«A corrupção, como um câncer, está corroendo a vida cotidiana dos povos.»

(Papa Francisco – Mensagem enviada aos bispos da América Latina e Caribe em Assembleia de 9 a 12 de maio de 2017)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 2 de julho de 2016

Solenidade de São Pedro e São Paulo Apóstolos – Ano C – Homilia

Evangelho: Mateus 16,13-19

Naquele tempo:
13 Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?».
14 Eles responderam: «Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas».
15 Então Jesus lhes perguntou: «E vós, quem dizeis que eu sou?».
16 Simão Pedro respondeu: «Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo».
17 Respondendo, Jesus lhe disse:  «Feliz es tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu.
18 Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la.
19 Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus;
tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus».

JOSÉ ANTONIO PAGOLA
SÃO PEDRO E SÃO PAULO
Pinturas de "El Greco"

CONSTRUIR A IGREJA DE JESUS

A Igreja que conhecemos hoje entre nós, aparece-nos como uma organização sociológica que abarca todos os cidadãos que são registrados como batizados poucos dias após o seu nascimento.

Não é fácil ver nela a comunidade dos que descobriram o Evangelho, creram com alegria em Jesus Cristo salvador e pretendem viver a partir das exigências e da esperança da mensagem de Jesus.

A Igreja acabou sendo em nossa sociedade, uma instituição da qual não se pode dizer que seja um conjunto de homens e mulheres que se esforçam por viver de acordo com o Evangelho.

A pertença à Igreja não se deve ao fato de uma pessoa ter descoberto Jesus Cristo e se convertido à fé, mas, simplesmente, por ter nascido em uma família de batizados. Consequentemente, os membros da Igreja não são, necessariamente, os convertidos ao Evangelho, mas os nascidos em determinados países «cristãos» ou em determinados grupos sociológicos. Dessa forma, a Igreja deixa de ser a comunidade de convertidos a Jesus e se configura como a massa de batizados que pedem, com maior ou menor frequência, alguns serviços religiosos.

Necessitamos passar de uma Igreja entendida como um mero fato sociológico, para uma Igreja entendida como a comunidade dos que vivem esforçando-se para seguir Jesus Cristo.

Necessitamos de comunidades cristãs nas quais as exigências do Evangelho sejam bem conhecidas e claramente propostas. Comunidades de homens e mulheres que saibam muito bem ao que se comprometem quando decidem, livremente, entrar e passar a ser parte da comunidade cristã.

Comunidades nas quais todos se sentem responsáveis e protagonistas da missão evangelizadora da Igreja. Comunidades não separadas nem dissociadas uma das outras, mas estreitamente relacionadas e unidas para tornar presente, também hoje, a força do Evangelho em nossa sociedade.

Não são estas algumas de nossas necessidades mais urgentes nestes momentos?
 
A IGREJA DE JESUS CRISTO

Todas as pesquisas e estatísticas mostram, de modo palpável, que a mensagem da Igreja está perdendo progressivamente a sua influência na sociedade ocidental. O homem contemporâneo escuta outros «evangelhos» e atende a outros «profetas».

São muitos os que criticam fortemente a história concreta do cristianismo e lançam na cara da Igreja graves traições. Chegou o momento no qual os papéis se inverteram, não é mais a Igreja que julga o mundo, mas este que julga a Igreja!

O ser humano atual, terrivelmente prático e crítico, observa o cristianismo e não constata, ao que parece, nada de especial. Da mesma forma que no mundo, também na Igreja se vê homens e mulheres vazios, superficiais, hipócritas ou sem esperança.

O Evangelho parece ter-se convertido em algo inofensivo! A mensagem da Igreja não encontra, quase nunca, uma reação de resistência hostil, mas de total indiferença. Segundo o teólogo ortodoxo Paul Evdokimov [1901-1970], «os cristãos fizeram todo o possível para esterilizar o evangelho; pode-se dizer que o submergiram em um líquido neutralizante».

O fato cristão parece ressoar, portanto, no vazio. A Igreja não apenas introduz contraste no interior do mundo, como também os cristãos perderam, em grande parte, sua força de fermento no meio da massa.

Não será esta a grande derrota da Igreja contemporânea? Como ler, a partir desta situação, a promessa de Jesus: «Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e o poder do inferno não a derrotará»?

Antes de tudo, temos de recordar que Jesus fala de «sua Igreja», de uma Igreja que ele mesmo há de edificar sobre Pedro. Suas palavras, portanto, não garantem a consistência de qualquer Igreja, mas de uma Igreja que seja, realmente, «presença de Jesus Cristo».

Pois bem, Jesus Cristo não é somente «doutrina», mas Vida de Deus encarnada, salvação feito vida. Por isso, aquilo que se há de construir sobre Pedro não é somente um corpo de doutrina ortodoxa, mas o Corpo vivo da presença de Cristo no mundo.

Jesus Cristo não é, tampouco, «palavras vazias», mas novidade de vida autenticamente humana. Por isso, a Igreja deve ser um foco de vida e não um lugar onde se produz «um vocabulário suplementar», porém, onde o modo de pensar e de agir seja semelhante ao do mundo.

 Jesus Cristo não é só «preocupação ética», mas enraizamento da vida no Deus Criador e Pai. Por isso, aquilo que a Igreja deve pôr no mundo não é simplesmente «crença moral», mas vida que emana do Transcendente.

É esta a Igreja de Jesus Cristo, aquela que o mundo atual necessita e que nunca será derrotada.

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: Sopelako San Pedro Apostol Parrokia – Sopelana – Bizkaia (Espanha) – J. A. Pagola – Ciclo C (Homilías) – Internet: clique aqui.

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