«A corrupção, como um câncer, está corroendo a vida cotidiana dos povos.»

(Papa Francisco – Mensagem enviada aos bispos da América Latina e Caribe em Assembleia de 9 a 12 de maio de 2017)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Mais um vexame da era Lula!

Operadora de telefonia Oi, eleita “campeã nacional” no governo Lula, sucumbiu à crise

Luiz Guilherme Gerbelli e Mônica Scaramuzzo

Política usada no governo Lula de ajudar algumas empresas para concorrer com as multinacionais, para economistas, criou distorções

A operadora tentou, nesses últimos meses, renegociar uma dívida financeira de cerca de R$ 50 bilhões, sem sucesso. No processo protocolado nesta segunda-feira (20 de junho), na Justiça do Rio, a empresa declara débitos totais de R$ 65,4 bilhões. A diferença refere-se a contingenciamentos (disputas judiciais), de cerca de R$ 13 bilhões, e dívidas com fornecedores.

O pedido de recuperação judicial da Oi mostra que a política encampada durante o governo do PT de criação de grandes empresas, capazes de competir globalmente, com a ajuda do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], foi, no mínimo, discutível. Apesar de toda a ajuda federal, essas companhias nem sempre se mostraram capazes de assumir a posição de liderança que almejavam. No caso específico da Oi, a “supertele nacional” jamais chegou a ameaçar a posição das rivais Vivo, Claro e TIM em telefonia celular. [Mas o dinheiro do povo, através do BNDES, jorrou fartamente para a Oi e outras grandes empresas do capitalismo apadrinhado brasileiro!!!]

Entre outros negócios que foram eleitos como prioritários pelo governo, o resultado foi variado: enquanto a JBS se tornou líder global em carnes e a Fibria é a maior empresa de celulose do País, a LBR, de lácteos, pediu recuperação judicial e saiu do mercado. O frigorífico Marfrig também tem atuado no vermelho e teve de vender ativos.

A “supertele nacional” surgiu em 2008, quando a Oi se fundiu com a Brasil Telecom, criando à época uma empresa com atuação em todos os Estados, à exceção de São Paulo. Para que essa fusão fosse feita, o governo teve de mexer na legislação – havia uma série de entraves legais aos negócios.

Em 2013, também com uma ajuda do governo, a Oi, já em dificuldades, se uniu à Portugal Telecom. A ideia foi vendida, à época, como uma forma de criar uma multinacional de língua portuguesa capaz de concorrer até em outros continentes. Mas nada disso deu certo, a dívida da empresa não parou de subir e acabou culminando na recuperação judicial.
FÁBIO LUÍS LULA DA SILVA (filho do ex-presidente Lula):
era sócio da empresa GAMECORP que chegou a receber milhões de reais da Oi.
A parceria Oi-Gamecorp começou em 2005, quando a operadora aumentou o capital da empresa em R$ 2,7 milhões e pagou R$ 2,5 milhões pela exclusividade dos serviços. Em 2006, injetou outros R$ 5 milhões.
Para saber mais, clique aqui.

Malsucedido

Para Sergio Lazzarini, professor do Insper, a política chamada de campeãs nacionais tem mais casos de insucessos. “Nossos estudos mostram que o BNDES até ajudou companhias no passado. As que prosperavam eram aquelas que precisavam de capital e tinham bons projetos”, diz. A Embraer, por exemplo, foi um caso que contou com ajuda estatal e conseguiu prosperar. “No caso da Oi, houve uma conjugação política importante. Foi uma movimentação que buscava duas coisas: resolver os conflitos que estavam ocorrendo entre os acionistas e a decisão do governo Lula de criar grandes grupos.”

De acordo Lazzarini, a política de campeã nacional acabou no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. “Um divisor de águas foi a tentativa do Abílio Diniz de fundir o Carrefour e o Pão de Açúcar, com o dinheiro do BNDES. Na época, foi extremamente criticado.”

Em entrevista recente, Rodrigo Zeidan, professor de economia da Fundação Dom Cabral, disse que um dos problemas da política de campeãs nacionais foi não ter focado em setores estratégicos, mas sim em empresas que mantinham boa relação com o governo. [É o “capitalismo dos compadres”, ou seja, aos amigos tudo, mesmo que o dinheiro seja do povo! Somente o BNDES, de 1998 a 2014, emprestou para a Oi quase R$ 19 bilhões! É mole???]

Em entrevista ao O Estado de S. Paulo, em 2013, o então presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou que a promoção da competitividade de grandes empresas era uma política que havia se exaurido. Coutinho contestou, à época, o termo “campeãs nacionais”. O BNDES diz que associar o banco a campeãs nacionais pressupõe que há privilégios a poucas empresas, o que seria incorreto.

Prioridade

Pelo menos, agora, em recuperação judicial, o BNDES terá uma vantagem. Os credores com garantia real – casos do BNDES e o BRB (Banco de Brasília) – são os que deverão receber primeiro, além das dívidas trabalhistas. Os credores restantes entram na mesma fila. “No fundo, o pedido de recuperação judicial não é ruim para a Oi. Eles caíram na real de que a situação é crítica e que a reestruturação terá de ser feita”, disse uma fonte a par do assunto.

Fonte: O Estado de S. Paulo – Economia – Terça-feira, 21 de junho de 2016 – Pág. B3 – Internet: clique aqui.

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