«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

terça-feira, 8 de março de 2016

“Todo homem procura um Deus envolvente. Deus pode morrer de tédio em nossas igrejas…”

Salvatore Cernuzio

Primeiras meditações do Pe. Ermes Ronchi, durante os
Exercícios Espirituais de Quaresma com o Papa e a Cúria Romana
em Ariccia, sobre o tema “As francas questões do Evangelho” 
PADRE ERMES RONCHI (de costas)
prega o retiro espiritual da quaresma ao Papa Francisco e vários membros da Cúria Romana:
Aricci, 6 a 11 de março de 2016

«Jesus então virou-se e, observando aqueles que o seguiam, disse-lhes O que procurais?». A pergunta de Cristo, que ressoou ontem na capela da Casa “Divino Mestre” de Ariccia, onde o Papa e a Cúria estão reunidos desde domingo à tarde para os Exercícios Espirituais de Quaresma.

Pe. Ermes Ronchi, sacerdote friulano da Ordem dos Servos de Maria, foi escolhido (por telefone) pelo Papa para guiar as meditações até o próximo dia 11 de março com o tema “As nuas perguntas do Evangelho”. Perguntas – disse o religioso na sua primeira reflexão relatada pela Rádio Vaticano – que devem ser “amadas” enquanto “já revelação”. São “o outro nome da conversão”. Jesus, de fato, educa para a fé através de perguntas, «muito mais do que através de palavras assertivas.»

Mais de 220 perguntas são relatadas nos Evangelhos, porque «a pergunta é a comunicação não violenta» – explica o sacerdote servita – «que não cala o outro, mas relança o diálogo, o envolve e, ao mesmo tempo, o deixa livre».

A proposta para estes dias de exercícios é, portanto, «de parar para ouvir um Deus de perguntas: não mais questionar ao Senhor, mas deixar-nos interrogar por Ele. E em vez de correr rápido para buscar resposta, parar para viver bem as perguntas».

O próprio Jesus é uma pergunta, diz Ronchi: «A sua vida e a sua morte nos desafiam sobre o sentido último das coisas, nós questionam sobre o que faz feliz a vida». E «a resposta é ainda Ele» que «não pede antes de mais nada renúncias ou sacrifícios, não pede para imolar-se sobre o altar do dever ou do esforço, pede em primeiro lugar reentrar no coração compreendê-lo, conhecer».

Procurar a felicidade equivale, portanto, a buscar Deus, «um Deus sensível ao coração, que faz feliz o coração, cujo nome é alegria, liberdade e plenitude». «Deus é belo. Corresponde-nos anunciar um Deus belo, desejável, interessante; a paixão por Deus – acrescenta o pregador – nasce precisamente de ter descoberto a beleza de Cristo».

«Deus me atrai não por ser onipotente, não me seduz por ser eterno ou perfeito; Ele me seduz com o rosto e a história de Cristo, o homem da vida boa, bela, beata, livre como ninguém, amor como nenhum outro». Jesus «é a bela notícia que diz: é possível viver melhor, para todos. E o Evangelho possuiu a chave».

No entanto, nós «empobrecemos o rosto de Deus, por vezes, o reduzimos à miséria, relegado a remexer no passado e no pecado do homem». Um Deus, disse o padre Hermes, «que é adorado e venerado», mas que não é aquele «envolvido, e envolvente, que ri e brinca com os seus filhos».

Todo homem, no entanto, concluiu o religioso, «busca um Deus envolvente: Deus pode morrer de tédio nas nossas igrejas. Devolvamos-lhe o seu rosto solar, um Deus amável, desejável, querido. Será como beber das fontes da luz, das bordas infinitas». A reflexão concluiu-se, portanto, como começou, com uma pergunta: «O que procurais? Para quem caminhais?». Ronchi deixa transparecer a primeira resposta desta semana de meditações: «Procuro um Deus desejável, caminho por alguém que faz feliz o coração».
PAPA FRANCISCO
encontra-se em retiro espiritual durante esta semana

No segundo dia dos exercícios espirituais o religioso focou nas duas palavras-chave: «medo e fé» a partir da passagem da tempestade acalmada na qual Jesus pergunta aos discípulos: «Por que tendes medo, ainda não tendes fé?» (Mc 4,40). São «os dois antagonistas que disputam eternamente o coração do homem», destaca o Pe. Hermes, «a Palavra de Deus, de um extremo ao outro da Bíblia conforta e anima, repetindo várias vezes: não temais. Não tenhais medo!».

Medo que não é tanto a falta de coragem, mas «falta de confiança», de cair na ilusão de acreditar em «um Deus que tira e não em um Deus que dá.» O erro que Adão e Eva cometem é que se deixam persuadir pelo diabo e «acreditam em um Deus que rouba liberdades, em vez daquele que oferece possibilidades; acreditam em um Deus que se preocupa mais com a sua lei do que com a alegria dos seus filhos; um Deus com olhar crítico, do qual deve-se fugir em vez de correr na sua direção».

«Um Deus, afinal, não confiável.»

E o primeiro de todos os pecados – diz Ronchi – é o «pecado contra a fé» que nasce «da imagem errada de Deus» da qual, por sua vez, nasce «o medo dos medos». «Do rosto de um Deus temível vem o coração medroso de Adão», que é o mesmo coração amedrontado de todos nós quando nos encontramos na tempestade: porque nos sentimos abandonados, porque «Deus parece dormir» porque «queremos que intervenha rápido».

Mas Deus intervém. Ele «não age em nosso lugar – destaca o servita – não nos tira das tempestades mas nos apoia dentro das tempestades. Como escrevia Bonhoeffer: “Deus não salva do sofrimento, mas no sofrimento, não protege da dor, mas na dor, não salva da cruz, mas na cruz … Deus não traz a solução para os nossos problemas, traz a si mesmo e dando-se-nos nos dá tudo” E nos deu Jesus que veio para preencher de luz, de sol».

«Talvez – diz o padre Ermes Ronchi – nós pensamos que o Evangelho iria resolver os problemas do mundo ou, pelo menos, que teria diminuído a violência e as crises da história, mas não é assim. Na verdade o Evangelho trouxe consigo rejeição, perseguições, outras cruzes: pensemos nas 4 irmãs mortas em Aden».

Mas Jesus «nos ensina que só há uma maneira de superar o medo: é a fé!». A missão da Igreja, também em seu interior, é, portanto, libertar do medo que nos faz usar diferentes máscaras com aqueles que nos rodeiam.

«Por um longo tempo – releva o pregador – a Igreja transmitiu uma fé cheia de medo que girava em torno do paradigma culpa/castigo, ao invés de florescimento e plenitude.»

Esse medo tem produzido e produz «um cristianismo triste, um Deus sem alegria». Liberar do medo, então, significa «trabalhar ativamente para levantar este manto de medo que está sobre o coração de tantas pessoas: o medo do outro, o medo do estrangeiro. Passar da hostilidade, que pode ser também instintiva, à hospitalidade, da xenofobia à filoxenia». E significa «libertar os fiéis do medo de Deus, como fizeram ao longo de toda a história sagrada os seus anjos: ser anjos que libertam do medo».

Fonte: ZENIT.ORG – Segunda-feira, 7 de março de 2016 – Internet: clique aqui.

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