«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Sono dos adolescentes: por quê? Consequências...

Tá com sono?

Jairo Bouer
Psiquiatra

Adolescentes necessitam de, no mínimo, 9 horas diárias
de sono para manter a atenção

Com a volta às aulas de milhões de alunos nas últimas semanas em todo o País, as cenas de adolescentes bocejando, dormindo sobre as carteiras e com dificuldade de prestar atenção nos professores tornaram-se frequentes. Mais: os pais também devem ter percebido a sonolência, irritabilidade e mau humor crescente nos filhos em casa. Por que tudo isso?

Segundo uma série de trabalhos atuais, a “revolução” dos hormônios que se inicia na adolescência tem outro alvo além das espinhas, do crescimento acelerado e do maior desejo sexual. Há um impacto importante no ritmo circadiano (que controla, entre outros circuitos, o nosso ciclo de sono). Assim, haveria um atraso natural no início da fase de sonolência dos jovens. Trocando em miúdos, dificilmente eles conseguem ir para a cama cedo, antes das 23 horas, e acordar antes das 8 horas.

Some-se a esse marcador biológico a invasão recente que a tecnologia provocou na vida e nos quartos dos adolescentes e a confusão está armada. Sem sono e com centenas de estímulos à disposição (jogos, redes sociais, vídeos, músicas, aplicativos etc.) é cada vez mais complicado “pegar” no sono.

Bom lembrar que as pesquisas científicas reforçam que, além de terem mais dificuldade em dormir cedo, os adolescentes precisam de, no mínimo, nove horas diárias de sono para equilibrar hormônios, crescimento, saúde e capacidade de manter a atenção. As notas melhoram quando eles dormem bem e problemas como diabete e obesidade diminuem.

Outras linhas de pesquisa ainda afirmam que a luminosidade emitida pelas telas de televisão, computadores, tablets e celulares teria um efeito direto no cérebro dos jovens, tornando ainda mais complicada a chegada daquele “soninho”. Para os cientistas, o ideal seria desligar os aparelhos cerca de uma hora antes de ir para a cama. Algum filho consegue fazer isso?

Baseada nessas evidências, a Academia Americana de Pediatria recomendou, já em 2014, que as aulas dos jovens começassem mais tarde. Alguns especialistas chegam a dizer que escola para adolescentes deveria funcionar só depois do almoço. Em uma série de cidades dos Estados Unidos, as redes públicas se reorganizaram para iniciar as aulas mais tarde. Seattle mudou de 7h50 para 8h45 o começo das atividades no último semestre. Mas, de um modo geral, para a maior parte dos municípios a alteração ainda é complicada.

Há um impacto direto na vida das famílias, já que muitas têm filhos mais novos, que continuam a ter aulas às 7h. O horário adiado pode atrapalhar a rotina dos pais. Para as escolas, começar mais tarde significa, também, acabar mais tarde, o que pode comprometer as escalas e outras ocupações dos professores, as atividades extracurso dos alunos e a prática regular de atividades esportivas, que boa parte dos jovens americanos faz no período da tarde.

Maior carga, mais problemas?

Outro estudo, da Universidade de Miami e publicado no periódico médico Jama Pediatrics, sugere relação entre a maior prevalência hoje do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e a crescente demanda a que as crianças são submetidas na escola.

Pesquisadores avaliaram a educação infantil desde 1970 e perceberam que o tempo gasto para ensinar letras e números a crianças de 3 a 5 anos aumentou 30% de 1981 a 1997. Já o número de crianças em tempo integral saltou de 17%, em 1970, para 58% em 2000 e o tempo gasto com lição de casa dobrou para as crianças de 6 a 8 anos. Essa maior carga acadêmica pode ter um peso no aumento de diagnósticos de TDAH.

Para pensar: que tal a gente começar a rever o trabalho dos menores de 7 anos na escola e pensar em qual seria o melhor horário de aulas para garantir mais rendimento e saúde para os adolescentes?

Fonte: O Estado de S. Paulo – Metrópole / Saúde – Domingo, 6 de março de 2016 – Pág. A22 – Internet: clique aqui.

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