«O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.»

(Aristóteles [384 a.C. – 322 a.C.] – filósofo grego, discípulo de Platão)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 21 de maio de 2016

Solenidade da Santíssima Trindade – Ano C – Homilia

Evangelho: João 16,12-15

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
12 «Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora.
13 Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará.
14 Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará.
15 Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu.»

JOSÉ ANTONIO PAGOLA 

ABRIR-NOS AO MISTÉRIO DE DEUS

Ao longo dos séculos, os teólogos realizaram um grande esforço para aproximar-se ao mistério de Deus, formulando com diferentes construções conceituais as relações que vinculam e diferenciam as pessoas divinas no seio da Trindade. Esforço, sem dúvida, legítimo, nascido do amor e do desejo de Deus.

Jesus, no entanto, não segue esse caminho. A partir de sua própria experiência de Deus, convida seus seguidores a relacionar-se de maneira confiante com Deus Pai, a seguir fielmente seus passos de Filho de Deus encarnado, e a deixar-se guiar e animar pelo Espírito Santo. Ensina-nos, assim, a abrir-nos ao mistério santo de Deus.

Antes de tudo, Jesus convida seus seguidores a viverem como filhos e filhas de um Deus próximo, bom e amável, ao qual todos podemos invocar como Pai querido. Aquilo que caracteriza este Pai não é seu poder e sua força, mas sua bondade e sua compaixão infinitas. Ninguém está sozinho. Todos temos um Deus Pai que nos compreende, nos ama e nos perdoa como ninguém.

Jesus nos revela que este Pai tem um projeto nascido em seu íntimo: construir com todos os seus filhos e filhas um mundo mais humano e fraterno, mais justo e solidário. Jesus o chama de «Reino de Deus» e convida a todos a entrar nesse projeto do Pai buscando uma vida mais justa e digna para todos, começando por seus filhos mais pobres, indefesos e necessitados.

Ao mesmo tempo, Jesus convida seus seguidores a confiarem também nele: «Não se perturbe o vosso coração. Crede em Deus; crede também em mim». Ele é o Filho de Deus, imagem viva de seu Pai. Suas palavras e seus gestos nos revelam como nos ama o Pai de todos. Por isso, convida todos a segui-lo. Ele nos ensinará a viver com confiança e docilidade a serviço do projeto do Pai.

Com seu grupo de seguidores, Jesus quer formar uma família nova onde todos busquem «cumprir a vontade do Pai». Esta é a herança que quer deixar na terra: um movimento de irmãos e irmãs a serviço dos mais pequenos e desvalidos. Essa família será símbolo e gérmen do novo mundo querido pelo Pai.

Para isso necessitam acolher o Espírito que anima o Pai e a sua Filho Jesus: «Vós recebereis a força do Espírito Santo que virá sobre vós e assim sereis minhas testemunhas». Este Espírito é o amor de Deus, o alento que compartilham o Pai e seu Filho Jesus, a força, o impulso e a energia vital que fará dos seguidores de Jesus suas testemunhas e colaboradores a serviço do grande projeto da Trindade santa.

VIVER DEUS A PARTIR DE JESUS

[...] Para Jesus, Deus é uma experiência: sente-se Filho amado de um Pai bom que se está introduzindo no mundo para humanizar a vida com seu Espírito.

Para Jesus, Deus não é um Pai qualquer. Ele revela nesse Pai alguns traços que nem sempre os teólogos recordam. Em seu coração ocupam um lugar privilegiado os mais pequenos e indefesos, os esquecidos pela sociedade e as religiões: aqueles não podem esperar mais nada de bom da vida.

Este Pai não é propriedade dos bons. «Faz nascer o seu sol sobre bons e maus». A todos abençoa, a todos ama. Para todos busca uma vida mais digna e feliz. Por isso, ocupa-se de modo especial daqueles que vivem «perdidos». Não esquece ninguém, não abandona ninguém. Ninguém caminha pela vida sem a sua proteção.

Tampouco, Jesus é o Filho de Deus de qualquer modo. É Filho amado desse Pai, porém, ao mesmo tempo, nosso amigo e irmão. É o grande presente de Deus para a humanidade. Seguindo seus passos, atrevemo-nos a viver com confiança plena em Deus. Imitando sua vida, aprendemos a ser compassivos como o Pai do céu. Unidos a ele, trabalhamos para construir esse mundo mais justo e humano que Deus quer.

Por último, a partir de Jesus experimentamos que o Espírito Santo não é algo irreal e ilusório. É sensivelmente o amor de Deus que está em nós e entre nós animando sempre nossa vida, atraindo-nos sempre para o bem. Esse Espírito nos está convidando a viver como Jesus que, «ungido» por sua força, passou toda a sua vida fazendo o bem e lutando contra o mal.

É bom concluir nossas orações dizendo: «Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo» para adorar com fé o mistério de Deus. E é bom batizar-nos em nome da Trindade para comprometer-nos a viver em nome do Pai, seguindo fielmente Jesus, seu Filho, e deixando-nos guiar por seu Espírito.

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: Sopelako San Pedro Apostol Parrokia – Sopelana – Bizkaia (Espanha) – J. A. Pagola – Ciclo C (Homilías) – Internet: clique aqui.

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