«O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.»

(Aristóteles [384 a.C. – 322 a.C.] – filósofo grego, discípulo de Platão)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A raiz de todas as mudanças é a radical transformação da cultura

José María Castillo*
Religión Digital
13-08-2016

“O Evangelho é o fator determinante da vida da Igreja?
Ele está na estrutura fundamental de nossa cultura?
É o critério orientador de nossas vidas?
No dia em que tudo isto ficar resolvido e claro, nesse dia teremos a resposta resolvida e esclarecida para as nossas perguntas, as grandes perguntas da vida” 
JESUS NA SINAGOGA DE NAZARÉ
ocasião em que assume a missão que lhe fora confiada pelo Pai e a explicita inspirado em Isaías 61,1-2
A cena da sinagoga está em Lucas 4,16-30
Muita gente não se dá conta que o mais importante, que estamos vivendo nesse exato momento, não é a mudança de governo, nem a desejada mudança na economia, nem a almejada (ou temida) mudança de não poucas leis e costumes, nem as mudanças na religião e seus governantes. Tudo isso, claro, é importante. Mas, não é o fundamental.

A raiz de todas as mudanças está, neste momento, na radical transformação que estamos vivendo em nossa cultura. Por isso, tudo anda revirado. E por isso também, nesta inquietante situação, são muitas (muitíssimas) as pessoas que se fazem (ou nos fazemos) incontáveis perguntas para as quais não encontramos resposta.

Em muitos âmbitos da vida, dos quais não entendo nada (ou quase nada), ignoro inclusive as perguntas mais urgentes que nesse momento é preciso fazer. No terreno em que trabalho, há tantos anos, ou seja, no amplo campo da religião e suas muitas implicações na vida, há uma resposta para nossas perguntas, que é sem dúvida alguma a resposta mais firme, forte e clara que podemos encarar. E também a resposta que – a partir das crenças cristãs – precisamos aceitar.

Vou diretamente ao próprio centro deste assunto capital. Esta manhã, lendo São João da Cruz, encontrei este texto genial que o santo coloca na boca de Deus: “Se já falei a você de todas as coisas em minha Palavra, que é o meu Filho, e não tenho outra, que posso eu agora responder ou revelar que seja mais que isso? Põe os olhos apenas nele, porque nele eu lhe disse e revelei, e encontrará nele mais ainda do que pede e deseja. Porque você pede locuções e revelações em parte, e se põe os olhos nele, o encontrará em tudo; porque ele é toda minha locução e resposta e é toda minha visão e toda minha revelação. Por quem eu já tenho falado, respondido, manifestado e revelado, dando-o como irmão, companheiro e mestre, preço e prêmio” (Subida ao Monte Carmelo, livro 2 – cap. 22, n. 5).

“Põe os olhos apenas nele, porque nele tenho tudo dito”. Efetivamente, tudo o que Deus pode nos responder ou dizer, seja qual for a pergunta que façamos, e seja qual for a situação em que nos encontramos, a resposta que Deus pode nos dar está em Jesus. A resposta está sempre no que foi a vida de Jesus. Seu projeto de vida. Sua forma de entender a vida. O que foi importante para aquela vida.

Que todos tenhamos problemas, quem duvida? Que muitas pessoas possuam perguntas graves, talvez muito graves, para as quais não encontram resposta, é evidente. E tão evidente como é tudo isto, é igualmente que, nas situações complicadas que a vida nos apresenta, raro é o caso em que as pessoas nascidas e educadas na cultura cristã busquem a solução e a resposta na “Palavra” última, definitiva e total, a resposta aos problemas e perguntas mais sérias da vida, que é Jesus, a vida que Jesus levou, a solução que sempre teríamos que buscar e encontrar em Jesus.

E, por favor, que ninguém me diga que estou exagerando. Os problemas e as perguntas que a vida nos apresenta não são problemas e perguntas relacionados à saúde, o dinheiro, o êxito e o fracasso, o poder e seus privilégios, as relações humanas, o sentido ou a contradição da vida, o amor e o ódio, a felicidade ou a desgraça, a paz ou a violência, a liberdade ou a submissão, a boa ou a má consciência, a culpa, o perdão ou a vingança, a bondade ou os maus sentimentos, o triunfo ou o fracasso na vida, a fama ou o esquecimento geral?
JOSÉ MARÍA CASTILLO
teólogo espanhol - autor deste artigo

Pois bem, é de tudo isto que nos fala a vida de Jesus, o projeto de Jesus, a Palavra que é Jesus. Por isso, muitas vezes, eu me pergunto o que nós, cristãos, fizemos com o Evangelho? Por que e para que o chamamos “Palavra do Senhor”? Principalmente, quando sabemos que nosso verdadeiro “senhor” é o dinheiro, é o poder, é a segurança para o futuro, é o bem viver, é o êxito, é o desfrutar a vida.

Sejamos sinceros e honestos. O Evangelho é o fator determinante da vida da Igreja? Ele está na estrutura fundamental de nossa cultura? É o critério orientador de nossas vidas? No dia em que tudo isto ficar resolvido e claro, nesse dia teremos a resposta resolvida e esclarecida para as nossas perguntas, as grandes perguntas da vida.

* JOSÉ MARÍA CASTILLO nasceu em 16 de agosto de 1929, na localidade de Puebla de Don Fadrique na província de Granada, Espanha. Ele é um padre católico, foi membro da Companhia de Jesus (jesuítas) até 2007. Ele é doutor em Teologia Dogmática pela Universidade Gregoriana de Roma (Itália). Professor de Teologia Dogmática na Faculdade de Teologia de Granada. Professor convidado em diversas universidade, tais como: Gregoriana de Roma, Comillas de Madri e UCA de El Salvador. É doutor honoris causa da Universidade de Granada, Espanha. Escritor e teólogo com uma produção de mais de trinta obras publicadas e inúmeros artigos. Uma boa parte de sua biografia é narrada pelo próprio teólogo no capítulo do livro "Mi itinerario teológico" (trad.: Meu Itinerário Teológico) em Juan Bosch (ed.), Panorama de la teología española (Estella: Editorial Verbo Divino, 1999, pp. 181-198).

Traduzido do espanhol pelo Cepat. Acesse a versão original deste artigo, clicando aqui.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – Notícias – Quarta-feira, 17 de agosto de 2016 – Internet: clique aqui.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.