«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Ser filho de Deus não depende de erros ou acertos, diz Papa

Da Redação, com Rádio Vaticano

Durante a Catequese desta quarta-feira, Francisco explicou que a
condição de filhos de Deus é fruto do amor do Pai
PAPA FRANCISCO
saúda os fiéis presentes à Praça São Pedro (Vaticano) para a Audiência Geral
Quarta-feira, 11 de maio de 2016

A parábola do Pai Misericordioso (Lucas 15,11-32) foi o tema da Audiência Geral nesta quarta-feira, 11 de maio. O Papa comentou o trecho extraído do Evangelho de Lucas, que fala de um pai, cuja misericórdia é infinita, e de seus dois filhos.

Francisco explicou que o filho mais novo vai embora de casa e ao voltar, o pai não se mostra ressentido pela grave ofensa, mas, ao contrário, tem somente sentimentos de alegria por recuperar o filho perdido. Isso, ressaltou Francisco, nos ensina que a nossa condição de filhos de Deus não depende dos nossos erros ou acertos, mas é fruto do amor do coração do Pai.

Amor incondicional

“Penso nas mães e nos pais apreensivos quando veem os filhos se afastarem por estradas perigosas. Penso nos párocos e nos catequistas que, às vezes, se perguntam se o seu trabalho foi em vão. Mas penso também em quem se encontra na prisão e pensa que sua vida acabou, aos que fizeram escolhas erradas e não conseguem olhar para o futuro, a todos aqueles que têm fome de misericórdia e de perdão e acreditam não merecê-la. Em qualquer situação da vida, não devo esquecer que jamais deixarei de ser filho de Deus, de um Pai que me ama e aguarda o meu retorno.”

Ao refletir sobre a postura do filho mais velho, o Papa destacou que este se vangloriou de ter ficado ao lado do pai e tê-lo servido, mas não viveu com alegria esta proximidade. Segundo o Papa, isso mostra que a lógica da recompensa nos faz ignorar que não permanecemos na casa do pai para que se obtenha algum benefício, mas por termos a dignidade de filhos que compartilham as responsabilidades do pai.

Lógica de Cristo

O filho menor pensa que merece um castigo por causa dos próprios pecados, já o filho maior esperava uma recompensa pelos seus serviços. Os dois irmãos não falam entre si, vivem histórias diferentes, mas raciocinam ambos segundo uma lógica estranha a Jesus: comportando-se bem, recebe um prêmio, comportando-se mal, é punido, explicou o Papa. “Esta não é a lógica de Jesus”.

Ao concluir Francisco disse que esta lógica é subvertida pelas palavras do pai: é preciso fazer festa porque teu irmão voltou. Sem o menor, também o filho maior deixa de ser um irmão. A maior alegria de um pai é ver que os seus filhos se reconhecem irmãos, disse Francisco.

“Os filhos podem decidir se unirem-se à alegria do pai ou rejeitar. E a parábola termina deixando o final suspenso: não sabemos o que o filho maior decidiu. E este é um estímulo para nós. Este Evangelho nos ensina que todos necessitamos entrar na casa do Pai e participar da sua alegria, da festa da misericórdia e da fraternidade. Abramos o nosso coração, para ser misericordiosos como o Pai!”

Leia, abaixo, a íntegra da Catequese de Papa Francisco:


AUDIÊNCIA GERAL
CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 11 de maio de 2016

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje, esta audiência acontece em dois lugares: como risco de perigo da chuva, os enfermos participam na Sala Paulo VI e nos acompanham por meio de telões; dois lugares, mas uma só audiência. Vamos saudar os enfermos que estão na Sala Paulo VI. Queremos refletir hoje sobre a parábola do Pai Misericordioso. Ela nos fala de um pai e de seus dois filhos, e nos apresenta a misericórdia infinita de Deus.

Vamos partir do fim, isto é, da alegria do coração do Pai, que diz: “Façamos festa, porque este meu filho estava morto e voltou a viver, estava perdido e foi encontrado” (Lc 15,23-24). Com estas palavras, o pai interrompeu o filho menor no momento em que estava confessando sua culpa: “Não sou mais digno de ser chamado de teu filho…” (Lc 15,19). Esta expressão é insuportável para o coração do pai, que se apressa em restituir ao filho os sinais de sua dignidade: a bela roupa, o anel, os calçados. Jesus não descreve um pai ofendido e ressentido, um pai que, por exemplo, diz ao filho: “Você vai me pagar”: não, o pai o abraça, o espera com amor.

Ao contrário, a única coisa que o pai tem no coração é que este filho está diante dele são e salvo e isto o faz feliz e faz festa. O acolhimento do filho que retorna é descrito de maneira comovente: “Quando ainda estava distante, seu pai o viu, teve compaixão, correu-lhe ao encontro, abraçou-o e beijou-o” (Lc 15,20). Quanta ternura; viu-o ao longe: o que isso significa? Que o pai subia continuamente sobre o terraço para observar a estrada e ver se o filho voltava; aquele filho que tinha aprontado de tudo, mas o pai o aguardava. Que coisa mais bela a ternura do pai!

A misericórdia do pai é transbordante, incondicional, e se manifesta ainda antes de o filho falar. Certo, o filho sabe que errou e o reconhece: “Pequeitrata-me com um de teus empregados” (Lc 15,19). Mas estas palavras se dissolvem diante do perdão do pai. O abraço e o beijo de seu papai o fazem entender que sempre foi considerado filho, apesar de tudo. É importante este ensinamento de Jesus: a nossa condição de filhos de Deus é fruto do amor do coração do Pai; não depende de nossos méritos ou de nossas ações, e portanto ninguém pode tirá-la, nem mesmo o diabo! Ninguém pode nos tirar esta dignidade.

Esta palavra de Jesus nos encoraja a não desesperar jamais. Penso nas mães e nos pais apreensivos quando veem os filhos distanciando-se e tomando caminhos perigosos. Penso nos párocos e catequistas que, às vezes, se perguntam se o trabalho deles está sendo em vão. Mas penso também em quem está preso, e lhe parece que a sua vida tenha terminado; a muitos que fizeram escolhas erradas e não conseguem olhar para o futuro; a todos aqueles que têm fome de misericórdia e de perdão e creem não merecê-lo… em qualquer situação da vida, não deve esquecer que não deixarei jamais de ser filho de um Pai que me ama e espera o meu retorno. Mesmo na situação mais feia da vida, Deus me espera, Deus quer me abraçar, Deus me espera.

Na parábola há um outro filho, o mais velho; também ele tem necessidade de descobrir a misericórdia do pai. Ele sempre permaneceu em casa, mas é tão diferente do pai! As suas palavras carecem de ternura: “Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua… mas quando chegou esse teu filho…” (Lc 15,29-30). Vejamos o desprezo: não diz nunca “pai”, não diz meu “irmão”, pensa só em si mesmo, se gaba de ter sempre ficado ao lado do pai e tê-lo servido; apesar de nunca ter vivido com alegria esta proximidade. E agora acusa o pai de não ter-lhe dado um cabrito para fazer festa. Pobre pai! Um filho que tinha ido embora, e outro que nunca lhe foi próximo de verdade! O sofrimento do pai é como o sofrimento de Deus, o sofrimento de Jesus quando nos distanciamos ou porque fomos para longe ou porque estamos perto, mas sem ser próximos.

O filho mais velho, também ele tem necessidade de misericórdia. Os justos, aqueles que acreditam ser justos, também tem necessidade de misericórdia. Este filho representa a cada um de nós quando nos perguntamos se vale a pena fadigar tanto se não recebemos nada em troca. Jesus nos recorda que na casa do Pai não se permanece para ter uma compensação, mas porque tem a dignidade dos filhos corresponsáveis. Não se trata de “permutar” com Deus, mas de estar no seguimento de Jesus que deu a si mesmo sobre a cruz sem medida.

Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos” (Lc 15,31). Assim diz o Pai ao filho mais velho. Sua lógica é a da misericórdia! O filho mais novo pensava merecer um castigo por causa de seus próprios pecados, o filho mais velho esperava uma recompensa por seus serviços. Os dois irmãos não se falam, vivem histórias diferentes, mas pensam de acordo com uma lógica diferente da de Jesus: se faz o bem recebe um prêmio, se faz um mal é punido; esta não é a lógica de Jesus, não o é! Esta lógica é subvertida pelas palavras do pai:era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi encontrado” (Lc 15,31). O pai recuperou o filho perdido, e agora pode também restituir ao seu irmão! Sem o mais novo, também o filho mais velho deixa de ser um “irmão”. A alegria maior para o pai é ver que seus filhos se reconhecem irmãos.

Os filhos podem decidir unirem-se à alegria do pai ou rejeitá-la. Devem se interrogar sobre seus próprios desejos e sobre a visão que têm da vida. A parábola termina deixando o final suspenso: não sabemos o que tenha decidido fazer o filho mais velho. E isso é um estímulo para nós. Este Evangelho nos ensina que todos temos necessidade de entrar na casa do Pai e participar da sua alegria, da sua festa da misericórdia e da fraternidade. Irmãos e irmãs, abramos nosso coração, para sermos “misericordiosos como o Pai”!

Fonte: Canção Nova – Especiais – Papa Francisco – Catequese – Quarta-feira, 11 de maio de 2016 – 09h50 – Internet: clique aqui; e às 09h44 – Internet: clique aqui.

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