«O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.»

(Aristóteles [384 a.C. – 322 a.C.] – filósofo grego, discípulo de Platão)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 30 de abril de 2016

6º Domingo da Páscoa – Ano C – Homilia

Evangelho: João 14,23-29

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
23 «Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada.
24 Quem não me ama, não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou.
25 Isso é o que vos disse enquanto estava convosco.
26 Mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito.
27 Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração.
28 Ouvistes que eu vos disse: “Vou, mas voltarei a vós”. Se me amásseis, ficaríeis alegres porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu.
29 Disse-vos isto, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis.»

JOSÉ ANTONIO PAGOLA

A PAZ NA IGREJA

No evangelho de João podemos ler um conjunto de discursos em que Jesus se vai despedindo dos seus discípulos. Os comentaristas  o chamam de «O discurso de despedida». Nele se respira uma atmosfera muito especial: os discípulos têm medo de ficar sem o seu Mestre; Jesus, por seu lado, insiste em lhes dizer, que apesar da sua partida, jamais sentirão a sua ausência.

Repete-lhes, até cinco vezes, que poderão contar com «o Espírito Santo». Ele os defenderá, pois os manterá fiéis à sua mensagem e ao seu projeto. Por isso, chama-lhe «Espírito da verdade». Em um momento determinado, Jesus explica-lhes melhor o que terão de fazer: «O Defensor, o Espírito Santo… ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito». Este Espírito será a memória viva de Jesus.

O horizonte que oferece aos seus discípulos é grandioso. De Jesus nascerá um grande movimento espiritual de discípulos e discípulas que o seguirão defendidos pelo Espírito Santo. Manter-se-ão em sua verdade, pois esse Espírito ensinar-lhes-á tudo o que Jesus lhes foi comunicando pelos caminhos da Galileia. Ele os defenderá no futuro da perturbação e da covardia.

Jesus deseja que compreendam bem o que significará para eles o Espírito da verdade e Defensor de sua comunidade: « Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou». Não só lhes deseja a paz. Oferece-lhes a sua paz. Se viverem guiados pelo Espírito, recordando e guardando as suas palavras, conhecerão a paz.

Não é uma paz qualquer. É a sua paz. Por isso lhes diz: «não a dou como o mundo». A paz de Jesus não se constrói com estratégias inspiradas na mentira ou na injustiça, mas atuando com o Espírito da verdade. Os discípulos hão de se reafirmar nele: «Não se perturbe nem se intimide o vosso coração».

Nestes tempos difíceis de desprestígio e perturbação que estamos sofrendo na Igreja, seria um grave erro pretender, agora, defender a nossa credibilidade e autoridade moral atuando sem o Espírito da verdade prometido por Jesus. O medo continuará penetrando no cristianismo se procuramos assentar a nossa segurança e a nossa paz distanciando-nos do caminho traçado por Ele.

Quando na Igreja se perde a paz, não é possível recuperá-la de qualquer maneira nem serve qualquer estratégia. Com o coração repleto de ressentimento e cegueira não é possível introduzir a paz de Jesus. É necessário converter-nos humildemente à sua verdade, mobilizar todas as nossas forças para deixar caminhos errados, e deixar-nos guiar pelo Espírito que animou a vida inteira de Jesus.

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: MUSICALITURGICA.COM – Homilías de José A. Pagola – Segunda-feira, 25 de abril de 2016 – 17h00 – Internet: clique aqui.

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