«Daqui a alguns anos estarás mais arrependido pelas coisas que não fizeste do que pelas que fizeste. Solta as amarras! Afasta-se do porto seguro! Agarra o vento em suas velas! Explora! Sonha! Descubra!»

(Mark Twain [1835-1910] – escritor e humorista norte-americano)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 10 de setembro de 2016

24º Domingo do Tempo Comum – Ano C – Homilia

Evangelho: Lucas 15,1-32


Naquele tempo:
1 Os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar.
2 Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. «Este homem acolhe os pecadores
e faz refeição com eles.»
3 Então Jesus contou-lhes esta parábola:
4 «Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la?
5 Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria,
6 e, chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: “Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!”
7 Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão.
8 E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente, até encontrá-la?
9 Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, e diz: “Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!”
10 Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte.»
11 E Jesus continuou: «Um homem tinha dois filhos.
12 O filho mais novo disse ao pai: “Pai, dá-me a parte da herança que me cabe”. E o pai dividiu os bens entre eles.
13 Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada.
14 Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade.
15 Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos.
16 O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam.
17 Então caiu em si e disse: “Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome.
18 Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: “Pai, pequei contra Deus e contra ti;
19 já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados”.
20 Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o, e cobriu-o de beijos.
21 O filho, então, lhe disse: “Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho”.
22 Mas o pai disse aos empregados: “Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés.
23 Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete.
24 Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado”. E começaram a festa.
25 O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança.
26 Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo.
27 O criado respondeu: “É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde”.
28 Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele.
29 Ele, porém, respondeu ao pai: “Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos.
30 Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado”.
31 Então o pai lhe disse: “Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu.
32 Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver;
estava perdido, e foi encontrado”.»

JOSÉ ANTONIO PAGOLA

UMA PARÁBOLA PARA NOSSOS DIAS

Em nenhuma outra parábola, Jesus quis fazer-nos penetrar tão profundamente no mistério de Deus e no mistério da condição humana. Nenhuma outra é tão atual para nós como esta do «Pai bom».

O filho menor diz a seu pai: «dá-me a parte da herança que me cabe». Ao reclamá-la, esse filho está pedindo, de alguma maneira, a morte de seu pai. Quer ser livre, romper amarras. Não será feliz até que seu pai desapareça. O pai atende ao seu desejo sem dizer palavra: o filho deve escolher livremente seu caminho.

Não é esta a situação atual? Muitos querem, hoje, ver-se livres de Deus, ser felizes sem a presença de um Pai eterno em seu horizonte. Deus deve desaparecer da sociedade e das consciências. E, do mesmo modo que na parábola, o Pai guarda silêncio. Deus não coage ninguém.

O filho vai a «um lugar distante». Necessita viver em outro país, longe de seu pai e de sua família. O pai o vê partir, porém não o abandona; seu coração de pai o acompanha; cada manhã estará esperando-o. A sociedade moderna distancia-se mais e mais de Deus, de sua autoridade, de sua recordação... Deus não nos estaria acompanhando enquanto vamos perdendo-o de vista?

Em seguida, o filho se instala em uma «vida desenfreada». O termo original [grego: asôtôs] não sugere somente uma desordem moral, mas uma existência não sadia, desequilibrada, caótica. Em pouco tempo, sua aventura começa a converter-se em drama. Sobrevêm uma «grande fome» e ele só sobrevive cuidando de porcos como escravo de um estranho. Suas palavras revelam sua tragédia: «eu aqui, morrendo de fome».

O vazio interior e a fome de amor podem ser os primeiros sinais de nosso afastamento de Deus. Não é fácil o caminho da liberdade. O que nos falta? O que poderia preencher o nosso coração? Temos quase tudo, por que sentimos tanta fome?

O jovem «caiu em si» e, aprofundando-se em seu próprio vazio, recordou o rosto de seu pai associado à abundância de pão: na casa de meu pai «tem pão» e aqui «eu morro de fome». Em seu interior desperta o desejo de uma liberdade nova junto a seu pai. Reconhece seu erro e toma uma decisão: «Vou-me embora, vou voltar para meu pai».

Pôr-nos-emos a caminho para Deus nosso Pai? Muitos o fariam se conhecessem esse Deus que, segundo a parábola de Jesus, «correu-lhe ao encontro, abraçou-o, e cobriu-o de beijos». Esses abraços e beijos falam do amor de Deus melhor que todos os livros de teologia. Junto dele poderíamos encontrar uma liberdade mais digna e feliz.

ONDE ESTÁ DEUS?

Jesus insistiu, de muitas maneiras, na ideia de que Deus é um Pai cuja bondade os homens não chegam a suspeitar. Utilizou toda classe de gestos, parábolas e recursos para despertar nos homens uma confiança radical em Deus Pai.

As parábolas que hoje escutamos nos recordam isso novamente. Deus não pode «sofrer» que o homem se perca. E a sua maior alegria é a vida, a felicidade e plenitude dos homens.

Porém, isto é verdade? Provavelmente, nesses tempos de tragédias, tem sido muitos os fiéis que se sentem atormentados por uma inevitável pergunta no segredo de seu coração: Onde Deus está agora?

Como pode Deus «respirar» tranquilo, enquanto filhos se afogam na água, no barro e na impotência? Se Deus é realmente nosso Pai e, ao mesmo tempo, Senhor do mundo, por que não evita as desgraças? Por que se cala? Onde se oculta?

Talvez alguns encontraram uma resposta e suspeitam que tudo isto não senão um castigo que Deus nos envia devido nossos pecados. Porém, o Deus do qual nos fala Jesus não é um tirano que se lança sobre os homens para destruí-los por causa de seus pecados, mas um Pai que sai em busca de todo homem perdido para abraçá-lo e celebrar sua volta à vida.

Mas, então, onde está Deus? Precisamente no coração mesmo de nosso sofrimento. Deus não somente sofreu por nós. Deus sofreu e sofre conosco!

Deus não salva os homens arrancando-os do mundo e dos riscos desta vida terrestre. Deus nos salva no mundo, encarnando-se em nossa impotência, nossos medos e nossa dor.

Deus está em todo homem que sofre. Esse silêncio incompreensível de Deus não é o silêncio de alguém distante e indiferente. É o silêncio de um Deus que sofre junto a nós e habita a partir de dentro de nossa dor.

Essa cena foi muito divulgada. Um menino judeu estreme-se com os estertores da morte, pendurado numa forca em um pátio do campo de concentração de Auschwitz (na Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial). Imediatamente, escuta-se o grito desesperado de um prisioneiro: «Onde está Deus?». E outro companheiro de prisão responde quase sussurrando: «Aí, na forca». Esta é a fé dos que creem em um Deus crucificado!

Esta proximidade de Deus não é algo inútil e estéril. Não é, tampouco, uma intervenção poderosa que rompe as leis da natureza para poupar-nos riscos e sofrimentos. É a presença humilde, respeitosa e solidária de um Pai que conduz misteriosamente a história dolorosa dos homens para a Vida definitiva.

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: Sopelako San Pedro Apostol Parrokia – Sopelana (Bizkaia – Espanha) – J. A. Pagola – Ciclo C – Internet: clique aqui.

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