«O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.»

(Aristóteles [384 a.C. – 322 a.C.] – filósofo grego, discípulo de Platão)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

O que Cunha ainda está fazendo na Câmara?

O último atrevimento

Editorial

Eduardo Cunha é, definitivamente, um fenômeno doentio
EDUARDO CUNHA DEFENDE-SE NA COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA DA CÂMARA
Ao seu lado, está o presidente da Comissão, Deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR)

Se já não houvesse razões mais do que suficientes para que tenha seu mandato de deputado cassado por falta de decoro parlamentar, Eduardo Cunha as forneceu ele próprio com o atrevimento de comparecer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para, dirigindo-se aos, segundo ele, 117 parlamentares investigados por corrupção, declarar, com o mais absoluto despudor, o que pode ser resumido em português claro:

“A perseguição não para, não se pode mais roubar em paz. Hoje foi comigo, amanhã será com vocês. Só há uma saída: corruptos, unamo-nos!”.

Eduardo Cunha é, definitivamente, um fenômeno patológico. Em mais de um quarto de século de vida pública tem colecionado toda sorte de suspeitas sobre enriquecimento ilícito. É hoje um homem muito rico que faz questão de ostentar um padrão de vida altamente sofisticado, que justifica invocando rendimentos obtidos com a exportação de carnes enlatadas para a África e com sua habilidade no mercado financeiro. Já sua mulher, a ex-jornalista Claudia Cruz, também ré da Lava Jato, alega que a fortuna do casal advém, principalmente, de bem-sucedidos investimentos imobiliários na Barra da Tijuca.

Réu em dois processos da Lava Jato até agora e acusado em várias delações premiadas de ter exigido e recebido milhões de dólares em propina, Cunha foi alvo de uma decisão inédita do Supremo Tribunal Federal (STF), que por unanimidade o afastou do exercício do mandato de deputado federal e do cargo de presidente da Câmara dos Deputados, ao qual renunciou dias atrás numa evidente manobra para tentar salvar a condição de parlamentar que lhe garante foro privilegiado na Justiça.

Com extrema ousadia e inegável habilidade política, nos últimos anos Eduardo Cosentino Cunha logrou reunir em seu entorno um grande número de aliados, deputados de dentro e de fora das fileiras de seu partido, o PMDB. Construiu esse grupo recorrendo exatamente aos mesmos expedientes que garantiram aos governos petistas montar uma sólida base de apoio parlamentar: o toma lá dá cá. A troca de favores foi sustentada pela teia de relações cultivada por Cunha nos altos escalões do governo e, principalmente, nos círculos empresariais, por meio dos quais conseguiu oferecer apoio financeiro a dezenas de campanhas eleitorais de parlamentares e prefeitos.
CENTRÃO
Como é denominado o grupo de deputados federais arregimentados
por Eduardo Cunha na Câmara

A primeira grande manifestação da eficiência dos métodos políticos de Eduardo Cunha contou com a inestimável colaboração de Dilma Rousseff. Recém-empossada em seu segundo mandato e com a soberba à flor da pele, a pupila que hoje Lula renega entendeu que era hora de acabar com a incômoda influência de seu principal aliado, o PMDB, no Congresso Nacional. Decidiu ignorar acordos e instalar um petista na presidência da Câmara dos Deputados, em fevereiro do ano passado. Foi fragorosamente derrotada por Cunha, no primeiro turno da votação, pois naquele instante o parlamentar fluminense já tinha sob controle o chamado baixo clero, hoje conhecido como Centrão. Foi o começo do fim de Dilma.

O circo de horrores na política a que o País assistiu no último ano e meio, tornado mais complexo e grave pela sucessão de escândalos envolvendo agentes públicos e empresários, pode estar chegando agora ao limiar de uma nova fase com a remoção da cena dos dois inimigos figadais, Dilma e Cunha, que tanto mal têm feito ao Brasil.

O ex-presidente da Câmara, que acabou se transformando no maior símbolo de tudo o que os brasileiros repudiam na política e por essa razão tem um índice recorde de rejeição pela opinião pública, encara sua agonia final com o mesmo despudor que sempre foi a marca registrada de seu comportamento político. Mas seu fim é inevitável, pois o que lhe resta de poder se esvai na medida em que os antigos aliados se dão conta de que ele não tem mais nada a oferecer. Terá o mandato cassado, provavelmente em agosto, e aí vai ter que se entender com a Justiça de primeira instância – o juiz Sergio Moro, inclusive – e em seguida fazer companhia ao crescente bando de corruptos que começam a lotar as cadeias. Falta o destino ser suficientemente irônico para jungir Cunha e Dilma, simultaneamente, no caminho do esquecimento. Seria uma ótima notícia, para variar.

Fonte: O Estado de S. Paulo – Notas e Informações – Quinta-feira, 14 de julho de 2016 – Pág. A3 – Internet: clique aqui.

ANÁLISE

Cassação não vai resolver problemas do
sistema político

Marcos Cordeiro Pires
Professor do Departamento de Ciências Políticas e Econômicas
UNESP – Marília (SP)
MARCOS CORDEIRO PIRES

O mandato do deputado Eduardo Cunha ganhou mais um suspiro com o adiamento ontem da sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que discute um recurso quanto à anulação da decisão do Conselho de Ética que definiu a sua cassação. Quem acompanhou o desenrolar da sessão deve ter ficado perplexo com as manobras utilizadas para procrastinar a decisão. As idas e vindas do presidente interino Waldir Maranhão quanto ao início da eleição do novo presidente da Câmara foi outra situação deprimente.

Muito disso se deve ao fato de que Cunha, na condição de presidente da Câmara, mobilizou a estrutura administrativa da Casa para sua defesa. Ademais, ele conta com um grande contingente de deputados que lhe devem favores por intermediar os recursos com os quais muitos deles foram eleitos, tal como mostra a Operação Lava Jato.

Apesar de ser o novo “inimigo público número um”, Cunha não é um ponto fora da curva. Talvez ele seja a personificação dos vícios em que está mergulhado o sistema político brasileiro. Ele não é o inventor do caixa 2. Tampouco criou o esquema simbiótico que une as empreiteiras ao sistema político-partidário. Também não foi o primeiro político que se enriqueceu, tal como denuncia o Ministério Público Federal. Mas Eduardo Cunha é hoje o ícone da falência do sistema político brasileiro.

Dessa falência surge a proeminência do Judiciário, que sempre é chamado para resolver problemas que o Legislativo se recusa a fazer. O presidencialismo de coalizão está moribundo:
* Todo o sistema carece de representatividade.
* As coligações eleitorais dão margem ao efeito “Tiririca”.
* O financiamento eleitoral abre a porta para a corrupção.
* Aparatos como clubes e igrejas são manipulados escancaradamente durante as eleições.
* Há uma profusão de partidos nanicos, que antes de expressar uma parcela da opinião pública são verdadeiros balcões de negócios.

A cassação de Cunha não vai resolver nenhum problema de fundo. Apenas dará à opinião pública um boi de piranha para que o sistema continue a se reproduzir. O governo Temer tem inúmeros outros “Cunhas” que se escondem sob o discurso da moralidade e que logo podem ser tragados por operações jurídico-policiais. Uma reforma profunda, nos marcos desse Congresso, mostra-se impossível, visto que são os representantes atuais os beneficiários do caos do sistema político. [Isso é a pura verdade! Somente uma Constituinte Exclusiva para realizar a Reforma Política ou um novo Congresso eleito em 2018, mais ético, de mais qualidade poderá realizar algo!]

Cabe perguntar, de onde virá a força para refundar a República? Teremos que esperar por algum Messias? [Muito cuidado com esses “messias” de hoje! Podem ser o capeta travestido de salvador!!!]

Fonte: O Estado de S. Paulo – Política – Quinta-feira, 14 de julho de 2016 – Pág. A7 – Internet: clique aqui.

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