«O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.»

(Aristóteles [384 a.C. – 322 a.C.] – filósofo grego, discípulo de Platão)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 28 de maio de 2016

9º Domingo do Tempo Comum – Ano C – Homilia

Evangelho: Lucas 7,1-10


Naquele tempo:
1 Quando acabou de falar ao povo que o escutava, Jesus entrou em Cafarnaum.
2 Havia lá um oficial romano que tinha um empregado a quem estimava muito, e que estava doente, à beira da morte.
3 O oficial ouviu falar de Jesus e enviou alguns anciãos dos judeus, para pedirem que Jesus viesse salvar seu empregado.
4 Chegando onde Jesus estava, pediram-lhe com insistência: «O oficial merece que lhe faças este favor,
5 porque ele estima o nosso povo. Ele até nos construiu uma sinagoga.»
6 Então Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizerem a Jesus: «Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa.
7 Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente ao teu encontro. Mas ordena com a tua palavra, e o meu empregado ficará curado.
8 Eu também estou debaixo de autoridade, mas tenho soldados que obedecem às minhas ordens.
Se ordeno a um : “Vai!”, ele vai; e a outro: “Vem!”, ele vem; e ao meu empregado “Faze isto!”, e ele o faz.»
9 Ouvindo isso, Jesus ficou admirado. Virou-se para a multidão que o seguia, e disse: «Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.»
10 Os mensageiros voltaram para a casa do oficial e encontraram o empregado em perfeita saúde.

JOSÉ ANTONIO PAGOLA
O CENTURIÃO na hierarquia militar romana era o sexto na cadeia de comando numa legião.
Era o oficial responsável por comandar uma centúria, a qual era composta por 80 a 100 legionários

FÉ HUMILDE

Costuma-se dizer que todos os grandes homens foram humildes, uma vez que a humildade cresce no coração de todo aquele que vive sinceramente a existência. Com maior razão ainda, pode-se dizer isso dos grandes homens de fé. Não se pode viver com profundidade diante de Deus a não ser com uma atitude modesta e humilde. Como pode viver uma pessoa que, de algum modo, experimentou Deus a não ser com humildade?

Talvez seja esta a razão mais profunda da desvalorização atual da humildade em nossa sociedade. O homem moderno não é capaz de adorar a grandeza de Deus, não sabe reconhecer seus próprios limites, não sabe intuir que sua verdadeira grandeza está em viver humildemente diante de Deus. Naturalmente, quando não se descobriu a grandeza de Deus, a humildade converte-se em «baixeza», em desprezo de si mesmo, em algo indigno de ser vivido.

O núcleo de toda verdadeira fé é a humildade. Uma bela oração litúrgica da Igreja diz assim: «Senhor, tem misericórdia de nós que não podemos viver sem ti nem viver contigo». Esta é a nossa experiência diária. Não podemos viver sem Deus e não acertamos viver com Ele.

Deus é luz, porém, às vezes, o achamos demasiado obscuro. É próximo, porém está oculto. Não fala, mas temos de suportar o seu silêncio. A pessoa de fé sabe, por experiência, que Deus é paz, porém uma paz que produz intranquilidade e inquietude. Deus é pureza, porém uma pureza que nos revela nossa impureza e feiura.

Por isso, toda pessoa que se aproxima de Deus com sinceridade, o faz como aquele centurião romano que se aproximou de Jesus com estas palavras: «Eu não sou digno que entres em minha casa». Somente quem pronuncia estas palavras a partir do íntimo de seu ser e pensa assim de si mesmo, está se aproximando de Deus com verdade e dignidade.

Ao contrário, quem se sente digno diante de Deus, está agindo indignamente. Está se afastando de quem é a luz e a verdade. Quanto mais a pessoa penetra no fundo de seu coração, melhor descobre que o único caminho para encontrar-se com Deus é o caminho da humildade, da simplicidade e da transparência.

Poucas vezes estamos tão próximos de Deus como quando somos capazes de rezar uma oração como aquela que Ladislaus Boros [teólogo jesuíta radicado na Alemanha: 1927-1981] nos sugere em uma de suas obras:

«Senhor, ocasionei muito mal em teu belo mundo, tenho de suportar pacientemente o que os demais são e o que eu mesmo sou; concede-me que possa fazer algo para que a vida seja um pouco melhor ali onde tu me colocaste.»

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: Sopelako San Pedro Apostol Parrokia – Sopelana – Bizkaia (Espanha) – J. A. Pagola – Ciclo C (Homilías) – Internet: clique aqui.

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