«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

domingo, 20 de março de 2016

Domingo de Ramos da Paixão do Senhor – Ano C – Homilia

Evangelho da Procissão: Lucas 19,28-40 e

Evangelho da Missa: Lucas 22,14–23,56

(Para ler os dois textos evangélicos, clique aqui)

JOSÉ ANTONIO PAGOLA

Que faz Deus numa cruz?

Segundo o relato evangélico, os que passavam diante de Jesus crucificado sobre a colina do Gólgota escarneciam dele e, rindo-se da sua impotência, diziam-lhe: «Se és o Filho de Deus, desce da cruz». Jesus não responde à provocação. Sua resposta é um silêncio carregado de mistério. Justamente por ser Filho de Deus permanecerá na cruz até a sua morte.

As perguntas são inevitáveis: Como é possível acreditar num Deus crucificado pelos homens? Damo-nos conta do que estamos dizendo? Que faz Deus numa cruz? Como pode subsistir uma religião fundada numa concepção tão absurda de Deus?

Um «Deus crucificado» constitui uma revolução e um escândalo que nos obriga a questionar todas as ideias que nós humanos fazemos de um Deus a quem supostamente conhecemos. O Crucificado não tem o rosto nem os traços que as religiões atribuem ao Ser Supremo.

O «Deus crucificado» não é um ser onipotente e majestoso, imutável e feliz, alheio ao sofrimento dos humanos, mas um Deus impotente e humilhado que sofre conosco a dor, a angústia e até a mesma morte. Com a Cruz, ou termina a nossa fé em Deus, ou nos abrimos a uma compreensão nova e surpreendente de um Deus que, encarnado no nosso sofrimento, nos ama de maneira incrível.

Diante do Crucificado começamos a intuir que Deus, no seu último mistério, é alguém que sofre conosco. A nossa miséria lhe afeta. O nosso sofrimento lhe macula. Não existe um Deus cuja vida transcorra, por assim dizer, à margem das nossas penas, lágrimas e desgraças. Ele está em todos os Calvários do nosso mundo.

Este «Deus crucificado» não permite uma fé frívola e egoísta em um Deus onipotente a serviço dos nossos caprichos e pretensões. Este Deus coloca-nos a olhar para o sofrimento, o abandono e o desamparo de tantas vítimas da injustiça e das desgraças. Com este Deus encontramo-nos, quando nos aproximamos do sofrimento de qualquer crucificado.

Os cristãos continuam a dar todo tipo de voltas para não se encontrarem com o «Deus crucificado». Temos aprendido, inclusive, a levantar o nosso olhar para a Cruz do Senhor, desviando-a dos crucificados que estão diante dos nossos olhos. No entanto, a maneira mais autêntica de celebrar a Paixão do Senhor é reavivar a nossa compaixão. Sem isto, dilui-se a nossa fé no «Deus crucificado» e abre-se a porta a todo o tipo de manipulações. Que o nosso beijo no Crucificado nos coloque sempre a olhar para quem, próximo ou afastado de nós, vive a sofrer.

Nestes dias da Semana Santa, podemos olhar para Jesus Crucificado. O que você sente ao vê-lo sofrer?

Ele sabe muito bem o que é estar mal e o que é sentir-se impotente. Ele está, bem próximo, te acompanhando, também agora, quando sofres. Ele está sempre acompanhando os que sofrem.

Rezemos, a partir de nosso íntimo, ao nosso Deus crucificado:

Senhor, confio em ti,
tu estás sofrendo comigo.
Eu não sei quando, não sei como,
porém um dia conhecerei a paz contigo
e conhecerei, finalmente,
a Vida definitiva contigo,
Cristo já, ressuscitado.

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: MUSICALITURGICA.COM – Homilías de José A. Pagola – Segunda-feira, 14 de março de 2016 – 12h23 – Internet: clique aqui.

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