«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

É o sistema, Temer, é o sistema!

Repartir para governar

José Roberto de Toledo

A conta de Temer já está em 26 ministérios e não cabem 
todos os candidatos
MICHEL TEMER
O vice-presidente está experimentando o quebra-cabeça que é montar uma equipe ministerial!

Michel Temer acha que, dividindo Brasília, vai unir o Brasil. Um ministério para um partido aqui, outro para uma igreja acolá, e o futuro ex-vice calcula que conseguirá somar os 308 votos que precisa na Câmara para aprovar reformas constitucionais. Reformas para controlar os gastos públicos, se diz. Pois, antes de poupar, Temer se pôs a gastar seu pouco capital político.

A ideia de reduzir os ministérios ao número de prédios da Esplanada foi há muito esquecida. As 17 caixas de fósforos – como são chamados os edifícios retangulares ao longo do Eixo Monumental de Brasília – e os palácios da Justiça e do Itamaraty são obviamente insuficientes para Temer acomodar todas as suas dívidas. Como não bastaram para quitar as de seus antecessores.

A conta já está em 26 futuros ministros e, ainda assim, não estão cabendo todos os candidatos. A romaria diária ao Palácio do Jaburu só cresce e, de tão concorrida, já desmembrou-se em uma fila alternativa na porta de Eliseu Padilha, o futuro ministro ainda sem pasta, mas com acesso ao ouvido de Temer.

Ora é o PP que exige três ministérios para começar a brincar, ora é a bancada de deputados do próprio PMDB que se diz injustiçada. O futuro ex-vice não pode, porém, negligenciar os senadores que, goste ele ou não, terão a palavra final sobre o seu mandato durante o julgamento de Dilma Rousseff. Por isso, precisam também ser privilegiados na divisão do butim.

Não bastassem os partidos exclusivamente fisiológicos, como o PR e o PSD, Temer ainda tem que acomodar aliados de primeira hora. Ele precisa amarrar o PSDB para não se ver abruptamente abandonado pelos tucanos quando estes perceberem que a nau está vazando. Apesar dos discursos desinteressados e das cartas programáticas, ele precisa de três posições na Esplanada para contentar os três caciques do partido: Serra, Alckmin e Aécio.

É uma matemática complicada porque a soma das partes é maior do que o todo. Partidos demais, centrais sindicais e federações empresariais de sobra, sem contar 27 bancadas estaduais. Assim, já se fala em “adiar” a redução do número de ministérios. Quem sabe cortar um ou dois dos 32 não baste para pagar o pato?

Se a questão se limitasse à quantidade de ministros e aos cargos com altos salários que cada um deles multiplica já seria desgaste suficiente para um presidente que chega ao Planalto com votos emprestados por algumas centenas de parlamentares. Mas há o problema da QUALIDADE dos ministros.
MICHEL TEMER E ELISEU PADILHA
Os dois mais envolvidos na escolha e definição dos novos ministros de um suposto governo Temer

Os tidos como certos até agora são políticos profissionais. Quem ainda não é, como Henrique Meirelles, pretende sê-lo. Os demais estão ali porque Temer lhes deve, não porque os admire. Assim, a contabilidade ministerial vai ficando criativa. Inclui uma pedalada científica, colocando um ministro criacionista [bispo da Igreja Universal do Reino de Deus!] para batizar as verbas de fomento à pesquisa darwinista.

Todos os balões de ensaio com nomes de especialistas para ministérios sociais, como Saúde e Educação, murcharam em poucas horas. Uns nunca cogitaram ir, outros desistiram ao perceber que teriam que ceder cargos aos partidos. Se algum vier a aceitar – já ficou claro –, terá que ser flexível na formação da equipe.

Sem contar os inúmeros ministros repetidos de governos passados e os ministeriáveis investigados pela Lava Jato. Alguns podem se orgulhar de estar em ambas as categorias. Diante do inevitável, Temer já modulou seu rigor ético. Disse que a investigação é só uma investigação e que não deve impedir uma eventual nomeação. Nada como um choque de realpolitik para transformar o discurso de campanha em discurso de governo.

E qual partido que já ocupou a cadeira onde Temer tanto quer sentar pode censurá-lo? O SISTEMA POLÍTICO-ELEITORAL brasileiro assim exige e assim é. Por isso, o ministério Temer caminha para ser nada surpreendente e duvidosamente bom.

Fonte: O Estado de S. Paulo – Política – Quinta-feira, 5 de maio de 2016 – Pág. A6 – Internet: clique aqui.

Temer revê planos de equipe de “notáveis”

Erich Decat, Igor Gadelha, Julia Lindner

Dificuldade para atender partidos também prejudica intenção
de cortar ministérios
ESPLANADA DOS MINISTÉRIOS EM BRASÍLIA (DF)
Os 17 prédios não são suficientes para a fome de cargos dos partidos políticos da tal "base aliada".
Isso já ocorreu nos governos Lula-Dilma e se repetirá, agora, com Michel Temer!

As dificuldades encontradas na montagem de um novo governo levou o vice Michel Temer (PMDB) a revisar a intenção de contar com uma equipe de “notáveis” e reduzir o Ministério. Os dois itens foram defendidos como prioritários pelo peemedebista antes do início das negociações com os partidos que devem compor a nova base aliada, após um eventual afastamento da presidente Dilma Rousseff.

Na lista de nomes praticamente confirmados por Temer estão o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves, todos citados na Operação Lava Jato. Apesar disso, Temer disse publicamente que o fato de ser investigado não é impeditivo para a indicação ao Ministério. [Como é ? ? ?]

Além disso, o fator Lava Jato tem sido uma barreira para a definição de um titular para a Justiça, pasta sob a qual está subordinada a Polícia Federal. Há ressalvas em escolher alguém ligado aos partidos com parlamentares investigados. Fora isso, nomes sondados para o cargo, como do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto, têm recusado a ideia. “A minha contribuição no serviço público já foi dada” [ele foi Ministro do Supremo Tribunal Federal], disse Britto ao jornal O Estado de S. Paulo.

Na lista inicial de notáveis também estava o cirurgião paulista Raul Cutait, que ocuparia, na cota do PP, a pasta da Saúde. O nome dele foi barrado pela bancada do partido na Câmara, que quer indicar um deputado ao cargo.

“Fatura amiga”

À medida que avançam as negociações, Temer não está livre nem dos embaraços criados pela própria bancada do PMDB da Câmara. Contrariados com a possibilidade de perderem os Ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia, deputados cobram para serem compensados por pastas do mesmo porte.

Não queremos abrir mão do espaço que nós temos. Não podemos pelo fato de termos presidente ficar para trás”, afirmou o deputado licenciado Edinho Bez (PMDB-SC), após participar ontem de reunião da bancada com Geddel e o ex-ministro Eliseu Padilha, articuladores de Temer.

Na saída do encontro, Geddel deu o tom sobre as dificuldades enfrentadas. “Problemas sempre têm. Se não tivesse, estava desempregado”, afirmou.

Como alternativa pela perda de espaço, representantes da bancada do PMDB da Câmara querem que Temer adote o mesmo modelo de distribuição de cargos usado pelo governo do PT, em que “aliados” indicam o titular da pasta e o partido do presidente, os cargos do segundo e terceiro escalões. Por essa lógica, criticada no passado pelos próprios peemedebistas, lideranças do partido estão de olho em superintendências estaduais da Educação, do Transporte e da Agricultura, que devem ter ministros de DEM, PR e PP, respectivamente.

Sem redução

Diante dessa pressão, Temer começou a indicar que não pretende fazer cortes radicais no número de ministérios. No passado recente, o PMDB chegou a pregar a existência de apenas 20 pastas, em vez das atuais 32. Aos deputados da legenda, o vice disse ontem que deve aguardar o período de três meses na Presidência para decidir sobre possíveis cortes. “Como eu vou assumir provisoriamente, vou aproveitar para ver isso e depois as pessoas terem o direito de me cobrar”, disse o vice, segundo o deputado Jarbas Vasconcelos (PE).

Apesar dos problemas, Temer fez avançar algumas negociações para acomodar os indicados dos partidos. Além de ministérios, o PP quer comandar a Caixa Econômica Federal e, para tanto, indicará o ex-ministro Gilberto Occhi, que é funcionário de carreira do banco. Para a pasta de Direitos Humanos, como forma de atrair o bloco de partidos nanicos da Câmara, Temer sondou a deputada Renata Abreu (PTN-SP), vice-presidente nacional da sigla.
MARCOS PEREIRA
Presidente nacional do PRB e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus deverá ser o novo
Ministro da Ciência e Tecnologia. Pode?!

ENTRAVES DE TEMER PARA COMPOSIÇÃO DE NOVO MINISTÉRIO:

- Justiça: nomes sondados têm recusado assumir o posto que tem, entre outras missões, acompanhar a Operação Lava Jato.

- Planejamento: o senador Romero Jucá (PMDB-RR) é cotado para assumir, mas é investigado na Lava Jato.

- Secretário-Geral: o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) é cotado, mas é investigado na Lava Jato.

- Turismo: o ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) é cotado, mas é investigado na Lava Jato.

- Cidades: PSDB e PSD disputam o comando do ministério. PSD ameaça retirar apoio.

- Saúde: Temer quer um “notável”, mas bancada do PP na Câmara quer indicar um deputado. O mais cotado é Ricardo Barros (PR).

- Educação: Temer que um “notável”, mas bancada do DEM na Câmara quer indicar um deputado. O mais cotado é Mendonça Filho (PE).

- Integração Nacional: bancadas da Câmara e Senado do PSB querem indicar um nome. Mais cotado é o deputado Fernando Filho (PE). Governadores da legenda, capitaneados por Paulo Câmara (PE) são contra a participação no governo.

- Ciência e Tecnologia: o presidente da legenda, Marcos Pereira, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, será o indicado pela bancada.

- PMDB da Câmara: quer compensação com a perda da Saúde e Ciência e Tecnologia.

- Itamaraty e MDIC: Paulo Skaf, presidente da Fiesp, é contra a migração do comércio exterior para o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores).

Fonte: O Estado de S. Paulo – Política – Quinta-feira, 5 de maio de 2016 – Pág. A7 – Internet: clique aqui.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.