ambientes formativos seguros, relatar e cooperar obrigatoriamente com as autoridades civis no tocante às acusações de abuso, e o cuidado dos sobreviventes e seus familiares por meio do Office of Pastoral Support and Outreach, órgão da Arquidiocese para o trabalho junto a estas pessoas.

A Arquidiocese de Boston fornece, de forma consistente, serviços de aconselhamento e serviços médicos aos sobreviventes e membros familiares que buscam ajuda, e permanecemos firmes neste compromisso.

Continuamos a buscar pelo perdão de todos os que foram prejudicados pela tragédia dos abusos sexuais clericais e rezamos todos dias para que o Senhor possa nos guiar no caminho em direção à cura e à renovação.

Traduzido do inglês por Isaque Gomes Correa. Acesse a versão original desta matéria, clicando aqui.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – Notícias – Quarta-feira, 2 de março de 2016 – Internet: clique aqui.

Efeito de "Spotlight" em Boston e nos
Estados Unidos: 4 bilhões de dólares
de indenizações.
Colapso da arquidiocese

Federico Rampini
La Repubblica (Roma – Itália)
01-03-2016
FRANCESCO CESAREO
Diretor da Universidade Agostiniana "Assumption College"

Uma verdadeira virada, depois das investigações. Nada será mais como antes. Ou: Desastre econômico de 4 bilhões de dólares, mas insuficientes para extirpar os abusos. O impacto da reportagem investigativa realizada pelo Boston Globe, e contada no filme “Spotlight”, sobre a Igreja Católica americana, certamente houve.

Sobre os efeitos de “Spotlight”, porém, existem duas versões diametralmente opostas:
1ª) Os vértices da Igreja dos Estados Unidos da América (EUA) afirmam ter virado a página, ter tomado medidas drásticas para prevenir qualquer abuso contra menores.
2ª) Algumas associações de vítimas falam, ao invés, de “reformas de fachada”, operações de Relações Públicas.

Ninguém minimiza o papel da investigação do Boston Globe, nem do filme que a reconstruiu, merecendo o Oscar. As próprias autoridades eclesiásticas, no lançamento do filme nas salas americanas, trataram-no com respeito, limitando-se a precisar que os acontecimentos narrados são de 15 anos atrás, e, desde então, tudo mudou. “Os espectadores não devem pensar que ‘Spotlight’ descreva a situação atual”, foi o comentário do site The Catholic Free Press.

Sobre o filme intervém, pela Igreja, o ítalo-americano Francesco Cesareo, historiador do Renascimento e da Reforma, Diretor da Universidade Agostiniana Assumption College, nomeado presidente do National Review Board, órgão consultivo da Conferência Episcopal dos EUA, criado em 2002, exatamente para reagir aos escândalos de pedofilia revelados no Boston Globe. No comentar “Spotlight”, Cesareo escreveu: “Para além da indenização das vítimas, depois das revelações do Boston Globe, adotamos medidas abrangentes de proteção dos menores, que se tornaram modelo para outras organizações voltadas para jovens”.

O programa “Safe Environment Training” – treinamento para um ambiente seguro – foi lançado em junho de 2002. Segundo o National Review Board, 98% dos adultos (quase 2 milhões), funcionários de paróquias ou escolas católicas, seguiram esses cursos específicos, e 93% dos menores (4,4 milhões) foram treinados sobre como proteger-se, ou como denunciar os abusos.

A referência de Cesareo ao papel que a Igreja Católica pode hoje desempenhar em relação aos “outros”, é alusão aos escândalos de pedofilia que atingiu os boy-scout e algumas comunidades hebraicas.

Terry Donilon, porta-voz da arquidiocese de Boston, é ainda mais categórico. Interpelado recentemente pelo Boston Globe, declarou que na Igreja de Boston, hoje, há “zero abusos”.

Certamente as investigações do jornal trouxeram consequências enormes. As primeiras revelações do Boston Globe estimularam as vítimas a denunciarem abusos deixados no silêncio, até envolver 250 sacerdotes na arquidiocese. Outros jornais seguiram o exemplo do Boston Globe.

As investigações fizeram emergir novos escândalos em 100 cidades americanas. Entrementes em Boston, o Cardeal Bernard Law foi obrigado a demitir-se, substituído por Sean O’Malley. O Estado do Massachusetts aprovou novas leis sobre a obrigação de denúncia de assédio sexual por superiores hierárquicos.

O impacto econômico, avaliado pelo National Catholic Reporter, seria de 4 bilhões de dólares em nível nacional, para indenizações e negociações várias (frequentemente cobertos por cláusulas de segredo). A isto o Journal of Public Economics acrescentou 2,36 bilhões de esmolas perdidas anualmente, como consequência das revelações na comunidade dos fiéis. Só em Boston, a Igreja teve que vender muitas propriedades, entre as quais a luxuosa residência cardinalícia de Lake Street.
DAVID CLOHESSY
Diretor da "Rede de Sobreviventes de Abusos Praticados por Padres"

Mas os escândalos não terminaram. Depois de Boston, os casos mais graves foram descobertos em Philadelphia, em 2011, depois em Kansas City e em Saint Paul-Minneapolis, no ano passado, isto é, pouco antes que chegasse o Papa Francisco aos Estados Unidos.

Até mesmo sobre a Arquidiocese de Boston o juízo é negativo, segundo David Clohessy, diretor da Associação de vítimas, Survivors Network of those Abused by Priests (SNAP) (Rede de sobreviventes de abusos praticados por padres). Ao Boston Globe, Clohessy disse:

“Com a chegada do Cardeal O’Malley os procedimentos e os protocolos mudaram, mas tratava-se simplesmente de uma operação de Relações Públicas”.

Há 15 anos, todos os domingos, grupos de vítimas continuam seu silencioso protesto na entrada da Missa, diante da Catedral da Santa Cruz, no centro de Boston.

Traduzido do italiano por Ramiro Mincato. Acesse a versão original deste artigo, clicando aqui.

Fonte: Instituo Humanitas Unisinos – Notícias – Quarta-feira, 2 de março de 2016 – Internet: clique aqui.

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