«Daqui a alguns anos estarás mais arrependido pelas coisas que não fizeste do que pelas que fizeste. Solta as amarras! Afasta-se do porto seguro! Agarra o vento em suas velas! Explora! Sonha! Descubra!»

(Mark Twain [1835-1910] – escritor e humorista norte-americano)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 6 de agosto de 2016

19º Domingo do Tempo Comum – Ano C – Homilia

Evangelho: Lucas 12,32-48


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
32 «Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a vós o Reino.
33 Vendei vossos bens e dai esmola. Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe; ali o ladrão não chega nem a traça corrói.
34 Porque onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.
35 Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas.
36 Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater.
37 Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade eu vos digo: Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar-se à mesa e, passando, os servirá.
38 E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão, se assim os encontrar!
39 Mas ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa.
40 Vós também ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes».
41 Então Pedro disse: «Senhor, tu contas esta parábola para nós ou para todos?».
42 E o Senhor respondeu: «Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa para dar comida a todos na hora certa?
43 Feliz o empregado que o patrão, ao chegar, encontrar agindo assim!
44 Em verdade eu vos digo: o senhor lhe confiará a administração de todos os seus bens.
45 Porém, se aquele empregado pensar: “Meu patrão está demorando”, e começar a espancar os criados e as criadas, e a comer, a beber e a embriagar-se,
46 o senhor daquele empregado chegará num dia inesperado e numa hora imprevista, ele o partirá ao meio e o fará participar do destino dos infiéis.
47 Aquele empregado que, conhecendo a vontade do senhor, nada preparou, nem agiu conforme a sua vontade, será chicoteado muitas vezes.
48 Porém, o empregado que não conhecia essa vontade e fez coisas que merecem castigo, será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!»

JOSÉ ANTONIO PAGOLA
Lâmpada acessa = vigilância

NECESSITAMOS DELES MAIS DO QUE NUNCA

As primeiras gerações cristãs se viram muito cedo obrigadas a colocarem-se uma questão decisiva. A vinda de Cristo ressuscitado atrasava-se mais do que haviam pensado no começo. A espera lhes era longa. Como manter viva a esperança? Como não cair na frustração, no cansaço e desânimo?

Nos evangelho encontramos diversas exortações, parábolas e apelos que somente têm um objetivo: manter viva a responsabilidade das comunidades cristãs. Um dos apelos mais conhecidos diz assim: «Tende cingida a cintura e acessas as lâmpadas». Que sentido podem ter estas palavras para nós, depois de vinte séculos de cristianismo?

As duas imagens são muito expressivas. Indicam a atitude que devem ter os empregados que estão esperando de noite o regresso de seu patrão, para abrir-lhe o portão da casa quando chamados. Devem estar com «a cintura cingida», isto é, a túnica com a barra arregaçada para poder mover-se e atuar com agilidade. Devem estar com «as lâmpadas acessas» para ter a casa iluminada e manterem-se despertos.

Estas palavras de Jesus são também hoje um chamado a viver com lucidez e responsabilidade, sem cair na passividade e na letargia. Na história da Igreja há momentos em que se faz noite. No entanto, não é a hora de apagar as luzes e ir dormir. É a hora de reagir, despertar nossa fé e seguir caminhando para o futuro, inclusive em uma Igreja velha e cansada.

Um dos obstáculos mais importantes para impulsionar a transformação que a Igreja necessita hoje é a passividade generalizada dos cristãos. Infelizmente, durante muitos séculos os educamos, sobretudo, para a submissão e a passividade. Todavia, hoje, às vezes parece que não necessitamos deles para pensar, planejar e promover caminhos novos de fidelidade para Jesus Cristo.

Por isso, temos de valorizar, cuidar e agradecer tanto o despertar de uma nova consciência em muitos leigos e leigas que vivem hoje sua adesão a Cristo e sua pertença à Igreja de um modo lúcido e responsável. É, sem dúvida, um dos frutos mais valiosos do Concílio Vaticano 2º, o primeiro concílio que se ocupou direta e explicitamente deles.

Estes crentes podem ser hoje o fermento de paróquias e comunidades renovadas em torno ao seguimento fiel a Jesus. São o maior potencial do cristianismo. Necessitamos deles mais do que nunca para construir uma Igreja aberta aos problemas do mundo atual, próxima aos homens e mulheres de hoje.
Jesus em oração e diálogo interior com o Pai - Jardim do Getsêmani

VERTIGEM

Uns a chamam de «euforia do verão». Outros «desregramento». O certo é que, durante o verão, é mais fácil advertir esse tipo de vida cada vez mais frequente na sociedade ocidental e que foi qualificado por alguns analistas como «experiência de vertigem».

Todos sabemos o que sucede quando subimos uma torre alta e olhamos para o solo. O vazio nos arrasta, e se não seguramos fortemente em algo, corremos o risco de precipitarmos para o abismo. Algo disto pode acontecer na vida do indivíduo. O vazio interior pode provocar uma espécie de vertigem capaz de arrastar a pessoa para a sua ruína.

Quando se vive sem convicções profundas ou se carece de verdadeiros ideais, cria-se um vazio interior que deixa a pessoa a mercê de toda classe de impressões passageiras. Então, tudo o que produz euforia ou prazer seduz e arrasta. O indivíduo se deixa levar por qualquer experiência que possa preencher sua sensação de vazio. Necessita possuir e desfrutar tudo. E, além disso, agora mesmo e ao máximo.

Outra característica desta «vertigem existencial» é a busca do ruído. A pessoa não suporta o silêncio. Aborrece o recolhimento. Necessita perder-se na agitação e gritaria. Desta forma é mais fácil viver sem escutar nenhuma voz interior.

Esta vertigem conduz, em geral, a um estilo de vida onde tudo pode ficar desfigurado. Facilmente, confunde-se a alegria com a euforia, a festa com a orgia, o amor com o sexo, o descanso com a desfaçatez. A pessoa quer viver intensamente cada momento, porém, com frequência, não pode evitar a sensação de que pode estar-lhe escapando algo importante da vida.

E, certamente, é assim. Na «experiência de vertigem» encerra-se um engano que Alfonso López Quintás [nascido em 1928, é pedagogo e filósofo espanhol] resume com estas palavras: «As experiências fascinantes de vertigem prometem tudo, não exigem nada e acabam tirando tudo». Para viver uma vida de vertigem, não faz falta nenhum esforço. Somente deixar-se levar pelos impulsos instintivos e ceder à satisfação imediata. O que se passa é que uma vida «desregrada» leva facilmente à dispersão, ao entorpecimento e à tristeza interior.

Temos de escutar o convite de Jesus a viver vigilantes, «cingidas as cinturas e acessas as lâmpadas». Para viver de forma mais humana e mais cristã é necessário cuidar mais «do dentro» e alimentar melhor a vida interior. Não é estranho que um mestre espiritual de nossos dias afirme que o homem contemporâneo necessita escutar a célebre lema de Santo Agostinho: «voltemos ao coração».

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: MUSICALITURGICA.COM – Homilías de José A. Pagola – Segunda-feira, 1 de agosto de 2016 – 09h43 [horário de verão da Europa Central] – Internet: clique aqui.

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