«A corrupção, como um câncer, está corroendo a vida cotidiana dos povos.»

(Papa Francisco – Mensagem enviada aos bispos da América Latina e Caribe em Assembleia de 9 a 12 de maio de 2017)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Algumas “pérolas” de nossa política!

O autoengano de Dilma Rousseff

Elio Gaspari

A ruína dela não começou quando aliou-se ao PMDB,
mas quando achou que poderia se livrar dele
MICHEL TEMER E DILMA ROUSSEFF

Dilma Rousseff disse que "o erro mais óbvio que cometi foi a aliança que fiz para levar a Presidência nesse segundo mandato com uma pessoa que explicitamente, diante do país inteiro, tomou atitudes de traição e usurpação". A doutora não gosta de reconhecer seus erros e é possível que essa frase seja mais um pretexto para falar mal de Michel Temer do que uma reflexão sobre sua ruína.

Como está cada vez mais próximo o dia em que Dilma Rousseff passará para a história restará uma pergunta: como foi que ela chegou a essa situação?

A aliança com o PMDB não foi um erro, foi o acerto que permitiu sua reeleição. Sem Temer na Vice-Presidência ela não ficaria de pé. Não foi Temer quem fritou Dilma, foram ela e o comissariado petista que tentaram fritar o PMDB.

Logo depois da eleição de 2014, sob os auspícios da presidente, o PT começou a dificultar a vida do PMDB. Fizeram isso de forma pueril. Sabiam que Eduardo Cunha era candidato à presidência da Câmara dos Deputados e acreditaram que poderiam derrotá-lo lançando o petista Arlindo Chinaglia. Eleger um petista em plena Lava Jato era excesso de autoconfiança. Acreditar que isso seria possível com a ajuda do PSDB foi rematada ingenuidade.

Quando o barco da prepotência petista começou a adernar, Dilma decidiu pedir socorro ao PMDB e convidou Temer para a coordenação política do governo. Ele não precisava aceitar, pois era vice-presidente da República. Em poucas semanas recompôs a base governista, mas coisas estranhas começaram a acontecer. Temer fazia acordos, os parlamentares cumpriam e o Planalto renegava as combinações. Em português claro: Temer fez compras usando seu cartão de crédito e Dilma não pagava as faturas. Ele foi-se embora e, aos poucos, juntou-se às multidões que pediam "Fora, PT" nas ruas. (Elas gritavam "Fora, PT", mas não pediam "Temer Presidente", esse é o problema que está hoje na cabeça de muita gente.)

O comissariado do PT achou que hegemonia política é coisa que se obtém a partir de um programa de governo. Gastaram os tubos e produziram ruína econômica e isolamento político.

Talvez o maior erro de Dilma tenha sido outro, fingir que não via a manobra silenciosa de Lula tentando substituí-la na chapa da eleição de 2014. E o maior erro de Lula foi não ter sentando diante de Dilma dizendo-lhe com todas as letras que queria a cadeira de volta. 
JATINHOS DA FORÇA AÉREA BRASILEIRA (FAB)
que antes só serviam para ficar levando e trazendo políticos e magistrados de alto nível,
agora, finalmente, estão voando para levar órgãos para transplantes urgentes

As coisas boas também acontecem

Por caminhos diferentes, dois repórteres mostraram o absurdo que é a transformação da Força Aérea Brasileira [FAB] numa locadora de jatinhos para atender maganos do governo.

Marina Dias contou que Dilma Rousseff preferiu alugar um jatinho privado para voar de Brasília a Belém. Num Legacy da FAB ela pagaria R$ 100 mil pelo bilhete de ida e volta. No mercado, conseguiu a mesma coisa por R$ 90 mil. [Parece que a crise não chegou até o bolso de Dilma e de seus apoiadores!!!]

No início do mês, Vinicius Sassine mostrara que em três anos a FAB não conseguiu atender a 153 pedidos de transporte de órgãos para transplantes. No mesmo período, a FAB atendeu a 716 reservas de ministros e dos presidentes do Supremo Tribunal, da Câmara e do Senado. Em geral essa boca rica ajuda os hierarcas a fugir de Brasília. (Entre janeiro e setembro de 2015, Eduardo Cunha fez 71 voos.)

A exposição do custo social da mordomia levou o governo a determinar que a FAB mantenha sempre um avião disponível para o transporte de órgãos. Sassine foi conferir o resultado e contou que, em apenas três semanas, foram transportados oito corações, quatro fígados e dois pâncreas.

PORTA FECHADA

É quase nula a possibilidade de o Ministério Público de Curitiba aceitar uma proposta de colaboração [delação premiada] vinda de Eduardo Cunha.

Nem que ele saiba o endereço do ET de Varginha ou tenha a fórmula do elixir da longa vida.

Eduardo Cunha com uma tornozeleira na pérgula de uma piscina seria a desmoralização da Lava Jato.

SINAL DOS CÉUS

Numa trapaça da fortuna, na mesma semana em que estimulou um projeto que pretende conter abusos de autoridade (ele nega que isso tenha ver com a Operação Lava Jato), Renan Calheiros defendeu a legalização da tavolagem, também conhecida com "jogos de azar" e a Lava Jato encarcerou o contraventor Carlinhos Cachoeira.

Se tudo isso fosse pouco, o projeto dos abusos de autoridade será discutido numa comissão presidida pelo senador Romero Jucá. Na sua conversa com Sérgio Machado, ele foi profético: tem que mudar o governo para "estancar essa sangria".

O governo já mudou.
EUNÍCIO LOPES DE OLIVEIRA
Senador pelo PMDB do Ceará

EUNÍCIO

O cearense Eunício de Oliveira será o próximo presidente do Senado. [De novo, um do PMDB e da mesma cúpula! Êta panelinha boa!]

BOLSA CURITIBA

Pelo menos um freguês da Lava Jato que vive em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica já desabafou com um amigo que há ocasiões em que pensa em pedir ao juiz Sergio Moro para hospedá-lo por uns dias na carceragem de Curitiba.

No tempo das vacas gordas seu casamento já não era um conto de fadas. Agora a prisão domiciliar funciona como um regime fechado de convivência obrigatória com a patroa. [Vida de marido bandido não é fácil!]

O cidadão argumenta que na carceragem ninguém recrimina o outro por ter delinquido.

EREMILDO, O IDIOTA

Eremildo é um idiota, vinha apoiando o governo Temer sem saber por quê, mas acredita que matou a charada.

Temer tem um compromisso genérico com a contenção de despesas do governo e outros, específicos, com grupos de pressão interessados em detonar a Bolsa da Viúva.

Homem de palavra, cumpre todos.
DOLORES IBÁRRURI
Em sua voz popularizou-se uma canção muito usada em protestos "no passarán" ("Não Passarão!")

NÃO PASSARÃO

Os organizadores de manifestações em defesa de Dilma Rousseff bem que poderiam dispensar o grito de guerra "Não Passarão".

Ele encanta a esquerda, mas não traz sorte. O "no passarán" celebrizou-se durante a Guerra Civil Espanhola, na voz da comunista Dolores Ibárruri, chamada de "La Pasionaria". As tropas do general Francisco Franco passaram e sua ditadura durou 36 anos, até 1975.

"La Pasionaria" fugiu para Moscou e morreu em Madri, três meses depois da queda do Muro de Berlim. Desde então, os alemães passam livremente pela porta de Brandemburgo.

Fonte: Folha de S. Paulo – Poder – Domingo, 3 de julho de 2016 – Pág. A10 – Internet: clique aqui.

É o dinheiro, gênio!

José Roberto de Toledo

Só tem poder quem arrecada e redistribui boa parte do que é arrecadado
EDUARDO CUNHA
Deputado Federal pelo PMDB do RJ está ficando sem dinheiro!!!
Afinal, seus patrocinadores e cobradores estão sendo investigados e presos!!!
Devido a isso, seu poder e influência estão diminuindo...

A romaria de deputados até Eduardo Cunha rareou, relatam os repórteres Daiene Cardoso e Daniel Carvalho. O que explicaria a repentina falta de fé nas mágicas do bruxo que apeou o PT do poder ao aceitar, em ato solitário, o pedido de impeachment contra Dilma Rousseff? Falta de gratidão dos políticos? Por certo, mas notícia seria se isso existisse. O sumiço dos pares coincide com a prisão de quem, segundo o Ministério Público, ajudava a financiá-lo. Antes dos deputados, rareou o dinheiro.
 
RICARDO MAGRO
No período de uma semana, a Polícia Federal prendeu dois empresários muito próximos a Cunha. Além de serem interlocutores do presidente afastado da Câmara e hóspedes temporários da Polícia Federal, Ricardo Magro e Lucio Bolonha Funaro foram clientes de um mesmo e notório escritório de advocacia: o Mossack Fonseca. Ambos se valeram dos serviços da firma panamenha para abrir empresas offshore em paraísos fiscais – a mesma tornada mundialmente infame pelos Panama Papers por atender de reis a traficantes.

Magro já foi advogado de Cunha e – a exemplo do ex-cliente – diz não ser sócio de empresas cujo usufruto é atribuído a ele. São propriedade de “trusts” constituídos no exterior, afirma. Nega, por exemplo, ser controlador da privatizada refinaria de Manguinhos, que Cunha teria pressionado a BR Distribuidora a recomprar, segundo o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.
LUCIO BOLONHA FUNARO

Apesar de comparativamente jovem, Funaro, 42, é personagem das páginas político-policiais há uma década, desde que criou a Garanhuns Empreendimentos. Segundo Marcos Valerio, a empresa de fachada era usada para repassar recursos do mensalão petista ao antigo PL de Valdemar Costa Neto. A Justiça reconheceu crime de lavagem de dinheiro por Funaro, mas o juiz deixou de aplicar-lhe a pena prevista em lei por ele ter feito delação premiada. Sua advogada na época viria a ficar famosa: Beatriz Catta Preta.

Outro executivo ligado a Cunha tornou-se delator na Lava Jato e explicou as relações entre o braço político e o empresarial. Ex-vice presidente da Caixa, Fabio Cleto disse que cabia a Funaro cobrar empresários extorquidos e cúmplices, dar cara de lícito ao dinheiro e destiná-lo a quem o chefe determinasse. A ele, Cleto, cabia aprovar projetos do esquema para serem bancados pelo Fundo de Investimentos do FGTS (o “do trabalhador”).

Responsável pela indicação de Cleto para a Caixa desde antes de ser presidente da Câmara, Cunha recebia-o semanalmente em sua casa, sempre às terças-feiras, relatou o delator. Escolhia pelo valor quais projetos seriam financiados e mandava ele “melar” os de interesse do PT. Para garantir sua lealdade, mantinha uma carta de demissão sem data e assinada por Cleto na gaveta.
FÁBIO CLETO EXERCEU ESSE CARGO POR INDICAÇÃO DE EDUARDO CUNHA

Além do modo de operar da organização, o ex-vice presidente da Caixa entregou também o tamanho da operação: 1% do valor de todos os projetos. Segundo ele, Cunha ficava com 80% da propina paga pelos empresários. Não há carros de luxo, hotéis, jantares em restaurantes caros e joias para a esposa que consumam todo esse dinheiro. Os recursos destinavam-se a manter o poder.

Como demonstrou o repórter Daniel Bramatti, ninguém é cacique do PMDB de graça. Dois em cada três reais investidos no PMDB nas campanhas de 2010 e 2014 para senador e governador foram parar nos Estados dos peemedebistas mais poderosos. O Rio de Cunha, o Maranhão de José Sarney e Edison Lobão, o Rio Grande do Norte de Henrique Eduardo Alves, as Alagoas de Renan Calheiros, o Ceará de Eunício Oliveira e Roraima de Romero Jucá receberam desproporcionalmente mais recursos do que têm de eleitores.

No sistema brasileiro, não se ganha eleição sem gastar muito. Cunha descobriu na fartura e está confirmando na carência que só tem poder quem arrecada e redistribui boa parte do arrecadado. Todo o poder emana do dinheiro e em seu nome é exercido.

Fonte: O Estado de S. Paulo – Política – Segunda-feira, 4 de julho de 2016 – Pág. A6 – Internet: clique aqui.

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