«No regime neoliberal da autoexploração a agressão é dirigida contra si mesmo. Esta autoagressividade não converte o explorado em revolucionário, mas em depressivo.»

(Buyng-Chul Han [Seul, 1959] – filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade das Artes de Berlim, Alemanha)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 7 de maio de 2016

Solenidade da Ascensão do Senhor – Ano C – Homilia

Evangelho: Lucas 24,46-53

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
46 «Assim está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia
47 e no seu nome, serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.
48 Vós sereis testemunhas de tudo isso.
49 Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto».
50 Então Jesus levou-os para fora, até perto de Betânia. Ali ergueu as mãos e abençoou-os.
51 Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu.
52 Eles o adoraram. Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria.
53 E estavam sempre no Templo, bendizendo a Deus. 

JOSÉ ANTONIO PAGOLA

CRESCIMENTO E CRIATIVIDADE

Os evangelhos nos oferecem diversas chaves para entender como as primeiras comunidades cristãs começaram sua caminhada histórica sem a presença de Jesus à frente de seus seguidores. Talvez, não foi tuto tão simples como às vezes imaginamos. Como entenderam e viveram sua relação com ele, uma vez desaparecido da terra?

Mateus não diz uma só palavra sobre a sua ascensão ao céu. Termina seu evangelho com uma cena de despedida em uma montanha da Galileia, na qual Jesus lhes faz essa solene promessa: «Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo» (Mt 28,20). Os discípulos não haverão de sentir sua ausência. Jesus estará sempre com eles. Mas como?

Lucas oferece uma visão diferente. Na cena final de seu evangelho, Jesus «afastou-se deles e foi levado para o céu» (24,51). Os discípulos têm de aceitar com todo realismo a separação: Jesus já vive no mistério de Deus. Porém, sobe ao Pai «bendizendo» aos seus. Seus seguidores começam sua caminhada protegidos por aquela bênção com a qual Jesus curava os enfermos, perdoava os pecadores e acariciava os pequenos.

O evangelista João põe na boca de Jesus palavras que propõem outra chave. Ao despedir-se dos seus, Jesus lhes diz: «Eu vou ao Pai e vós estais tristes... No entanto, convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Espírito Santo não virá para vós» (Jo 16,6-7). A tristeza dos discípulos é explicável. Desejam a segurança que lhes dá ter Jesus sempre junto a eles. É a tentação de viver de maneira infantil sob a proteção do Mestre.

A resposta de Jesus mostra uma sábia pedagogia. Sua ausência fará crescer a maturidade de seus seguidores. Deixa-lhes a marca de seu Espírito. Será ele quem, em sua ausência, promoverá o crescimento responsável e adulto dos seus. É bom recordar disso em tempos em que parece crescer em nós o medo e a criatividade, a tentação do imobilismo ou a nostalgia por um cristianismo pensado para outros tempos e outra cultura.

Os cristãos têm caído, mais de uma vez, ao longo da história, na tentação de viver o seguimento de Jesus de maneira infantil. A festa da Ascensão do Senhor nos recorda que, terminada a presença histórica de Jesus, vivemos «o tempo do Espírito», tempo de criatividade e de crescimento responsável. O Espírito não proporciona aos discípulos de Jesus «receitas eternas». Dá-nos luz e ânimo para ir buscando caminhos sempre novos para reproduzir hoje sua atuação. Assim, nos conduz para a verdade completa de Jesus.

UM LUGAR EM DEUS

Que sentido pode ter a «Ascensão» de Jesus ao céu numa época em que nenhuma pessoa lúcida imagina, ainda, Deus como um ser que vive num lugar celeste, por cima das nuvens?

Porém, sobretudo, o que pode significar para nós um Salvador que desapareceu longe de nós, quando o que importa é a solução dos problemas de nosso mundo cada vez mais graves e ameaçadores?

E, contudo, neste tempo em que a progressiva exploração do mundo não parece oferecer-nos toda a felicidade desejada e quando se perfila, inclusive, a possibilidade de um final catastrófico da história e não sua consumação feliz, necessitamos escutar mais do que nunca a mensagem que se encerra na Ascensão do Senhor.

Crer na Ascensão de Jesus é crer que a humanidade de Cristo, da qual todos participamos, entrou na vida íntima de Deus de um modo novo e definitivo. Jesus ocultou-se em Deus, porém não para ausentar-se de nós, mas para viver, a partir desse Deus, uma proximidade nova e insuperável, e impulsionar a vida dos homens para seu destino último.

Isso significa que o ser humano encontrou, em Deus, um lugar para sempre. «O céu não é um lugar que está acima das estrelas, é algo muito mais importante: é o lugar que qualquer pessoa tem junto a Deus».

Jesus, mesmo, é isso que nós chamamos céu, pois o CÉU, na realidade, não é nenhum lugar, mas uma pessoa, a PESSOA DE JESUS CRISTO na qual Deus e a humanidade se encontram inseparavelmente unidos para sempre.

Isso quer dizer que nos dirigimos ao céu, entramos no céu, à medida que orientamos nossa vida para Jesus e vamos adentrando-nos nele. Deus tem para os homens um espaço de felicidade definitiva que Cristo nos abriu para sempre. Uma pátria última de reconciliação e paz para a humanidade.

Isto que será escutado por muitos com um sorriso cético é, para aquele que crê, a realidade que sustenta o mundo e dá sentido à apaixonante história da humanidade. Quando se desvanece esta última esperança, o mundo não se enriquece, mas se esvazia de sentido e fica privado de seu verdadeiro horizonte.

Nós que cremos somos seres estranhos num mundo racionalizado, fechado somente em suas próprias possibilidades, otimista algumas vezes e triste e desesperançado outras, segundo os ciclos dos êxitos e fracassos da humanidade, que tanto mudam!

Porém, somos seres alegremente estranhos que levamos em nós uma fé que nos oferece razões para viver e esperança para morrer.

Tradução do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: MUSICALITURGICA.COM - Homilías de José A. Pagola - Segunda-feira, 2 de maio de 2016 - 09h25 - Internet: clique aqui.

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