«A corrupção, como um câncer, está corroendo a vida cotidiana dos povos.»

(Papa Francisco – Mensagem enviada aos bispos da América Latina e Caribe em Assembleia de 9 a 12 de maio de 2017)

Quem sou eu

São Paulo, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; estou reiniciando o meu Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Shimon Peres: 1923 – 2016

 De perdedor a lenda-viva, Peres personificou
os dilemas de Israel

Marcelo Ninio
Washington (EUA)

Mantinha-se o mesmo otimista incorrigível sobre a paz com os vizinhos.
“As pessoas dizem que é impossível, mas isso é nonsense”, disse.
SHIMON PERES

Não há israelense, vivo ou morto, cuja biografia se confunde mais com a do Estado de Israel do que Shimon Peres. Foi membro de 12 gabinetes, duas vezes primeiro-ministro, um dos pais do programa nuclear israelense e do processo de paz com os palestinos, mas só aproximou-se do consenso em seu país quando deixou a política ativa para tornar-se peça viva da história.

Nascido na Polônia em 1923, imigrou aos nove anos com os pais na onda sionista, aos 20 já era próximo do líder da independência de Israel, David Ben Gurion, e antes dos 30 tornou-se diretor do Ministério da Defesa.

Último sobrevivente da geração de fundadores do Estado de Israel, foi testemunha ocular e símbolo dos dilemas, sucessos e fracassos de um país que, desde o estabelecimento em 1948, jamais deixou de estar em estado de guerra.

Sua biografia personifica a trajetória do movimento sionista que criou Israel:
* da luta pela fundação do Estado,
* passando pela construção de uma potência militar,
* até a busca por uma solução para o conflito com os árabes.

Exigiu uma mudança de rumo para Peres, que chegou a apoiar a construção dos primeiros assentamentos nos territórios palestinos ocupados na Guerra dos Seis Dias, em 1967, para depois tentar um acordo para acabar com a ocupação.

Para as novas gerações de israelenses, Peres tem a imagem de um vovô sábio e apaziguador, sempre pronto a dizer frases de efeito, mas sua carreira política foi marcada por disputas renhidas, não apenas com os partidos opositores, mas também dentro de seu Partido Trabalhista.

Sua reputação era a de um político carismático, mas manipulador. A rivalidade com o companheiro de legenda Yitzhak Rabin foi uma das mais intensas da política israelense, até virar parceria quando os dois fecharam o primeiro acordo de paz com os palestinos, em 1993.

O acordo rendeu o Nobel da Paz a Rabin, Peres e ao líder palestino Yasser Arafat, porém mais de 20 anos se passaram e a visão de dois Estados para dois povos que moveu as negociações está longe de se tornar realidade. 
RECEBIMENTO DO PRÊMIO NOBEL DA PAZ EM 1994 - OSLO
Da esquerda para a direita, temos:
Yasser Arafat, Shimon Peres e Yitzhak Rabin

Com o mundo mais preocupado com a guerra na Síria e a facção terrorista Estado Islâmico, não há pressão externa por uma solução. Assim, os palestinos não têm força para retomar a negociação e os israelenses se conformaram com o status quo.

Peres foi personagem de um dos momentos-chave da derrocada do processo de paz, quando assumiu o governo após o assassinato de Rabin, em 1995, por um fanático judeu.

Chocado com o atentado, o país se moveu à esquerda na direção aos trabalhistas e do processo de paz, mas Peres não quis realizar uma eleição imediatamente e aproveitar a onda de apoio.

Marcou a votação para seis meses depois, e nesse meio tempo o cenário político mudou, com uma série de atentados terroristas palestinos. Peres perdeu uma eleição que parecia garantida para o direitista Binyamin Netanyahu.

Sem a dupla Rabin-Peres no poder, o processo de paz jamais voltaria aos trilhos. Peres saiu daquela derrota para Netanyahu com o estigma de jamais ter vencido uma eleição. Admirado no exterior, virou celebridade — suas festas de aniversário tinham de Nelson Mandela a Bono.

No país que ajudou a criar, porém, carregava uma aura de perdedor e de propagar o sonho impossível do "novo Oriente Médio", título do livro que ele lançou no auge da euforia com o processo de paz.

A tardia reabilitação pública ocorreu quando foi aprovado pelo Parlamento para ser o presidente de Israel. Aos 84 anos, longe do fogo cruzado da política partidária e ocupando um cargo cerimonial, finalmente passou a ser ouvido em casa e a ser reconhecido como uma das grandes personalidades da história do país.

Virou lenda-viva, e continuou usando o status depois de deixar a Presidência para promover seu legado como defensor da paz com os palestinos.

Em entrevista à revista "Time" no início do ano, mantinha-se o mesmo otimista incorrigível sobre a paz com os vizinhos. "As pessoas dizem que é impossível, mas isso é nonsense", disse.

Fonte: Folha de S. Paulo – Mundo / Análise – Terça-feira, 27 de setembro de 2016 – 23h13 [Horário de Brasília – DF] – Internet: clique aqui.

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