«A corrupção, como um câncer, está corroendo a vida cotidiana dos povos.»

(Papa Francisco – Mensagem enviada aos bispos da América Latina e Caribe em Assembleia de 9 a 12 de maio de 2017)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Papa: o novo desafio ao mundo é o desenvolvimento sustentável e integral

“Atualmente, o mundo não cria desenvolvimento,
mas mais pobreza”, afirma arcebispo argentino,
assessor de Papa Francisco

Entrevista com Marcelo Sánchez Sorondo
Arcebispo argentino e Chanceler da Pontifícia Academia das Ciências e das Ciências Sociais

Mariano De Vedia
Jornal “La Nación” – Buenos Aires
24-09-2016 
D. MARCELO SÁNCHEZ SORONDO

Há 50 anos, o Papa Paulo VI escreveu na Populorum Progressio que o desenvolvimento era o novo nome da paz. Hoje, à luz da encíclica Laudato Si’, na qual Francisco faz um apelo dramático para o cuidado do ambiente, se poderia concluir que o desafio é o desenvolvimento sustentável e integral, que inclui o uso das energias renováveis.

É como o entende o arcebispo argentino Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler da Pontifícia Academia das Ciências e das Ciências Sociais, a mesma que integraram Galileu Galilei e alguns dos 35 prêmios Nobel. Na quinta-feira passada, Sorondo chegou a Buenos Aires vindo do Vaticano, onde trabalha há mais de 40 anos, para fazer uma exposição sobre a encíclica do Papa no Congresso Nacional CREA.

“A Laudato Si’ é fundamentalmente uma encíclica social. Os problemas da Terra têm impactos no plano social. Em vez de desenvolvimento, o mundo produz mais pobreza e involução. Isso influi naquilo que Francisco chama de formas mais extremas da globalização da indiferença, que são o trabalho forçado, a prostituição, a venda de órgãos e o crime organizado”, disse Sánchez Sorondo em uma entrevista concedida ao La Nación, ao explicar os alcances do urgente apelo para cuidar do planeta.

Eis a entrevista.

A encíclica enfrenta fortes lobbies?

Sánchez Sorondo: Ela não foi escrita para enfrentar os lobbies, mas é uma das que mais os enfrenta.

Quais são as principais resistências?

Sánchez Sorondo: A principal resistência vem dos lobbies do petróleo. Eles não querem aceitar que se diga que podem arruinar o clima. Dizem que o Papa não pode falar sobre estes temas, porque não são temas de moral. Mas acontece que é também um tema moral, porque se nós arruinamos a Terra degradamos o habitat, e isso é um problema moral.

A comunidade científica apoia o diagnóstico do Papa?

Sánchez Sorondo: Quem descreve tecnicamente o problema são os cientistas. O holandês Paul Crutzen e o mexicano Mario Molina, que receberam o prêmio Nobel por terem denunciado o buraco na camada de ozônio, o apoiaram e se pronunciaram a favor do cuidado do planeta.

A Igreja propicia a ideia do desenvolvimento sustentável?

Sánchez Sorondo: O desenvolvimento sustentável é uma ideia muito arraigada no magistério da Igreja. Tem suas origens em Paulo VI, quando falava do desenvolvimento na encíclica Populorum Progressio, e o manifestam economistas como Jeffrey Sachs. Como dizia aquele papa, Deus colocou na providência potencialidades, e é tarefa dos cientistas descobri-las e agir em benefício de todos. Trata-se de acompanhar a natureza em suas possibilidades, colaborando com a obra do Criador. Cabe a nós respeitá-la e guiá-la. Não ter uma atitude passiva, como se protegêssemos as peças de um museu, nem achar que com ela eu posso fazer qualquer coisa.
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Que impactos a encíclica produziu?

Sánchez Sorondo: A Laudato Si’ encara o grande desafio ecológico e social: o problema do clima. Chama para evitar a prática da ecologia superficial e substituí-la por uma ecologia integral. Se alteramos o ciclo da água podemos chegar a não ter mais vida no planeta. Com o uso de materiais fósseis, como o petróleo e o carvão, estamos produzindo uma espécie de manta na estratosfera, que impede a respiração da Terra. A mudança climática consiste no aquecimento da Terra com ácidos que são maravilhosos, porque o anidrido carbônico torna a vida das plantas possível, mas levado a um extremo produz desastres.

A encíclica conseguiu avanços?

Sánchez Sorondo: Foi fundamental e muito oportuna. A intenção era influir na COP 21, a cúpula sobre a mudança climática que se reuniu em Paris. E, pela primeira vez, depois de 21 encontros, colocou-se de modo claro a gravidade do aquecimento e propôs-se diminuir dois graus para evitar desequilíbrios. Os presságios não são bons e o Papa, com toda clareza, apesar de todas as pressões e lobbies, disse que a atividade humana que utiliza o material fóssil determina o aquecimento global, baseado na comunidade científica. [Esta foi uma postura e atitude históricas!]

A ONU acompanha os postulados da encíclica?

Sánchez Sorondo: Produziu-se uma sinergia com a ONU. O Papa publicou a encíclica em maio de 2015 e depois a relançou em sua visita aos Estados Unidos, onde os lobbies do petróleo são muito fortes. Conseguiu mudar o cenário em favor da tomada de consciência do problema e muitos grandes capitais já pensam em investir em outras coisas, por exemplo, em energias renováveis.

Basta uma tomada de consciência ou devemos esperar passos mais audazes?

Sánchez Sorondo: Antes, a comunidade internacional apresentava o tema de forma tão complicada que ninguém entendia o que estava acontecendo. Agora, pela primeira vez, fala-se claramente: o problema é o clima e devemos mudá-lo.

Que resposta dá àqueles que questionam o papa por falar de temas nos quais não é infalível?

Sánchez Sorondo: A verdade tem diversos aspectos. O Papa usa as verdades filosóficas quando fala de determinados temas e usa as verdades científicas para o bem da humanidade. Ele adota uma tese da comunidade científica, assim com assume outra tese filosófica quando fala da pessoa humana.

Traduzido do espanhol por André Langer. Para acessar a versão original desta entrevista, clique aqui.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – Notícias – Segunda-feira, 26 de setembro de 2016 – Internet: clique aqui.

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