«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

segunda-feira, 14 de março de 2016

O que nos espera após o 5º ato pró-impeachment?

Ricardo Kotscho

"O que está em jogo neste momento não é só a sobrevivência do governo de Dilma Rousseff, mas a do nosso falido sistema político, com perto de 100 parlamentares enfrentando processos no Supremo Tribunal Federal, entre eles os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, os dois primeiros na linha sucessória".
Clique sobre a imagem para ampliá-la
Foto da Avenida Paulista durante a Manifestação
Pró-Impeachment do Governo Dilma Rousseff

Com a maioria das manifestações chegando ao fim, às cinco e meia da tarde deste domingo, está na hora de nos perguntamos o que nos espera após o quinto e maior ato pró-impeachment até agora, que reuniu centenas de milhares de pessoas em 22 Estados e no Distrito Federal.

A partir de agora, cada nova etapa parece ser decisiva num processo que ganha velocidade em direção a um desfecho para o impasse político e econômico em que o País vive.

A primeira decisão prevista para a próxima semana é a do Supremo Tribunal Federal que vai julgar, na quarta-feira, os embargos da Câmara para definir o rito do impeachment. O passo seguinte será a formação da comissão especial que analisará a abertura do processo, paralisado no final do ano passado pelo STF.

A grande mudança no quadro político em relação a dezembro é a posição do PMDB, o principal aliado do governo. Em sua convenção nacional, no sábado, o partido já preparou seu desembarque da aliança governista [com o PT], ao dar uma espécie de "aviso prévio" de 30 dias para o governo.

Quase todos os discursos foram de críticas ao governo e ninguém defendeu a presidente no encontro comandado pelo vice Michel Temer, reeleito para a presidência do partido, mas de olho na cadeira de Dilma.

As conversas dos caciques do PMDB com a oposição liderada pelo PSDB já haviam começado antes da convenção e agora devem ganhar velocidade, mas seria prudente se todos prestassem atenção a um episódio que aconteceu no grande ato de protesto da Avenida Paulista, em São Paulo.

Ao chegarem à manifestação, o governador paulista Geraldo Alckmin e o senador mineiro Aécio Neves ambos do PSDB, foram vaiados e xingados em pleno território tucano, segundo relato de Caroline Apple e Juca Guimarães, do R7, num protesto escondido pelo resto da imprensa [não é verdade, até a Globo noticiou esse fato!].

Diante dos gritos de "ladrão de merenda" e "corrupto", os dois desistiram de subir no caminhão de som onde pretendiam discursar, e tiveram que sair rapidinho da avenida.

Sobrou xingamento também para a senadora Marta Suplicy, que trocou recentemente o PT pelo PMDB "para combater a corrupção", e teve que se refugiar no prédio da Fiesp.

O que está em jogo neste momento não é só a sobrevivência do governo de Dilma Rousseff, mas a do nosso falido sistema político, com perto de 100 parlamentares enfrentando processos no Supremo Tribunal Federal, entre eles os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, os dois primeiros na linha sucessória.

No momento em que comecei a escrever este texto, a presidente Dilma estava convocando ministros para mais uma reunião de emergência, o que já se tornou rotina nos últimos dias.

Ainda não há números fechados sobre o número de manifestantes que foram às ruas, mas pelas imagens de televisão deu para ver a olho nu que este quinto ato foi o maior desde que os protestos começaram em março do ano passado.

A pressão das ruas pode não ser decisiva, mas certamente vai influenciar a posição dos partidos governistas, a começar pelo PMDB, e os políticos que foram aos seus Estados neste final de semana, que devem voltar a Brasília mais assustados ainda com o que viram e ouviram de seus eleitores sobre o rápido agravamento da crise e a dimensão das manifestações.

De outro lado, o PT e o governo terão muitas dificuldades para ensaiar uma reação, tanto na política como na economia, para sair da paralisia em que se encontram.

A próxima manifestação, desta vez a favor do governo Dilma e em defesa do ex-presidente Lula, foi marcada pela Frente Brasil Popular para a próxima sexta-feira, dia 18, quando saberemos quem tem mais café no bule. Quem arrisca um palpite sobre o que nos espera?

E vamos que vamos.

Fonte: Balaio do Kotscho [blog] – Domingo, 13 de março de 2016 – 18h06 – Internet: clique aqui.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.