«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

O sabor do pão repartido

Marcelo Barros
Monge beneditino, escritor e teólogo brasileiro

«Precisamos reencontrar formas de celebrar mais simples e conviviais. A ceia de Jesus deve manifestar a dimensão carinhosa que o evangelho de João mostra que o Mestre revelou aos discípulos que ceavam com ele na noite da Páscoa.»
PAPA FRANCISCO
Na missa do lava-pés - sinal maior do sentido da Eucaristia: ação de graças e serviço ao amor!

Em todas as culturas os momentos fortes de alegria e união se celebram com uma refeição ou algum alimento repartido. Quase todas as tradições espirituais têm uma partilha de comida como sinal de comunhão. Para as Igrejas cristãs, a ceia de Jesus é o sinal de sua presença em nós e entre nós. Desde a Idade Média, anualmente, a Igreja Católica dedica uma festa à Eucaristia. Nesse ano, a festa do Corpo e Sangue de Cristo [Corpus Christi] se realiza nessa quinta-feira. Quando foi criada, a intenção era fortalecer nos fiéis a devoção à presença de Jesus na eucaristia. Atualmente, ela contém duas dimensões importantes para a fé:

– a importância do corpo. Ao adorar o corpo de Cristo, somos chamados a perceber que somos templos do Espirito e o nosso corpo merece cuidado e todo o respeito à sua dignidade sagrada.

– ao fazer do alimento um sinal de sua presença em nós e entre nós, Jesus quis dar ao mundo uma profecia do estilo de vida que devemos assumir: uma vida partilhada.

De fato, todas as Igrejas chamam esse evento de “comunhão”. Esse termo evoca uma “comum união”, mas pode também vir da expressão latina “comum múnus”. Comungar o múnus é assumir o peso da vida, durezas e sofrimentos que cada irmão e irmã carrega.

Conforme o testemunho do Novo Testamento, no primeiro século, as comunidades cristãs realizavam a ceia de Jesus nas casas uns dos outros, como expressão de uma vida partilhada. Ao repartir o pão, a comunidade fazia memória da doação que Jesus fez da sua vida e dava um sinal de que Deus quer que toda humanidade viva uma economia de partilha e de solidariedade. Durante os séculos, ao se inserir em cada cultura, as Igrejas fizeram da ceia de Jesus um culto mais formal. Pouco a pouco, a reunião que, no início, era mais simples e convivial, se tornou parecida com os cultos de outras religiões antigas. Os serviços de coordenação tomaram uma dimensão sacerdotal, como nos cultos das antigas religiões. A teologia passou a explicar a ceia como atualização do sacrifício da Cruz.
 
MARCELO BARROS
Monge beneditino - autor deste artigo
Atualmente, essa linguagem do sacrifício deveria ser revista para que ninguém pense que Deus Pai precisaria da morte do seu próprio filho para salvar o mundo e nos reconciliar consigo. Não podemos negar o valor da história e nem reduzir o sentido mais profundo do mistério que celebramos. No entanto, ao dar graças a Deus por sua presença em nós, em cada eucaristia, fazemos a memória de Jesus não apenas em repetir suas palavras, mas em tomar o mesmo caminho dele, caminho de amor, doação aos outros e serviço. Por isso, temos de encontrar formas mais expressivas para ligar de modo mais profundo a eucaristia que celebramos com a realidade que vivemos e com o caminho que a sociedade toma. Precisamos reencontrar formas de celebrar mais simples e conviviais. A ceia de Jesus deve manifestar a dimensão carinhosa que o evangelho de João mostra que o Mestre revelou aos discípulos que ceavam com ele na noite da Páscoa.

Todas as orações antigas da Igreja e até hoje a primeira Oração Eucarística do Missal Romano lembram que, na missa, os fiéis participam da ação de graças ficando de pé, em redor do altar.

Em 2004, o papa João Paulo II escrevia: “A eucaristia não é somente expressão de comunhão na vida da Igreja. É também projeto de solidariedade da comunidade cristã com toda a humanidade. Na celebração eucarística, a Igreja renova continuamente a sua consciência de ser “sinal e instrumento” não somente da íntima união com Deus, mas também da unidade de todo o gênero humano” (Carta apostólica Mane Nobiscum Domine, n. 17 - clique aqui para ler).

No século IV, ao falar aos cristãos batizados na noite da Páscoa, o bispo Santo Agostinho afirmava:

«O pão da eucaristia representa o que vocês são: o corpo de Cristo, ou seja, a sua presença transformadora para o mundo. Então, se vocês tiverem recebido bem o alimento que é o próprio Cristo que se doa a nós, vocês se tornarão isso que vocês receberam. Vocês são o que vocês receberam».

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – Notícias – Quarta-feira, 25 de maio de 2016 – Internet: clique aqui.

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